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Entrevistas

As estratégias da Natura para se manter jovem

Empresa investe na diversificação de canais, explora o mundo digital e oferece novos pontos de contato para conquistar cada vez mais novos públicos e retomar o crescimento

Por | 02/06/2016

roberta.moraes@mundodomarketing.com.br

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Andrea Éboli, Diretora de Marketing da NaturaCom a maturidade dos 45 anos, a Natura entendeu que é preciso buscar o vigor da juventude para continuar se reinventando e inovando para conquistar cada vez mais as consumidoras e retomar o crescimento. Após anunciar prejuízo de R$ 69,7 milhões no primeiro trimestre de 2016, a empresa vem se esforçando para ser uma marca multicanal ao investir em novos pontos de contato para estar cada vez mais próximo do seu público.

Apostando na conveniência e experimentação, apenas no primeiro semestre desde ano a companhia inaugurou sua primeira loja física, estreando no varejo convencional, inseriu a linha Natura Sou em farmácias e iniciou a venda de produtos pelo Instagram. A estratégia faz parte do projeto de manter a marca rejuvenescida e atraente para o público mais jovem que não está adaptado ao consumo via consultoras por meio da venda direta. Com tanta concorrência, a empresa teve que buscar novos caminhos para se manter competitiva.

Uma das principais apostas da marca é a loja física, que em breve deve chegar em outras cidades. A empresa não abre números e não libera o balanço do primeiro mês de operação da unidade, mas afirma que está performando bem. "A loja está sendo um sucesso e tem ficado bastante movimentada. Percebemos que a experimentação está fazendo a diferença para o consumidor. A loja física tem com 40% dos produtos disponíveis no catálogo de venda e conta com uma dinâmica promocional completamente diferente, que segue a lógica do varejo", explica Andrea Éboli, Diretora de Marketing da Natura, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Leia a entrevista com a Diretora de Marketing da Natura, Andrea Éboli.

Mundo do Marketing - Por muitos anos, esperou-se a entrada de Natura no varejo tradicional e a companhia sempre disse que não entraria. No entanto, recentemente, a marca inaugurou uma loja em São Paulo. Quais foram os fatores preponderantes para a empresa muda de ideia?

Andrea Éboli - A Natura teve outras experiências anteriormente voltada para lojas-conceito para ficar mais próximo do consumidor e gerar uma experiência diferenciada. Neste momento, abrimos a nossa primeira loja com foco de negócio visando oferecer mais um canal de acesso. Esse é mais um ponto de contato para aproximar a marca de quem está distante da venda direta ou que vê no varejo uma opção de compra mais imediatista, como um presente de última hora, o que não dá para ser feito pela venda direta. Em geral, essa compra acontece em um shopping e a estávamos perdendo. No entanto, a loja chega para complementar os outros canais e cada um deles tem o seu papel.

Mundo do Marketing - A primeira loja acaba de concluir o primeiro mês de operação e mesmo não abrindo os números, a empresa afirma que o resultado está sendo positivo. Há a previsão da abertura de novas unidades?

Andrea Éboli - O plano de expansão está construído e já teremos a abertura de novas lojas ainda neste ano na cidade de São Paulo. Essas primeiras unidades serão próprias e neste momento estamos fechando contrato com os shoppings. Após essa fase inicial levaremos esse formato para os outros estados. O modelo de franquia está dentro do projeto, mas ainda não há data prevista para ser iniciado. Afinal, o negócio é novo e estamos aprendendo com ele.

Mundo do Marketing - A loja oferece todos os produtos do portfólio?

Andrea Éboli - Antes da abertura fizemos um business case para saber quais eram as categorias prioritárias para o varejo da Natura. Na loja oferecemos 40% dos produtos comercializado pela venda direta. Levamos as principais marcas como Chronos, Mamãe Bebe, Ekos, Tododia, as linhas de maquiagem Una e Aquarela e algumas marcas de perfume. Quem vai em busca de algum produto que não está na loja, recebe orientação das vendedoras sobre os outros canais. Cada espaço dentro da loja foi pensado exclusivamente para o tipo de produto. A maquiagem, por exemplo, que é uma categoria de compra por impulso, na hora que o consumidor entra na loja é possível experimentar cores e texturas, pois todos os itens estão disponíveis em uma enorme mesa.

