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Na era da mobilidade, marcas ainda estão engatinhando

Vinícius Pereira, Diretor da ESPM Media Lab, fala sobre a crescente procura de APPs por parte dos usuários e a ausência das empresas neste segmento

Por | 09/04/2014

rodrigo@mundodomarketing.com.br

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Digital,Aplicativo,Smartphone,TecnologiaInformações do transito, localizadores de lojas, receitas, dicas para ter um sono tranquilo e até vendas de apartamentos pelo celular. Cresce diariamente a oferta de aplicativos para usuários de smartphones. Cada qual em seu segmento, estas ferramentas aparecem como oportunidades para empresas estarem presentes na vida do consumidor cada vez mais conectado, estreitando o relacionamento, prestando serviço e coletando informações relevantes sobre hábitos e preferências.

Não estar inserido nesse universo pode, em alguns casos, ser prejudicial para as marcas. As pessoas estão cada vez mais conectadas e buscam por APPs de qualidade e, preferencialmente, gratuitos. No entanto, antes de desenvolver algo, os executivos devem estar antenados para as transformações constantes no comportamento dos consumidores, bem informados sobre tendências e conscientes de que as primeiras tentativas serão mais experiências do que uma busca imediata por resultados.

Apesar da crescente procura por ferramentas, as empresas não estão conscientes da forma como podem participar deste mercado. "A maioria das marcas não tem sequer um site no modelo mobile, quem dirá aplicativos. Grande parte delas desconhece o que pode ser feito dentro dessa área para potencializar os seus negócios ou, ao menos, para ter um canal mais efetivo com o público", afirma Vinícius Pereira, Diretor da ESPM Media Lab, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Mundo do Marketing: Quais são as principais características que um bom aplicativo deve ter?

Vinícius Pereira:
Acredito que são três principais características de um bom aplicativo. A primeira delas é ter uma excelente interface. Isso não significa um sistema de informações muito complicado, e sim, pelo contrário, uma interface limpa, que seja claramente informativa e intuitiva para o tipo de produto que você vai fazer. Outra ferramenta necessária é que ele tenha sido extremamente testado, evitando o risco de bugs ou qualquer tipo de demora para que o APP seja operado.

O terceiro aspecto que também precisa ser levado em conta é a possibilidade de se aprender com o uso que o seu público faz da ferramenta. É muito importante que o aplicativo tenha espaço para envio de sugestão por parte do usuário e que gere um relatório com as ferramentas, funções e áreas mais acessadas, para que você possa compreender quais são as ofertas que estão sendo mais procuradas e efetivas. Respeitando esses três cuidados você pode ter um bom aplicativo.

Mundo do Marketing: Você acredita que os aplicativos gratuitos são mais populares que os pagos ou que isso depende do serviço prestado e da necessidade de cada usuário?

Vinícius Pereira:
A gratuidade é um apelo importante, mas não adianta ele não ter custo se alguns dos elementos citados anteriormente não forem respeitados. Você não conhece o aplicativo e algum amigo o sugere. Surge o interesse no uso, mas, por ter custo para fazer o download, o usuário pode acabar deixando de lado, pois gostaria inicialmente apenas de experimentar e testar a sua funcionalidade. Os APPs que possuem custo devem deixar claro qual serviço prestam ou se passaram a cobrar após realizarem um upgrade na ferramenta. A questão de ter ou não um preço não é tão decisivo para a popularidade do aplicativo. Sua função e os seus aspectos técnicos são mais importantes que isso.

Mundo do Marketing: De que forma estes aplicativos podem se rentabilizar?

Vinícius Pereira:
São muitos os caminhos. Depende do serviço ofertado. Uma opção é ser um aplicativo financiado, como, por exemplo, os que oferecem informações e serviços de utilidade pública. Eles se rentabilizam por meio de uma empresa que ajuda nos custos. Existe também o que é encomendado, onde as próprias marcas fornecem ao público um serviço através do APP. Neste modelo, a ferramenta pode ser cobrada pelos acessos ou pela contratação do serviço prestado.

