Metaverso: essa moda vai pegar mesmo? Bruno Mello 27 de janeiro de 2022

Metaverso: essa moda vai pegar mesmo?

         

Novo mundo é cheio de possibilidades para criar mais e melhores conexões. Mas, para isso, as empresas vão precisar se aprofundar mais em soluções digitais

Metaverso: essa moda vai pegar mesmo?
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O termo “metaverso” tem dado o que falar, mas, é certo que ainda são poucas as pessoas que de fato sabem o que isso significa. O tema começou a ganhar mais espaço em outubro, quando o até então grupo Facebook, que compreende várias empresas de internet, como o próprio Facebook, Instagram, Whatsapp, entre outras, anunciou que iria mudar o nome da companhia para Meta. Isso, segundo o seu fundador, Mark Zuckerberg, por conta do fenômeno que já está por vir e deve revolucionar novamente a forma como nos relacionamos, consumimos e nos comportamos.

Originado das palavras meta, que em grego faz referência a palavra “além”, e universo, agora se tornará um espaço real e, ao mesmo tempo, virtual. É o que diz também a definição do infopédia, que explica o termo metaverso como um “tipo de mundo virtual em que se reproduz a realidade através de dispositivos digitais e em que os utilizadores interagem uns com os outros”.

Pode parecer estranho e distante, mas o metaverso já é realidade e está sendo utilizado por algumas empresas e usuários, ainda em fase embrionária. Esse é, justamente, o espaço de concretização de um universo virtual 3D que une a inovação tecnológica da realidade aumentada com as pessoas por trás da tela.

Para as empresas, a tendência com o metaverso é que haja um aumento expressivo no uso de tecnologias imersivas para atrair e, principalmente, impactar os consumidores, além de passar a ser um recurso cada vez mais importante para solidificar a reputação das empresas nesse novo contexto. É um mundo novo, cheio de possibilidades para criar mais e melhores conexões. Mas, para isso, as empresas vão precisar se aprofundar mais em soluções digitais.

O metaverso não é uma empresa, são várias que precisam se integrar e se falar para criar esse mundo com diversas soluções. Nas últimas semanas, algumas das marcas mais valiosas do mundo já começaram a se manifestar dentro do metaverso, como aconteceu com a Nike que já vende alguns modelos de tênis em NFTs para serem utilizados virtualmente no metaverso. Essa parece ser mesmo uma das apostas da marca que anunciou recentemente a compra de uma produtora de tênis digitais para sair na frente nessa corrida de percurso ainda pouco conhecido.

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Assim, companhias de diversos setores já estão garantindo suas propriedades neste espaço. Até o começo de dezembro, mais de US$ 106 milhões (quase R$ 600 milhões) foram gastos em propriedades virtuais, em especial com compras de terrenos digitais, iates de luxo, e outros ativos de NFTs, segundo os dados da plataforma de aplicativos DappRadar. A empresa Republic Realm já chegou a investir US$ 4,3 milhões em um terreno virtual, estabelecendo assim um novo recorde para essa classe de ativos, de acordo com o Wall Street Journal.

Apesar de ser um espaço desconhecido pela maioria dos brasileiros, não é uma novidade para todos. De acordo com a pesquisa do Instituto Kantar Ibope Media, 6% dos brasileiros com acesso à internet já tiveram algum tipo de experiência no metaverso, ou seja, cerca de 4,9 milhões de pessoas. E isso se deve, justamente, por conta de uma geração que já nasceu interconectada.

Para as novas gerações que nasceram com a tecnologia, as duas partes estarão totalmente associadas, pois esta servirá como uma extensão das redes sociais e outras mídias para se conectarem e compartilharem experiências. E agora, com um toque a mais de realidade, visto que, ainda que estiverem distantes fisicamente, poderão se encontrar nesse espaço virtual e até ter pequenas vivências comuns por meio dos seus avatares, como comprar novas roupas, ir a diferentes lugares ou até mesmo trabalhar.

Além disso, jogos populares como “League of Legends” e “Fortnite” já permitem que filmes como “Jogador número 1” se aproximem cada vez mais da realidade, sendo o metaverso o principal meio para essa concretização. A diferença agora é que essa opção está sendo oferecida para todos, não só para cada indivíduo e como meio de entretenimento, mas também para empresas e abrindo as portas para os negócios adentrarem esse meio e se comunicarem com todo esse público que já o conhecia e com o novo público aberto a essa nova possibilidade.

A questão atual é dar significado e utilidade a esse espaço, não se tornando apenas uma vitrine virtual. Muitos ainda cogitam a necessidade de ter mais um meio de interação, seja como entretenimento, serviço ou para facilitar na execução de tarefas, o que é normal. Contudo, com a forte adesão de grandes marcas, esse meio irá, aparentemente, englobar muitas funcionalidades de outros em um só, centralizando e facilitando a comunicação entre todos. Por isso, o papel das marcas será fundamental para moldar o futuro do metaverso e garantir a sobrevivência a longo prazo, o que requer muita estratégia e cautela nesse momento, não focando apenas em vendas, com apelo estritamente comercial, mas sim no público e no gigante potencial com novas possibilidades de interconexão que esse espaço oferece.


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