Made in China? 13 de setembro de 2011

Made in China?

         

Mas talvez seja esse realmente o futuro: somente 2 ou 3 grifes serão consideradas luxo e todas as outras apenas de high-end fashion

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<p>Por Fábio Garcia<br /> <br /> <img src="/images/materias/fabio_china_1.jpg" alt="Made in China?" /><br /> O texto acima foi tirado do site da grife americana Rag&Bone. Em amarelo destaquei alguns pontos da filosofia da marca: qualidade. Em diversas partes do texto eles falam da preocupação com a qualidade de seus produtos, a atenção aos detalhes, à importância do feito à mão.<br /> <br /> Será? As fotos abaixo são de uma bolsa da Rag&Bone que depois de 5 vezes de uso descosturou-se. Mas a decepção não se resume ao problema da bolsa ter se estragado, afinal problemas acontecem nas melhores famílias. O adendo é que eles nunca responderam os emails, twetts ou mesangens enviadas à eles. Nunca. Nem uma resposta do tipo “o problema é seu”. Nada.</p> <p><img src="/images/materias/fabio_china_2.jpg" alt="Made in China?" /><br /> <img src="/images/materias/fabio_china_3.jpg" alt="Made in China?" /><br /> <br /> A bolsa foi feita na China e não nos EUA como poderia se pensar, já que a Rag&Bone é uma grife pequena que se orgulha de ser MADE IN USA. Não quero aqui discutir nem ser contra ou a favor a produtos feitos na China. Mas o que sou contra é não deixar isso claro e deixar que a qualidade dos produtos caia só porque foi feita num ou noutro lugar.<br /> <br /> <img align="right" src="/images/materias/fabio_china_4.jpg" alt="Made in China?" />Também sou contra a produtos de grife que vendem a imagem de Made in Italy e na verdade são feitos na China. No ano passado a Louis Vuitton, que tenho que ressaltar é uma das poucas que ainda fabricam seus produtos na Europa, foi obrigada a retirar uma propaganda de circulação na Inglaterra, pois dava a entender que cada bolsa era 100% feita à mão.  <br /> <br /> Grifes como D&G e Paul Simith – só para citar algumas – tem tanto produtos feitos na Europa quanto na China, e é desses produtos que estou falando, pois quando você vê a estratégia de comunicação na mesma hora nos remetemos à Itália e Inglaterra, e muitos clientes nem se preocupam em ver a etiqueta MADE IN….<br /> <br /> Pelo menos a D&G e a Paul Smith quando questionadas responderam que algumas linhas de seus produtos são realmente feitos na China, mas que isso não prejudica em nada a qualidade dos mesmos. Tenho aqui que dizer que já comprei gato por lebre das duas marcas e até agora as bolsas Made in China não deram problemas.<br /> <br /> Não é a toa que no ano passado o parlamento italiano endureceu as regras para se levar o selo Made in Italy. Antes era possível importar bolsas e sapatos da China e até mesmo daqui do Brasil e apenas dar o acabamento final nos produtos em território italiano para o produto poder ostentar com orgulho o Made in Italy.<br /> <br /> Desde outubro passado, as etiquetas devem mostrar o país de origem, além de certificados de garantia de qualidade e de preservação ambiental e de não utilização de mão de obra infantil em qualquer etapa de sua produção. E cada vez mais grifes tem se valido dessa estratégia.<br /> <br /> Celine e Kenzo, grifes do grupo LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton, tem parte de sua produção feita na China, Giorgio Armani SpA disse que produz 18% de sua marca Armani Collezioni no Leste Europeu; a Tod´s produz parte de sua grife Hogan na Hungria e considera mover sua fábrica para a China. O Gucci Group costura alguns de seus tênis na Sérvia.<br /> <br /> O assunto não chega a ser novo, até Miuccia Prada declarou uma vez no Wall Street Journal que 20% da produção da sua grife vem da China. Que é uma questão de tempo para que todos acabem fazendo a mesma coisa e que é sim possível ter ótima qualidade em fábricas chinesas.<br /> <br /> Não discordo desse último ponto, acredito que estamos tão acostumados a ver todo sorte de objetos de baixo valor sendo trazidos da China e vendidos nos cruzamentos das grandes cidades que imediatamente relacionamos Made in China à falta de qualidade.<br /> <br /> O que questiono comigo mesmo é que será que pode se falar em mercado de luxo? Quanto mais reflito mais acredito que não, pois luxo tem a ver com exclusividade, herança, savoir-faire e a partir do momento que uma grife descola sua linha de produção para um outro país somente em busca de mão-de-obra mais barata se encerra o conceito de craftsmanship.<br /> <br /> Mas talvez seja esse realmente o futuro: somente 2 ou 3 grifes serão consideradas luxo e todas as outras apenas de high-end fashion. Tudo é uma questão de ponto de vista e de referencial. Também acredito que o consumidor médio não vai parar de comprar. Em janeiro passado numa loja da Kenzo em Paris perguntei à vendedora aonde era feita uma bolsa de viagem. Ela imediatamente me disse: Made in France. Quando perguntei se ela tinha certeza e fomos verificar a etiqueta interna bem escondida e lá dizia Made in China. Ela pediu desculpas por ter me dado a informação errada e disse realmente nunca ter recebido orientação sobre o assunto e muito menos nunca nenhum cliente perguntou isso a ela.<br /> <br /> * Fábio Garcia é Administrador de Empresas formado pela Fundação Getúlio Vargas, com experiência na área Comercial e de Produtos de grandes empresas brasileiras e multinacionais. Fundador e autor do sitewww.bolsasdevalor.net, primeiro site 100% dedicado às bolsas para homens escrito em português.</p>


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