Publicidade

Patrocínio

Publicidade
Publicidade Publicidade Publicidade
Mundo do Marketing Inteligência

Últimas Notícias

Privacidade na internet. Por que abrimos a porta aos estranhos?

Falar em estudar o comportamento do consumidor a partir do monitoramento de redes sociais gera fascinação para profissionais de marketing e revolta para os consumidores

Por | 19/06/2017

pauta@mundodomarketing.com.br

Compartilhe

No mês passado um amigo deliberadamente convidou uma marca a fazer parte e monitorar nosso grupo de WhatsApp dos amigos de infância. Em menos de dez minutos a mesma marca apareceu no grupo dos amigos que trabalharam juntos. Em poucas horas, perguntaram se poderiam convidar a mesma marca para o grupo da turma do colegial e para o grupo do pessoal da faculdade. Em comum, em todos esses grupos fazemos brincadeiras escrachadas e falamos de coisas que não gostaríamos de ver publicadas abertamente.

Por que todos queriam convidar essa marca para participar e monitorar nossos grupos fechados?
Falar em estudar comportamento do consumidor a partir do monitoramento de redes sociais gera fascinação para profissionais de marketing (nós, pessoas normais, enquanto trabalhamos) e revolta para os consumidores (nós, pessoas normais, quando não estamos trabalhando). Medo e revolta por rejeitarmos a ideia de sermos observados sem consentimento, independentemente da provação (sem leitura) dos termos e condições - mexemos em configurações e tentamos identificar formas de bloquearmos robôs e perfis falsos como forma de mantermos o controle sobre o monitoramento das nossas informações.

Das redes sociais, o WhatsApp ainda é considerado pelos usuários como um lugar seguro para falarmos sem nos preocuparmos com a opinião fora do grupo, quase que como um oásis para sermos quem somos e mostrarmos o que queremos que só poucos vejam - desde ajustada a configuração de segurança. Isso dá conforto para nos abrirmos. Mas gostamos desse refúgio, por que meus amigos convidaram essa marca para entrar em nossas comunidades e monitorar nossas conversas?

Por que eles (a marca) ofereciam um serviço (conteúdo exclusivo) que era pertinente a todos os grupos. E, frente a pertinência desse serviço, muitos tentavam "se enganar" que não teria nenhuma restrição em convidar a marca a participar de nosso grupo.

O tamanho do prêmio
O monitoramento das redes sociais pelas marcas depende da autorização dos usuários. E a autorização dos usuários depende do tamanho do serviço, do prêmio, oferecido pelas marcas. Fazendo um paralelo com a proposta da consultora de Marketing Kate Cooper nos deixamos enganar pelas marcas quando queremos acreditar na "pós-verdade" apresentada. Queremos fechar os olhos para a possibilidade de investigação de nossas conversas íntimas em troca de um filminho exclusivo de pole dance.

O limite da privacidade
Para a advogada especialista em direito na internet Andreia Marcelino, "a proteção  da privacidade é princípio  do Marco Civil da Internet onde  o compartilhamento de dado só é  possível com o consentimento do usuário", porém, alerta a advogada, este consentimento pode ocorrer através  da concordância  aos termos de privacidade do site ou aplicativo, especialmente quando esta política permite ao usuário não concordar  com este  termo, e informa quais as finalidades do compartilhamento como ocorre na política do Whatsapp.

Segundo a política do WhatsApp, "Mesmo que o WhatsApp opere separadamente do Facebook, nós planejamos compartilhar dados com o Facebook e com a Família de Empresas do Facebook que irão nos ajudar a coordenar e aprimorar experiências em nossos serviços, nos serviços do Facebook e das empresas da família do Facebook".

Mas a advogada alerta que "se a marca for convidada para participar de um grupo, como nesse caso citado, esta marca se torna um interlocutor, portanto, podendo usar as informações ali trocadas e ainda com a garantia que outras marcas que não foram convidadas para participar do grupo não terão acesso a tais dados em razão da criptografia que garante que as mensagens somente serão visualizadas pelos integrantes do grupo".

3 sugestões para gestores de Marca, Comunicação e Inteligência
Construção de Marca e Inteligência andam juntas nesse tipo de ação e por isso devem estar muito bem alinhados e coordenados.

1 - Resista a tentação na investigação. Entenda a legislação, mas, mais do que isso, entenda os padrões éticos de sua organização e de seu mercado alvo. Defina os seus limites antes de chegar neles. Trabalhe com dados agregados.

2 - Resista a tentação na ação. Respeite o fórum e controle sua interação. Exceto se convidado para participar da conversa, respeite o propósito pelo qual foi convidado a participar dos grupos. Um comportamento tido como invasivo pode resultar em sua expulsão do grupo e eventualmente ser gatilho para uma crise de marca.

3 - Ofereça mais do que recebe (na perspectiva dos usuários). Seja generoso em oferecer os serviços que propôs de forma não invasiva. Entenda e respeite o objetivo e nível de interação do grupo. Se você for uma das poucas marcas que realmente tem algo a dizer, crie novas comunidades com objetivos claros - aí você poderá participar mais.

Conteúdo de Acesso Premium Para continuar tendo acesso a esse e outros conteúdos exclusivos, faça sua assinatura.
  • Conheça diferentes perfis de consumo
  • Desenvolva embasamentos para suas campanhas
  • Otimize sua gestão de Marketing
  • Projete cenários para o seu negócio
  • Descubra potenciais de mercado
  • Tome decisões mais assertivas

Já é premium/cadastrado?
Faça o login para ver o conteúdo:

Por: Alexandre Salvador

Professor de cursos de pós-graduação e MBA, incluindo ESPM, FIA e FGV. Doutorando e Pesquisador na área de Gestão de Crise e Educação em Marketing pela FEA/USP


Comentários


Acervo

Publicidade

Voltar ao Topo

Copyright © 2006-2015.

Todos os direitos reservados.

Assine o Mundo do Marketing Inteligência

Copyright © 2006-2017. Todos os direitos reservados. Todo o conteúdo veiculado é de propriedade do portal www.mundodomarketing.com.br. É vetada a sua reprodução, total ou parcial sem a expressa autorização da administradora do portal.

Auditado por: Metricas Boss