Mundo do Marketing - Como garantir que um modelo não canibalize o outro?

Andrea Éboli - A dinâmica promocional é completamente diferente. O modelo de operação da venda direta conta com uma mobilização de ciclos a cada 20 dias, conta com promoções agressivas, focadas para consultoras e consumidoras. Para o varejo vamos seguir com uma outra estratégia, que será com menos promoção, estaremos mais focados em composição de presentes, de kits, focada no aumento do ticket médio. O consumidor que compra da venda direta, que aproveita as promoções de cada ciclo, não terá acesso a isso na loja. O que garante a competitividade de todos os canais.  

Mundo do Marketing - Venda direta, varejo, e-commerce, aplicativo, venda via Instagram. A Natura está buscando ser uma marca multicanal. Como a empresa está conseguindo segmentar cada canal? Como está as ações de Marketing para cada um deles?

Andrea Éboli - A construção da marca Natura é a mesma para todos os canais, entretanto temos estratégias específicas para cada um deles. O digital focamos no e-commerce, trazendo um contato mais online para as consultoras e fortalecendo a rede delas por meio de ferramentas digitais. No varejo trabalhamos com visual merchandising com as categorias que tem mais impacto, afinal, já descobrimos que nem sempre as categorias com maior impacto na venda direta terão o mesmo desempenho no varejo. Desenvolvemos uma série de estratégia para cada categoria dentro de cada canal. E isso também foi considerado quando optamos por oferecer a linha Sou em redes de farmácias.

Mundo do Marketing - O que a empresa está fazendo para garantir o contato com todos os públicos? Como está a relação da marca com as mulheres mais jovens?

Andrea Éboli - A Natura é uma marca muito democrática, presente em todas as classes sociais. Estamos focados em entregar valor para as classes A e B. Com o nosso novo canal buscamos essa elevação de posicionamento. Também temos presença em todas as faixas-etárias, inclusive no ano passado lançamos uma linha teenager que contou com uma forte ação nas redes sociais e foi um sucesso. Contamos com a blogueira Camila Coelho em todo o movimento de maquiagem para atrair os consumidores. A Natura é uma empresa de 45 anos e temos total interesse de estar mais perto dessa consumidora jovem e a loja contribuirá com isso.

Mundo do Marketing - O que a companhia tem feito para estreitar essa relação?

Andrea Éboli - Há três anos criamos o movimento Adoro Maquiagem e estamos trabalhando a questão do endosso, que para nós vem de todos os lados, tanto dos influenciadores, quanto do consumidor legítimo da marca. A nossa proposta com essa plataforma era trazer essa voz dos influenciadores e dos consumidores que endossam a nossa marca. Lá contamos com o Marcos Costa, nosso maquiador oficial, ensinando passo a passo por meio de vídeos. A ideia é ajudar e estar próximo do consumidor com conteúdo de qualidade.

Mundo do Marketing - Natura é reconhecida há muito tempo e continua investindo em sustentabilidade. Até que ponto esse ainda é um posicionamento que traz diferencial para a marca e não virou padrão?

Andrea Éboli - A sustentabilidade para a Natura não é uma estratégia de Marketing e sim um pilar da empresa. É um posicionamento e falamos sobre ele por meio dos nossos produtos, mas a sustentabilidade tem a ver com a nossa proposta de valor. A empresa nasceu assim e trata do assunto em toda a sua jornada. O que percebemos cada vez mais é que temos que continuar reforçando isso de maneira inovadora, trazendo valores atuais. A sustentabilidade inegociável na Natura, a ponto de tomarmos decisões internas mais custosas ou mais lentas em benefício dessa proposta de valor. Isso, por exemplo, foi momento no momento em que a loja estava sendo projetada, pois não dava para abrir um espaço que não carregasse esse conceito. O piso é feito de madeira de demolição, os painéis são projeções para evitar o uso de cartazes, as luzes são de led, para gerar economia. E aí nos vemos praticando essa sustentabilidade. Queremos trazer cada vez mais elementos para reforçar esse posicionamento. 

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