O que se sabe sobre o Drex, real digital anunciado pelo Banco Central Bruno Mello 14 de agosto de 2023

O que se sabe sobre o Drex, real digital anunciado pelo Banco Central

         

Em fase de testes, “Real Digital” deve ser disponibilizado aos brasileiros em 2024 e promete melhorar a política econômica nacional

O que se sabe sobre o Drex, real digital anunciado pelo Banco Central
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O real, em versão digital. Essa é a maneira mais simples de definir o Drex, nome escolhido e divulgado pelo Banco Central (BC) para a moeda digital brasileira. Em contrapartida, as definições mais complexas sobre o novo formato do real requerem uma visita às estruturas que determinam o funcionamento das moedas digitais.

A primeira delas está relacionada ao ecossistema descrito pelo Drex. Segundo o BC, o ambiente, chamado de ecossistema de registro distribuído (ou Distributed Ledger Technology – DLT), é propício para que intermediários financeiros regulados convertam saldos de depósitos à vista e em moeda eletrônica em Drex, possibilitando que os clientes tenham acesso a vários serviços financeiros inteligentes.

Adicionalmente, Alan Kardec, COO da Blockchain One, ressalta que o Drex se baseia no conceito das CBDC’s (Central Bank Digital Currency), um tipo de moeda digital emitida e garantida por um banco central, que em sua essência, é uma representação digital da moeda fiduciária (“dinheiro de papel”) do país e serve como um meio legal de pagamento.

Neste ponto, as diferenças entre o Drex e as moedas digitais que se popularizaram nos últimos anos, como o Bitcoin, por exemplo, tornam-se mais evidentes. A regulação do real digital pelo BC garante que a nova moeda adquira todas as garantias de uma moeda soberana nacional e, portanto, preserve a paridade com o real físico – logo as quantias digitais do Drex sempre serão exatamente equivalentes ao R$, uma estabilidade que não é observada nas criptomoedas, de caráter descentralizado.

Objetivos, benefícios e outros diferenciais do Drex

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Segundo o BC, a criação do Drex reduzirá os custos de transações financeiras tradicionais e inovadoras, favorecendo, em última instância, a democratização financeira. Além disso, o Banco confia na plataforma Hyperledger Besu, blockchain que dá ao BC maior controle sobre a privacidade e a segurança das transações feitas com o Drex.

Cabe ressaltar que a principal diferença entre a versão digital do real e o dinheiro guardado no banco, que também pode ser utilizado para transferências e pagamentos online, se baseia em uma questão de responsabilidade: enquanto as quantias depositadas nos bancos são de responsabilidade das instituições financeiras, o Drex será de responsabilidade do BC. Isso o torna equivalente ao dinheiro físico, guardado na carteira, e por isso, não há possibilidade de rendimentos sobre o real digital.

Por outro lado, a CBDC possibilita a realização de operações que, atualmente, dependem da utilização de ativos e moedas digitais não reguladas pelo BC. Além disso, o órgão prevê que o Drex poderá ser ligado às moedas digitais de outros países, reduzindo o custo de operações e transferências internacionais. Segundo estudo do Atlantic Council, 114 países, que representam mais de 95% do PIB global, estão explorando o desenvolvimento de CBDC’s.

Para Kardec, benefícios como a eficiência do sistema de pagamentos, a redução de custos transacionais, o combate às atividades ilegais (por meio de rastreio de transações), a promoção da inclusão financeira e a garantia da soberania monetária frente ao crescimento de CBDC’s pelo mundo, devem ser capazes de ampliar a melhoria da política monetária nacional, iniciada pelo Pix, lançado em 2020.

Em função disso, o COO ressalta que 2023 é o momento ideal para educar o futuro consumidor sobre as possibilidades e as peculiaridades da moeda que deve ser disponibilizada no final de 2024.

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