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Errar é humano? sóquenao. Uma lição a partir do Oscar

Com medo da repercussão que uma falha pode causar, empresas se arriscam menos e deixam de inovar. Exposição das redes sociais fez perder a complacência de que errar é humano

Por | 02/03/2017

bruno@mundodomarketing.com.br

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Me desculpe, mas não sei de quem é a máxima popular de que errar é humano e a falta de conexão num lugar para fugir do Carnaval não me permite dar um Google. O fato é que este pensamento está mais do que enterrado no mundo em que vivemos. Um mundo que deseja ser perfeito. Que quer se mostrar somente o lado bom 24 horas por dia, especialmente nas redes sociais. Uma época em que se pune o erro sem dó nem piedade e num ano que ficará marcado na história do Oscar como o maior erro em quase 90 edições ao trocar os envelopes de melhor filme.

Hoje está se questionando como a imagem da PwC será impactada pelo acontecido. Afinal, eles eram os responsáveis pelos envelopes. Mas não se trata deste erro. É algo maior que está em jogo não apenas no caso do Oscar e da Consultoria renomada. É sobre a cultura do erro em que vivemos. Ou a total falta dela. Não se tem mais a complacência de que errar é humano. Qualquer erro é mortal. Fatal. Destruidor. Intolerável. Motivador das piores consequências. No Carnaval do Rio também tivemos erros que machucaram pessoas. Até uma turista foi parar no meio de uma favela por engano. Esses sim são imperdoáveis. Mas e no mundo corporativo? Até que ponto um erro deve ser cortado pela raiz?

Essa cultura é uma das principais responsáveis pela falta de inovação nas empresas. Ninguém pode errar. Ok. Não falemos de inovação caso você acredite que pode ser algo bem avançado. Falemos do dia a dia. Como o erro e o risco são irmãos, pouquíssimos executivos e empresas se arriscam. Isso não é de hoje. Mas também nunca esteve tão forte. Vivemos na covardia. Na mediocridade não por medo de errar, mas pela consciência de que deve-se fazer o que se tem segurança para não correr riscos. Só que este pensamento é o mais ingênuo de todos, pois não temos mais segurança de nada.

O mundo em constante mudança altera os cenários de forma profunda em questão de horas. O que era uma verdade ontem não serve mais para hoje. Ficar parado ou se mexer o mínimo necessário para não correr riscos é dar entrada no cemitério de CNPJ ou no RH da empresa. Há também o cenário de milhões e milhões gastos em testes, pré-testes e pesquisas apenas para comprovar uma hipótese de um novo produto ou campanha. Já parou para pensar que o valor investido para evitar erros talvez seja o mesmo ou até menor do que o erro cometido? Mas quem tem coragem ou currículo para bancar? E os riscos com a imagem? Sem dúvidas não é um movimento fácil, mas não pode deixar de ser exercitado.

Minha mãe falava muito que é errando que se aprende. Confesso que gostaria de ter errado menos e ter aprendido mais em outras circunstâncias, mas a natureza humana é complexa. Essa aversão ao erro não nasce com a gente, mas desde pequenos somos punidos. Por isso que se deve mexer em time que está ganhando. A cegueira ou arrogância de quem está no topo ou na liderança por muito tempo pode ser mortal. Lembro-me também de Ayrton Senna. O tricampeão não gostava muito de ficar acima de três segundos à frente de seus adversários. Achava que a aparente calmaria poderia o fazer perder a concentração. E um dia isso aconteceu num grande prêmio de Mônaco. Desde então ele ficou muito mais atento. Esta é a nossa natureza. Menos riscos = a melhor resultado. Mas essa equação não vale mais.

Mudar este status quo - ou quase que a natureza humana - não é um desafio fácil. Pelo contrário. E as empresas são feitas de pessoas. Pessoas que são avessas às mudanças, que morrem de medo de correr riscos. Que jamais podem pensar em errar. Errar? Como? Colocar meu emprego a prêmio, minha empresa em risco? Sim e não. Antigamente arriscávamos muito mais no ambiente de negócios e não havia um terço das ferramentas existentes hoje que nos ajudam a ter uma clareza melhor do que fazer.

Contudo, o pior erro hoje é a inércia e a repetição. Você está parado ou fazendo mais do mesmo? 

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