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Case OSB: estratégia a longo prazo leva à superação de crises

Orquestra adota modelo de gestão empresarial para conseguir resultados eficientes e reter talentos. Trajetória deixa lições para o mundo corporativo e departamentos de Marketing

Por | 06/10/2014

priscilla@mundodomarketing.com.br

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A captação de recursos, a busca pela sustentabilidade, a realização de processos seletivos, a criação de políticas de valorização do profissional e o estudo frequente, para se tornar o melhor da área, são desafios aplicáveis ao mundo corporativo. Mas não só a ele. É com esse modelo que a Orquestra Sinfônica Brasileira estruturou não apenas seu corpo artístico, como também sua gestão. São grandes as semelhanças entre uma empresa e um coletivo instrumental, no qual a afinação e a sincronia deixam lições importantes para os homens de negócios.

Fundada em 1940 por um conjunto de músicos de diferentes partes do Brasil e também estrangeiros, a OSB se constituiu baseada na ideia de que o gosto pela música de concerto pode ser estimulado pela experiência de se assistir a uma grande orquestra em ação. Assim, o grupo buscou criar oportunidades para sensibilizar novos públicos, ao mesmo tempo em que impulsionou a produção dos compositores. Essa visão empreendedora, de tornar-se lembrado após encerrada a vivência, é buscada há alguns anos pelas marcas.

Para que esse resultado seja alcançado, um trabalho forte com a equipe é feito diariamente, a fim de buscar e reter as melhores competências. "É um trabalho em equipe e todos nós, juntos, somos capazes de criar algo extraordinário. Cada um tem a sua individualidade e enxergamos a perfeição nos detalhes. Ao captarmos o melhor de cada unidade, o todo torna-se inesquecível", conta Roberto Minczuk, Regente Titular da Orquestra Sinfônica Brasileira, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Gestão de Talentos
Lidar com personalidades pode ser desafiador, ainda mais quando em uma equipe estão os melhores profissionais do país. Para que não haja disputas de egos e todos sejam reconhecidos, independente do lugar que ocupam, a OSB adotou um sistema que destaca os artistas abrindo espaço para eles como solistas. "Todos gostam de executar uma performance sozinhos, é uma coisa importante para se manterem motivados, por isso procuramos criar o máximo de oportunidades para isso", afirma Minczuk.

Para gerir cada uma das 70 pessoas que compõem a orquestra, o regente busca dividir o grupo pela modalidade de instrumentos que tocam - cordas, madeiras, metais e percussão. Por exemplo, o primeiro tipo é dividido em violino, viola, violoncelo e contrabaixo. Cada um deles possui um líder responsável pelo bom andamento dos ensaios e execução das músicas. Esse formato se assemelha ao chefe de departamento de qualquer companhia. O regente, no entanto, ocupa a função que seria do presidente, ao qual esses coordenadores se reportam.

A orquestra ainda possui duas comissões diferentes. A primeira, de artistas, são formadas por músicos representantes dessas grandes famílias de instrumentos que discutem questões de ordem técnica e exclusivamente das apresentações. Eles são os representantes junto ao maestro e são escolhidos pelos próprios colegas. A segunda junta é voltada a questões trabalhistas, vistas de ordem operacional. "Os assuntos são tratados fora do ambiente de ensaio e temos vários reuniões para buscar melhorias.  Eles trazem à direção os anseios e desejos do corpo da orquestra e isso é fundamental para a harmonia da OSB", conta o Regente Titular.

Superar desafios
O bom momento vivido por Minczuk nada lembra alguns percalços que o grupo passou ao longo de quase 75 anos. Em 2010, o regente tentou implantar um polêmico sistema de avaliações técnicas dos músicos, que não concordaram com o modelo e o acusaram de autoritário. Após um período de tensão, entre afastamentos e readmissões, a OSB voltou ao eixo da normalidade, mas com alguns sustos. No início de 2013 a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou que cortaria sua cota anual de patrocínio no valor de R$ 8 milhões, mas a medida acabou descartada pelo prefeito após a repercussão negativa.

A manutenção da Orquestra Sinfônica Brasileira só é possível por meio das alianças construídas ao longo dos anos com governos, empresas e indivíduos interessados em incentivar o crescimento do conjunto no cenário sociocultural brasileiro. Sem esse apoio, a OSB não conseguiria manter um bom ambiente de trabalho aos artistas. Dependente de recursos externos para manter suas atividades, a orquestra, a exemplo de outras instituições culturais, torna-se vulnerável às mudanças no cenário político e econômico. Entre os patrocinadores, hoje, estão Vale, Prefeitura do Rio, BNDES e Carvalho Hosken.

