O lado lunar das relações de consumo 10 de maio de 2010

O lado lunar das relações de consumo

         

Desde o início dos tempos a lua, e a sua influência no planeta terra, foi entendida como o lado visível do sagrado feminino

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<p>Por Paulo Vieira de Castro*<br /> <br /> O neuromarketing nos mostrou que a atividade cerebral dos homens é substancialmente reduzida a partir do momento em que estes tomam uma decisão de compra. Ao contrário das mulheres, que demonstram uma atividade cerebral contínua em três áreas distintas: uma, que concentra a recompensa, outra que tem a ver com o planeamento e a organização,  e uma última área onde se calcula e monitoriza as desordens obsessivas-compulsivas. O que é que isso quer dizer quando pretendemos negociar com uma mulher?<br /> <br /> Para melhor compreender o que acabo de afirmar, imaginemos que um homem vai a uma festa, encosta-se ao balcão e olha o foco. A mulher repara em tudo, em todos os detalhes do espaço, em todas as pessoas, avalia o espírito da festa, etc..etc.. Se passados alguns dias voltarmos ao assunto, por norma, ele limitar-se-á a dizer: a festa foi boa ou má. Ela passará as próximas horas falando sobre como a foi festa, vivenciando todos os pormenores, trocando informação: atualizando-se! Ao nível da excitação cerebral isso significará que a mulher não “se apaga” com tanta facilidade quanto o homem após o momento de consumo. Há de se realçar que nenhum destes processos é intencional. <br /> <br /> Desde logo, ela pensa em rede e ele o faz através de sucessivos degraus. Assim, ao contrário do homem, que se concentra no foco, a mulher presta atenção ao todo, que é tudo, através da intuição e do sentimento. Certo é que a mulher recolhe mais informação, integra os detalhes com maior rapidez e lida com padrões mais complexos. Pelo que quando toma decisões de consumo ela considera mais opções, fundando-se numa reflexão mais flexível e cooperativa. Surpreendidos?! Bom, o melhor será começar por  desenhar novas estratégias exclusivas para o lado lunar dos seus clientes e consumidores. <br /> <br /> Teremos de procurar um novo  posicionamento estratégico, levando em consideração um lado feminino do ser humano que não é mais condição exclusiva das mulheres, mas sim uma predisposição de homens e de mulheres para viver pelo feminino, pela emoção, pela inclusão, pela escuta e pelo diálogo. Barack Obama é um bom exemplo desse posicionamento andrógino. O maior de todos os equívocos dá-se a partir do momento em que o homem se imaginou a si próprio desde o exterior, perdendo deste modo a visão do todo. Pelo seu  lado,  a mulher habituada que está a partir das suas fraquezas, realiza a capacidade de ver nisto uma vantagem, chamando a si uma visão holística, assumindo uma  responsabilidade interna, mesmo antes de celebrar a alegria de viver em sociedade. <br /> <br /> <strong>O lado lunar das relações</strong><br /> A contribuição das mulheres para uma negociação não hierárquica, é mais variada, menos convencional, apresentando uma habilidade excepcional para vivenciar a atual era da complexidade. Por que não aproveitar isso quando pensamos em momentos de consumo?! À postura, tradicionalmente, feminina onde todos poderão ganhar na relação (win-win),o homem responde com uma atitude do tipo win or loose (ganha ou perde). Neste contexto, para as mulheres, arriscar tudo será tão grave como não arriscar nada. <br /> <br /> Afinal, acreditar em tudo é tão grave como não acreditar em nada. E este é um potencial fantástico quando pensamos no fator fidelização com base numa nova transparência. Mas o que é que aproxima homens e mulheres nos momentos de consumo? Pessoalmente acredito que será o velho cérebro; o reptilário. <br /> <br /> <strong>Áreas do Cérebro</strong><br /> Os mecanismos humanos de decisão poderão estar relacionados com áreas distintas do cérebro. Resumidamente, e de forma muito simplista, poderemos referir a existência de uma área no cérebro que será responsável pela investigação, pela lógica e pela dedução. Contudo, esta – por si só -  manifesta-se incapaz de explicar as relações de consumo. Quantas destas  são assumidas de forma inexplicável, mesmo irracional? <br /> <br /> Esta dúvida remete-nos, com as necessárias cautelas, para a existência de outros campos cerebrais para além do racional. A relação entre a mente e o cérebro humano, a intuição, a predisposição para a abertura a campos quânticos de ligação ao todo que é tudo levam-nos para além do novo cérebro, reconhecendo-se, ainda, a existência de um cérebro do meio, onde vamos encontrar as emoções e os sentimentos. Aqui são ainda partilhadas as  descobertas com os outros dois cérebros. Mas, será que a emoção e os sentimentos são suficientes para explicar o comportamento de consumo dos seres humanos?! Não, pelo menos de uma forma completa.<br /> <br /> Resta-nos o velho cérebro, o mais profundo, o responsável por nos mantermos vivos. Aqui poderemos encontrar o que Jung relacionou com a herança histórica de todas as civilizações, uma espécie de consciência coletiva. O cérebro reptilário, ao fazer a ligação com a herança dos nossos antepassados, alerta-nos para uma dimensão onde ser homem, ou mulher, é absolutamente indiferente. Poderemos entender melhor esta possibilidade se imaginarmos que a consciência é algo que se cria fora de nós, mantendo-se fora de nós, não sendo por isso acessível ao mapeamento cerebral. <br /> <br /> Ora, ao acreditarmos que existe uma possibilidade que aponta para um ser humano, por exemplo, programado para acreditar, logo se coloca  a hipótese da crença ser activada, igualmente, nas relações de consumo. Neste particular parece que as mulheres apresentam uma maior resistência, direi mesmo preparação, para lidar com a dimensão dos conceitos, apresentando uma outra inteligência perante os factores de mercado. Concluindo, direi que urge pensar novo desafio, chegar ao lado lunar das relações de consumo.<br /> <br /> * Paulo Vieira de Castro, Inner Leadership Coaching, consultor de empresas, director do Centro de Estudos Aplicados em Marketing, do Instituto Superior de Administração e Gestão (ISAG) – Porto. Contato: <a href="javascript:location.href='mailto:'+String.fromCharCode(103,101,114,97,108,64,112,97,117,108,111,118,105,101,105,114,97,100,101,99,97,115,116,114,111,46,99,111,109)+'?'">[email protected]</a></p>


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