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Os esforços da Visa para inovar em formatos de pagamento

Sem esquecer do tradicional cartão, companhia aposta em modelos disruptivos como pulseira, relógio, celular e em novas funções, como pagamento de passagens de meios de transporte

Por Roberta Moraes - 10/08/2016

Percival Jatobá, Vice-presidente de Produtos da Visa no BrasilPagamentos via celular, relógio, anel, pulseira, cartão multifuncional e um modelo gerenciado por aplicativos. Esses são os novos formatos de pagamento recentemente apresentados pela Visa, que podem dar à patrocinadora Mundial dos Jogos Olímpicos a medalha de ouro em inovação. Recentemente, a companhia apresentou ao mercado brasileiro seus novos modelos, que prometem transformar a relação do usuário com o plástico e também impactar no hábito de compra.

Mesmo sabendo que o tradicional cartão de plástico pode nunca chegar ao fim, a companhia concentra seus esforços no desenvolvimento de novas formas de pagamento para se consolidar como uma empresa de solução universal. Graças à tecnologia NFC (Near Field Comunication), que permite a troca de informações por aproximação, a marca disponibilizou uma pulseira para pagamentos em parceria com o Bradesco e o relógio Bellamy, desenvolvido com a Swatch. A bandeira também entrou na onda dos pagamentos móveis com o Samsung Pay, disponível para portadores de cartões da bandeira emitidos pelo Banco do Brasil, Porto Seguro, Santander e Brasil Pré-Pagos. Outra novidade apresentada pela empresa foi o cartão Visa Internacional Digio, totalmente administrado por aplicativo, que chega para concorrer diretamente com Nubank.

Além de facilitar a maneira como o consumidor carrega o seu cartão e realiza os pagamentos, a companhia amplia sua área de atuação com o RioCard Duo. Em parceria com a empresa de transportes do Rio de Janeiro e a Brasil Pré-Pagos, o modelo multifuncional permite o pagamento de compras e também no sistema de transporte público em dezenas de cidades do Estado. “Acreditamos que o modelo tradicional não acabará, entretanto, ele dará origem a uma série de outros formatos de pagamento, como o celular, a pulseira e o relógio. O nosso papel é oferecer soluções universais para que o nosso cliente tenha sempre a melhor experiência”, comenta Percival Jatobá, Vice-presidente de Produtos da Visa no Brasil, em entrevista ao Mundo do Marketing. Leia a entrevista completa com o executivo sobre os novos modelos de pagamento.

Mundo do Marketing - De que maneira os pagamentos móveis estão impactando o consumo?

Percival Jatobá – Estamos vivendo a desconstrução do plástico, que continuará existindo no modelo tradicional que conhecemos. Entretanto, ele dará origem a uma série de outros formatos de pagamento, como o celular, a pulseira e o relógio. No futuro, vamos perceber que novas gerações de consumidores, entrantes ou não, vão preferir pagar com esses novos modelos diferentes do cartão. O papel da Visa é estar presente em três grandes áreas: segurança, afinal as transações têm que ser extremamente seguras independentemente do tipo de pagamento, a universalidade, pois o consumidor quer a possibilidade de fazer seus pagamentos em compras no bairro em que mora ou no exterior, sendo uma solução de pagamento global. E ainda a interoperabilidade, que permite a compra e pagamentos de várias maneiras, como o RioCard Duo, que possibilidade de pagamento de compra em estabelecimentos físicos, online e ainda de passagens no sistema de transporte público do Rio de Janeiro.  

Mundo do Marketing – Os modelos diferenciados e mais modernos estão focados em que público? Seriam os Millennials, os jovens entusiastas da inovação, os principais usuários deste formato?

Percival Jatobá – Quando falamos de inovação naturalmente pensamos nos mais jovens, mas na prática os consumidores mais velhos acabam sendo os principais consumidores. As pesquisas apontam que os Millennials, e os mais jovens em geral, são mais afeitos a esse tipo de novidade. Entretanto, nem todas pessoas nesta faixa tem o poder de consumo para determinado momento. Por exemplo, talvez nem todo mundo possa comprar o relógio Swatch, mas dentro uma classe social mais consolidada há todo um interesse em consumir inovação. Desta maneira, o consumo vai permeando na alta renda e as pessoas da outra extremidade aos poucos vão utilizando o produto, na medida em que conseguem ter acesso a ele. No fundo, esses novos formatos são bastante democráticos.  

Mundo do Marketing – Os produtos foram lançados recentemente e ainda não fazem parte da realidade do brasileiro. A Visa acredita que no futuro os consumidores realmente utilizarão seus relógios, celulares, pulseiras e anéis para efetuarem pagamentos?

Percival Jatobá – Não tenho a menor dúvida que esses novos formatos entrarão na rotina do brasileiro de maneira natural. A pulseira, por exemplo, é um acessório bastante democrático por ser acessível e pode ser utilizada em diversos momentos da vida, como a ida à praia, na prática da atividade física, o que também pode ser feito com outros vestíveis. Acredito que muito em breve, teremos uma onda de pessoas comprando e os inserindo no dia a dia. Com base nos retornos que recebemos das redes sociais, a população já se mostra bastante interessada em ter esses novos modelos de pagamento.

Mundo do Marketing – Estamos passando por um momento de recessão na economia, que tem impactado o orçamento do brasileiro. O que a Visa tem feito para emitir mais cartões neste momento em que o consumidor está um pouco mais comedido?

Percival Jatobá – Todas as iniciativas de emissão de cartão são coordenadas com os nossos bancos parceiros. A Visa é líder de mercado no Brasil, na América Latina e no mundo graças a suas parcerias com os bancos, que são os protagonistas do processo. Temos uma série de mecanismos e promoção para fazer com que o banco emita mais cartão Visa. Naturalmente, o desempenho do varejo tem impacto direto, como o setor, de maneira geral caiu, significa que as pessoas estão comprando menos e isso impacta no faturamento. Apesar de muitas pessoas acharem que o cartão é o principal meio de pagamento, apenas 30% do que é consumido pela pessoa física é por meio de pagamento eletrônico. A maior parte é feita com dinheiro, cheque ou outros meios. Mesmo a nossa participação sendo minoritária, é óbvio que toda a indústria sentiu todo o peso da chamada crise.