Operações de Marketplace: de bancos ao varejo, modelo acelera crescimento de grandes empresas Bruno Mello 23 de setembro de 2021

Operações de Marketplace: de bancos ao varejo, modelo acelera crescimento de grandes empresas

         

Bancos, varejo, shopping e até mesmo a indústria têm potencial para apostar no modelo de operação do marketplace para alavancar as vendas

Operações de Marketplace: de bancos ao varejo, modelo acelera crescimento de grandes empresas
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Sem dúvida, um dos modelos que cresce aceleradamente no e-commerce brasileiro é o marketplace. Este ecossistema de vendas vem despertando o interesse de setores externos ao e-commerce, como o financeiro, que enxerga possibilidades de fomento às compras e até os shoppings, “marketplaces físicos” que vislumbram nesse formato de operação uma oportunidade para melhorar as vendas dos lojistas.

Neste artigo, você aprenderá que a operação de marketplace vai além dos exemplos que já conhecemos, como Mercado Livre e B2W, e entenderá como cada um dos distintos setores, incluindo até mesmo a indústria, tem a ganhar com esse modelo de negócio.

A operação de marketplace como complemento ao varejo
Quando um determinado e-commerce de nicho começa a crescer, pode perceber que categorias “vizinhas” ao seu core business são uma oportunidade para agregar novos produtos e serviços ao portfólio e conquistar mais uma fatia do bolso da clientela. Afinal, um cliente conhecido tem mais chance de comprar novamente do que um novo comprador.

Neste momento, o modelo de marketplace pode ser uma alternativa interessante para trazer itens complementares às linhas principais de produto do negócio. Entre os diversos exemplos no cenário nacional, podemos citar a varejista MadeiraMadeira, especializada em móveis e que lançou em 2018 seu marketplace com o propósito de ampliar seu leque de opções para o consumidor e ganhar mais espaço dentro do mercado de casa e decoração.

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A hora e a vez da indústria apostar nos marketplaces
Um dos setores mais receosos de adotar práticas de comércio online é a indústria,por conta de uma questão base da natureza desta atividade: competir com quem compra sua produção – especificamente o varejo. Nos últimos meses, vimos exemplos de cada vez mais empresas adentrando neste setor, praticando o que conhecemos como “D2C – Direct to Customer”.

Entre as empresas que vêm apostando nesse formato, há nomes de grandes companhias de alimentação e fornecedoras para as cadeias de autosserviço (super e hipermercados), como Nestlé, JBS e BRF. Neste cenário, como solucionar a questão da competitividade, seja pelo varejo físico como pelo e-commerce? A resposta, novamente, surge no modelo de marketplace. Pautada pela capilaridade, a operação de um marketplace pode funcionar em conjunto com os estoques das lojas e revendas, de modo a fomentar possíveis produtos parados nestes pontos de venda e estimular a saída de mercadorias, aproveitando o peso do nome da marca.

Para operar neste modelo, é preciso estar em completa sintonia com os parceiros e varejo, além de contar com um sistema integrado de seller center – entendendo que cada loja ou parceiro funciona como um dos sellers neste ecossistema. A partir da compreensão da demanda e do fluxo de cada unidade ou loja online dos parceiros, a indústria pode alavancar tanto o resultado de sua iniciativa solo quanto da rede de lojistas integrada a ela.

Por que os bancos viram valor na proposta dos marketplaces?
Outro setor que enxerga com bons olhos o potencial dos marketplaces são os bancos. Detentor de informações estratégicas sobre o comportamento de compra dos consumidores, o setor financeiro compreende neste modelo uma possibilidade de fomento de seus serviços dos lados da questão – do seller, que precisa muitas vezes de recursos para fazer sua operação crescer – e do cliente, que para realizar compras, pode aderir a serviços como cartão de crédito entre outros.

Assistimos em 2020 à chegada desses grandes players a este mercado. Em novembro do ano passado, o Banco Inter já havia chegado à marca de R$ 1 bilhão em vendas em seu próprio marketplace, o Inter Shop, lançado em 2019.  Como resposta, o Banco do Brasil lançou em dezembro de 2020 sua operação de marketplaces, que inclui até uma vertical para compra e venda de imóveis rurais.

Entre as principais razões para o setor financeiro apostar na operação de marketplace, está a possibilidade de prever quando o cliente poderá estar interessado em um produto e, com isso, oferecer a melhor solução financeira para incentivá-lo a concretizar a compra.

Do outro lado, quando o banco passa a estar integrado a uma plataforma, ele pode compreender o potencial de um determinado produto comercializado por um seller que, mesmo com alta procura, ainda não tem a estrutura necessária para escalar aquelas vendas. Com o aporte financeiro adequado, esse lojista pode aumentar sua capacidade operacional e suas vendas, que também ficam retidas no ambiente financeiro do banco, capitalizando um investimento de baixo risco e que se retroalimenta.

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Shoppings estão virando marketplaces digitais
Pela sua própria natureza, os shoppings são marketplaces: espaços, neste caso, físicos, administrados por uma empresa e que propiciam uma experiência de compra ao consumidor. No início de 2020 , o cenário tornou-se completamente desafiador para a operação destes estabelecimentos. Não somente pelo crescimento das vendas on-line, mas principalmente, por conta dos lockdowns e restrições impostas pela pandemia para preservação da saúde.

Por conta do isolamento social, a taxa de vacância nos shoppings praticamente dobrou em 2020: de 4,7% em dezembro de 2019 para 9,3% em dezembro do ano passado, segundo informações da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Isso representa uma queda de 32% das visitas mensais aos shopping centers do Brasil no ano de 2020, o que levou a uma queda de 33,2% no faturamento do setor.

Como contornar esse panorama de risco? A migração para o ambiente digital onde o shopping center passou de fato a ter uma operação de marketplace. Com auxílio de ferramentas de seller centers, os shoppings alocaram seus lojistas nestas plataformas apostando no nome do estabelecimento como bandeira para facilitar a compra junto ao consumidor.

Para os lojistas, a grande vantagem é, além de poder comercializar em meio às restrições, ganhar as características do e-commerce de ter presença digital e capacidade de realizar transações 24h por dia, 7 dias por semana, ampliando a possibilidade de fazer negócios e diminuindo o montante de mercadorias presas no estoque.

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