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Especial Consumo Consciente: o Brasil à frente do desenvolvimento sustentável

Antonio Carlos Araújo, consultor da Trevisan Consultoria e ambientalista, comenta sobre o desenvolvimento sustentável no Brasil e como isso afeta as relações entre empresas e consumidores.

Por | 23/07/2008

pauta@mundodomarketing.com.br

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Especial Consumo Consciente: o Brasil à frente do desenvolvimento sustentável

Por Guilherme Neto
guilherme@mundodomarketing.com.br

A posição do Brasil como um dos países com maiores áreas verdes e o maior reservatório de água do mundo colocou o país desde cedo no centro das discussões quando o assunto é desenvolvimento sustentável. Não soa estranho, portanto, que o país tenha sido escolhido em 1992 como sede para a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, ou Eco Rio 92, como ficou conhecido o encontro realizado no Rio de Janeiro para discutir formas de conciliar o desenvolvimento econômico com a proteção do meio ambiente

Para Antonio Carlos Araújo, consultor da Trevisan Consultoria e ambientalista, esse foi o ponto de partida para a aceleração em pesquisas e desenvolvimentos de ações sustentáveis no meio corporativo. Em entrevista ao Mundo do Marketing, ele comenta sobre o desenvolvimento sustentável no Brasil e como isso afeta as relações entre empresas e consumidores.

Quando as empresas começaram a se preocupar com o desenvolvimento sustentável?
Essa preocupação com meio ambiente não é de já, mas muitas empresas ainda não tinham idéia do resultado econômico decorrente dos danos ambientais. Isso mudou, principalmente após o Eco Rio 92. Ao mesmo tempo, o mundo se movimentou e passou a fazer uma seleção natural de empresas e métodos sustentáveis. As marcas que começaram a praticar essas atitudes viram uma valorização de seus ativos e do reconhecimento por parte dos consumidores.

O que mais preocupa os executivos atualmente? São as mesmas preocupações discutidas na Eco Rio 92?
As preocupações se aperfeiçoaram. Há cada vez mais uma reivindicação "bucólica" por parte da sociedade, exigindo a diminuição da utilização de combustíveis fósseis e o uso de formas alternativas de produção menos prejudiciais ao meio ambiente. O conceito de sustentabilidade passou a ser articulado com o conceito de produção.

Por aqui, o Brasil já tinha uma liderança muito grande em relação à energia líquida com o álcool, mas outras formas alternativas de energia foram sendo desenvolvidas. Ganhou escala a produção de outros combustíveis, como o bicombustível.

Que medidas sustentáveis andam sendo mais realizadas?
Atualmente, no Brasil, vemos varias instituições e grupos corporativos preocupados com a neutralização de gases de efeito estufa ao meio ambiente nas produções. Elas passam a monitorar a emissão desses gases tóxicos para então realizar ações de compensação, como o reflorestamento. O Bradesco foi o primeiro grande banco a fazer isso, por exemplo.

Há ainda medidas para evitar desperdícios, como aposta em construções que aproveitem luz solar para iluminação, reutilização de água, tratamento de efluentes, substituições de papéis novos por papeis reciclados, entre outras medidas.

Pequenas e médias empresas também podem fazer sua parte?
Não só podem como devem. As grandes empresas, na hora de fazer o seu balanço de sustentabilidade, começam a se cercar de toda uma cadeia de fornecedores que se alinhem a seu posicionamento. Por isso, os pequenos fornecedores também devem se adequar para não perder espaço.

Tanto isso é verdade que o BNDES afirmou que o crédito de políticas ambientais está crescendo exponencialmente, principalmente por conta das pequenas e médias empresas, que já absorvem metade dos recursos desse plano de financiamento.

Isso é um indício de que a sustentabilidade também está tornando-se uma exigência nas relações B2B?
Cada vez mais. Um exemplo: aqui no Grupo Trevisan temos a Trevisan Editora Universitária. Quando fui fornecer ao Bradesco alguns livros encomendados por eles, precisei assinar um contrato e, nele, assegurava que as políticas empresariais da Trevisan estavam adequadas ao Código de Ética da Fundação Bradesco e do Banco Bradesco, o que inclui as práticas sócio-ambientais.

Os grandes bancos de países como Chile e Equador exigem um plano de sustentabilidade em casos de empréstimo a partir de um determinado valor. A partir daí, o banco pode tomar a decisão de fazer ou não o empréstimo.