Isso tudo precisa ser estudado, para se avaliar qual modelo de negócio o executivo deseja. Se você está usando o aplicativo para divulgar os seus produtos e serviços, ele terá ganhos indiretos e não rentáveis. Agora, se você desenvolve uma plataforma em forma de um jogo, e quer que ele gere lucros, é preciso estudar se o modelo de negócio é viável.

Mundo do Marketing: As empresas estão preparadas para atuar neste mercado?

Vinícius Pereira:
Infelizmente as empresas não estão preparadas. A maioria não tem sequer um site no modelo mobile, que dirá aplicativos. Posso afirmar certamente que a era da mobilidade no Brasil ainda está engatinhando. Dentro deste cenário, que eu chamo de cultura dos aplicativos, as marcas ainda não estão nem de pé. Estão engatinhando. Grande parte desconhece o que pode ser feito dentro dessa área para potenciar os negócios ou, ao menos, para ter um canal mais efetivo com o seu público.

Mundo do Marketing: O fenômeno das startups no Brasil não pode revelar uma bolha? Afinal, há tantos investimentos e poucas são as companhias que mostram algum retorno financeiro.

Vinícius Pereira:
Não acredito em bolha. O mercado de startups acaba tirando de cena as próprias empresas, que não são competentes na área. Destacam-se os que se sobressaem. O desenvolvimento de aplicativo hoje se torna quase uma atividade de fundo de quintal, em que muitos garotos conseguem criar. Não demanda tanto investimento. Muitos serviços são criados, colocam na store e deixam rolar, deixam passar o tempo. Vão observando se o serviço vai se tornar algo rentável ou não. A própria Apple, por exemplo, já tem um controle de qualidade. No programa existe um conjunto de pré-requisitos para se distribuir ou comercializar o APP.

Mundo do Marketing: Como as empresas podem aproveitar para se inserirem nessas iniciativas?
Vinícius Pereira:
Primeiramente, conhecendo o universo e, em seguida, analisando o que podem oferecer e como se beneficiar. Certamente qualquer negócio pode ter ganho com o serviço, pois o aplicativo é uma forma de você estar presente junto a um público, em um momento em que o usuário está em movimento, sem oportunidade de entrar no PC para realizar uma pesquisa. Para isso, um site, apenas no formato mobile, já resolveria. No entanto, o APP é muito mais do que isso. Ele é uma oportunidade para a empresa segmentar serviços, produtos e a comunicação com o público. Se souber usar, é uma ferramenta enorme para as empresas.

Mundo do Marketing: Os consumidores estão continuamente em busca de novos aplicativos. Como retê-los por muito tempo?

Vinícius Pereira:
Uma maneira de prender o usuário é oferecer novas funcionalidades. Como, por exemplo, o aplicativo que é utilizado para chamar táxi. Atualmente o serviço conta também com notícias de última hora, ofertas de produtos locais naquela região e anúncios de outras empresas.

Mundo do Marketing: Que conselhos você daria para quem está criando um aplicativo?

Vinícius Pereira: É preciso ter certeza de que a ferramenta oferece informações ou serviços de interesse de muitas pessoas, de um público. Outro detalhe importante são os aspectos técnicos. É preciso saber construir uma interface funcional, limpa e informativa. Também é importante verificar se este aplicativo roda bem dentro da rede de mobilidade precária que temos no Brasil. Ele está aberto a aprimoramento a partir das informações que você coleta dos usuários?

Por último, mas não menos importante, é ter conhecimento do modelo de negócio que você quer com este APP. Ele será cobrado? Tem como objetivo ser um negócio rentável? Como você pretende fazer dinheiro? Existe um planejamento adequado? Ou seja, você precisa ter noções mínimas de gestão, como qualquer outro negócio, para saber se seu aplicativo tem espaço no mercado. 

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