De acordo com Eleazar de Carvalho Filho, Presidente do Conselho Curador da Fundação OSB, a estrutura da instituição se assemelha à de uma empresa de médio porte, de acordo com os padrões brasileiros. Tanto o corpo orquestral quanto a equipe administrativa são contratados em regime C.L.T., fator que representa altos custos tributários para a Fundação. Oferecer uma segurança e direitos trabalhistas, bem como uma estrutura para ensaios tem sido a premissa da administração da OSB desde o ano 2000.

Segundo Eleazar de Carvalho Filho, o esforço de imprimir um novo projeto institucional fez com que a orquestra passasse por uma crise, mas os planos de diversificação do negócio, buscando estabelecer contratos com parceiros e mecanismos de sustentação eram de médio a longo prazo e, atualmente, eles mantém não apenas uma agenda produtiva, como também uma estrutura consistente que atrai novos integrantes.

Fatores externos
Apesar de internamente a gestão estar bem organizada, a falta de investimentos na música clássica em escolas e teatros do país faz com que muitas pessoas busquem em outros países a técnica e infraestrutura da qual carecem. Os atuais músicos brasileiros da OSB têm formação no exterior, basicamente na América do norte e Europa, uma vez que lá estão os maiores conservatórios tradicionais. Cerca de 70% a 80% do grupo possui formação no exterior. Assim como acontece no futebol, em que os talentos vão para o exterior e deixa os times locais sem grandes nomes, na música esta evasão também acontece e artistas nacionais de altíssimo valor acabam por ir tocar em orquestras internacionais.

Com o projeto de aumento salarial e o propósito de ter algo de excelência, alguns instrumentistas voltaram ao Brasil. Atualmente a Orquestra Sinfônica Brasileira possui um local próprio para realizar os ensaios, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. "Fomos capazes de atrair quem estava em outros conjuntos. Eles enxergaram um projeto interessante, viram a possibilidade de serem bem remunerados para fazer algo de qualidade. Todo brasileiro tem o desejo de ser profissional aqui se tiver boas condições, as empresas precisam entender isso", conta Minczuk.

A falta de uma cultura musical no país pode ser revertida caso as escolas de música e teatros passem a investir em números de salas suficientes e com boa acústicas, além de iniciar o aprendizado desde as escolas primárias. "O Brasil não oferece nada disso. Quando eu tinha 14 anos, estudei em uma escola nos Estados Unidos que tinha mais infraestrutura do que instituições daqui. Eram teatros grandiosos e instrumentos de primeira linha. Nós não temos a tradição da música clássica como existe com o futebol, e nem sequer como há a tradição da música popular. Carecemos de talentos brasileiros em número suficiente para se ter uma qualidade desejada", afirma Minczuk.

Modelo de negócio
Todos esses obstáculos fazem com que a instituição se empenhe no aprimoramento de seus mecanismos de gestão. De acordo com Eleazar de Carvalho Filho, o desempenho das metas operacionais, financeiras e artísticas estabelecidas pelo Conselho vem sendo buscado a partir do levantamento de indicadores que possibilitam o acompanhamento dos resultados alcançados. Além da continuidade do trabalho musical da OSB, a orquestra continuará a buscar inspiração nos modelos de administração empresarial, a fim de garantir retornos mensuráveis ao conjunto de investidores públicos e privados que viabilizam sua existência.

O público, no entanto, não é capaz de ver toda a engenharia que há por trás de um grande espetáculo. A excelência é perseguida para proporcionar a melhor sensação a quem participa de cada apresentação. "Precisamos de um resultado técnico, perfeito e ao mesmo tempo inspirador. Existem esses detalhes perfeitos, porque a música não pode ser tecnicamente fria, ela não pode só buscar a conclusão. É necessário ser eficiente, perfeita, bonita e alegre. Cada artista tem que chegar preparado e se dedicar horas estudando a partitura antes do ensaio. Começa pelo técnico, mas também tem que ir ao emocional e espiritual da obra", afirma o regente.

A complexidade de gerir um conjunto sinfônico e um modelo empresarial possui equivalências, já que ambas encontram o desafio de que o desenvolvimento não estacione em determinado ponto. O compromisso com a superação e estar em busca da perfeição deve fazer parte da rotina de cada profissional, independente da área de atuação. "Começa com a paixão pelo que se faz e depois aquele compromisso com a qualidade, isso resulta algo belo e inspirador", conclui Roberto Minczuk.

Leia também o editorial O que o profissional de Marketing tem a aprender com uma orquestra?

 

*Com reportagem de Bruno Mello.





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