A legislação brasileira também se move nessa questão?
Sim. Já existe uma legislação que institui um cronograma da colheita da cana de forma mecanizada, de forma a diminuir e até extinguir a queimada decorrente da extração. Existem várias outras iniciativas atuando em focos diferentes, fazendo com que a empresa tenha que se adequar. Se não tivesse essa pressão, talvez os problemas persistissem.

Recentemente, no início do ano, teve o B2, obrigando os postos de combustíveis a adicionarem 2% de biodiesel no diesel. Em 2010 devem ser 10%. Apenas em 2008, são quase 850 milhões de litros de biodiesel que terão que ser produzidos.

Como o consumidor participa do desenvolvimento sustentável?
Procurando empresas que se adeqüem a estes ideais mesmo que o consumidor não possa cuidar sozinho de uma atitude ambiental, ele pode cobrar do seu fornecedor que pratique isso. Hoje em dia, o consumidor se preocupa com a origem dos produtos que consome e procura selos que certifiquem as ações sustentáveis das empresas.  Essa preocupação por parte das empresas passa a ser um fator de decisão de compra importante. Na televisão, hoje em dia, há muitos filmes publicitários que falam sobre desenvolvimento sustentável porque os consumidores respondem a isso.
 
Como fazer esse pensamento repercutir em cada funcionário de uma empresa?
É algo difícil. A mudança de cultura leva tempo. Mas é possível realizar mudanças a curto-prazo, através de campanhas internas e ações simples, como o incentivo a seleção do lixo e o uso de papéis reciclados.
 
Como os executivos podem lidar com o fato de que essas ações podem encarecer o custo de um produto?
Não é encarecer em si, mas sim dar-lhe o valor real de custo. Esses custos adicionais deverão ser incorporados aos produtos. Mas as empresas estão começando a modificar e aperfeiçoar os seus processos produtivos, atingindo ganhos de produtividades.
 
Um lado bom disso é a otimização do uso de energia, sem prejudicar a capacidade de produção. Exemplos simples são a troca de lâmpadas quentes por lâmpadas frias ou a mudança de máquinas obsoletas que consumiam muita energia e produziam poucos por outras mais modernas e com melhor aproveitamento.
 
É preciso investir em tecnologia para ser ecologicamente sustentável?
Sem inovação tecnológica não existe desenvolvimento sustentável. Não tem como falar sobre isso sem desenvolvimento de tecnologia e de ações educacionais. Faz-se necessária uma integração entre o meio acadêmico e o meio corporativo, para poder colocar em prática recentes descobertas tecnológicas.
 
Como você compara a situação do Brasil com o resto do mundo?
Nos Estados Unidos, o Centro Médico John Hopkins, só ele, gasta mais de US$ 1,5 bilhão em pesquisas de desenvolvimento. Estima-se que as empresas americanas gastem 1,5% de sua receita em pesquisas desse tipo. No Brasil, ainda é menos que 0,5%. Isso é muito insuficiente.
 
Isso acontece porque o Brasil sempre viveu instabilidades financeiras freqüentes, o que deixava o  investimento em pesquisas de lado. Agora, com a estabilização da moeda, isso começou a mudar, inclusive por conta da competitividade mundial decorrente da globalização.

Os desastres ambientais, além dos prejuízos econômicos, são oportunidades de negócios?
Sim. Cada vez mais os fenômenos climáticos acarretam em catástrofes. Imagine o volume de recursos necessários para a recuperação não apenas de vidas humanas, mas em todas as esferas, como reconstrução de prédios, casas, pontes, estradas e áreas produtivas, por exemplo. É um problema social terrível, mas ao mesmo tempo é uma oportunidade de negócio para muitas empresas.
 
Que cenário você prevê para o Brasil nessa questão?
No médio e longo-prazo, haverá uma busca por energia líquida de forma a reduzir a emissão de CO2, principalmente através do desenvolvimento de plantas de etanol e biodiesel. Isso é ótimo para o Brasil, já que a extração de biodiesel pode ser feita a partir de plantas cultivadas no país.

Haverá, portanto, o desenvolvimento em tecnologia na busca de outras alternativas para extração desses combustíveis. Outra expectativa é no desenvolvimento tecnológico de engenharia para repotencialização de turbinas. Temos uma possibilidade de aumento de 20% de fornecimento de energia elétrica.
 
Na sua opinião, o Brasil assumirá um papel decisivo em desenvolvimento sustentável?
Ele já assume um papel decisivo. Já é muito importante, produzindo quase 45 bilhões de litros de etanol por ano, e caminha para a liderança mundial na oferta desses combustíveis e alimentos. Como revés, o Brasil receberá todo tipo de crítica e pressão por parte dos desenvolvimentistas.

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