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?Há mais dinheiro disponível que bons projetos no digital?

Vice-Presidente de Novos Negócios do Buscapé afirma que embora investidores e fundos estejam mais rigorosos, o gargalo está na ausência de planos de negócios bem estruturados

Por | 17/06/2013

bruno.garcia@mundodomarketing.com.br

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comércio eletrônico,buscapé,oportunidades,web,desafios,e-commerce,O e-commerce brasileiro está se tornando mais maduro, o que impacta também na atuação de investidores e fundos de capital. Mas apesar do cenário aparentemente estar mais difícil, ainda há muito dinheiro e grupos dispostos a apostar no país. O que falta são projetos estruturados e com planos de negócios bem feitos. O Buscapé Company é um dos grupos que vem investindo pesado na aquisição de negócios e plataformas inovadoras com o objetivo de criar um ecossistema completo para os varejistas eletrônicos nacionais.

Na visão de Guga Stocco, Vice-Presidente de Novos Negócios da companhia, o mercado amadureceu sim, mas nem por isso se tornou menos atraente. Tanto que nos últimos anos, o Buscapé adquiriu mais de 30 empresas web, trabalhando agora para integrar todas elas em um ambiente único. Além disso, o grupo ampliou os investimentos em mobile desde 2012, apostando que o uso de dispositivos móveis para transações digitais terá o seu grande salto nos próximos anos.

E o cenário não é positivo apenas para os grandes. Pequenos e médios empreendedores ainda têm oportunidades para garantir o seu espaço no comércio eletrônico nacional. "Existem e-commerces de nicho que estão faturando alto. A base de usuários já é grande o suficiente para que estes negócios segmentados tenham um retorno financeiro interessante. Sem falar de categorias que ainda não estão consolidadas na web", analisa Guga Stocco, Vice-Presidente de Novos Negócios do Buscapé. Veja a entrevista:

Mundo do Marketing: Qual o panorama do comércio eletrônico brasileiro hoje?
Guga Stocco:
São dois pontos importantes: a expectativa de vendas só do Dia dos Namorados bateu em R$ 1 bilhão. Logo, é um mercado capaz de gerar grandes faturamentos, o que atrai empresas também grandes. Em 2011, foram R$ 18 bi, em 2012, R$ 22 bi. Para este ano estão previstos R$ 27 bi e em 2014, a previsão é de R$ 32 bilhões. A perspectiva é que estes números cresçam cerca de 17% ao mês. Para uma empresa captar estas vendas, ela precisa de uma estrutura muito boa. Ter um armazém, logística, capital de giro, além de fazer um investimento em Marketing que não é pequeno, fora profissionais qualificados, que ainda são difíceis de encontrar. Isso tudo gera resultado, mas exige investimentos grandes. Por outro lado, temos os nichos crescendo muito. Estes novos entrantes acabam tendo uma excelente opotunidade, pois nestes segmentos a necessidade de investimento é menor. Seobservarmos as maiores lojas, percebemos 10 empresas que controlam grande parte do faturamento, mas existem e-commerces de nicho que estão faturando alto. A base de usuários já é grande o suficiente para que estes negócios tenham um retorno financeiro interessante. Sem falar em categorias que ainda não estão consolidadas na web.

Mundo do Marketing: Então o caminho para os pequenos e médios é explorar estes nichos?
Guga Stocco:
Sem dúvida. Quando um grande player entra para comprar uma palavra chave, câmera digital, por exemplo, ele tem uma vantagem. Por outro lado, um e-commerce de nicho especilizado em câmeras digitais pode oferecer ao consumidor um preço melhor que o do grande varejista ou um serviço diferenciado. Ele pode vender o produto e agregar outros serviços que vão interessar o público de nicho. Esta pequena loja consegue competir com o grande na especialidade dela.

Mundo do Marketing: Falando sobre a dificuldade de encontrar profissionais qualificados, este ainda é um gargalo? O Buscapé tem muita dificuldade em contratar?
Guga Stocco:
Aqui no Buscapé treinamos muito a equipe. É dificíl encontrar pessoas já qualificadas no mercado. Encontrar alguém que já tenha todo este conhecimento é complicado, pois estes profissionais possuem um preço alto, o que pode inviabilizar uma pequena operação, dependendo da quantidade de pessoas necessária. É mais interessante treinar. Este é um gargalo sim para o crescimento.

Mundo do Marketing: Sobre investimentos, diz-se que os investidores estão mais rigorosos e o frenesi que existia há alguns anos esfriou. Você também percebe este movimento?
Guga Stocco
: Percebemos que há muito dinheiro e muito investidor disposto a colocar recursos, mas o que falta verdadeiramente são os projetos. A demanda não é por dinheiro e sim por bons planos de negócio. De fato pode ter reduzido este frenesi, mas o gargalo está na ausência de bons empreendimentos para receber estes recursos. Tem muito dinheiro disponível no mercado, mas faltam pessoas preparadas para gerar bons planos de negócios. Diria que hoje, quem possui um bom projeto não vai encontrar dificuldades para conseguir um investidor. Já faz algum tempo que os investidores estão mais rigorosos, mas não é esse o problema. Se o projeto for bom, existem muitos investidores e fundos bastante agressivos e dispostos a correr o risco. Mesmo com algumas dificuldades, este mercado continua muito aquecido.

Mundo do Marketing: Vocês estão criando um grande ecossistema para o e-commerce, oferecendo aos lojistas soluções completas. Qual a expectativa em relação a toda esta estrutura que o Buscapé está montando?
Guga Stocco:
O modelo de negócios do Buscapé foi criado com o tempo, entendendo o que funciona e o que não funciona. Durante este processo, uma das coisas que aprendemos é sobre a importância de manter os empreendedores junto com os executivos. Isso faz parte da nossa cultura e em todas as aquisições que fizemos, mantivemos os empreendedores dentro do Buscapé. Além disso, criamos um framework estratégico para montar um ecossistema de empresas que atendem ao e-commerce do início ao fim. Isso significa que temos soluções desde o momento do interesse do cliente por um produto até o momento da revenda. O primeiro passo foi voltado para a aquisição das empresas. Agora o nosso desafio é integrar todas estas ferramentas.

Quando adquirimos uma nova empresa, a chance dela prosperar se torna muito maior, pois  passa a ter acesso a toda a experiência de grupo, ao know how, aos clientes, estrutura etc. Logo, estes negócios podem ser mais agressivos. Uma das empresas que adquirimos, a Navegue, tinha cerca de 1 milhão de pessoas trackeadas em seu sistema antes de entrar para o grupo. Do dia para a noite, ela passou a ter 80 milhões. Graças à robustez do grupo, conseguimos fazer com que estas empresas cresçam rapidamente. O Buscapé se torna muito mais interessante para ela do que qualquer fundo de investimento. Este modelo de aquisição é o grande diferencial do Buscapé e um dos elementos responsável pelo nosso sucesso.

Mundo do Marketing: Na sua opinão, qual será o grande salto do e-commerce no Brasil?
Guga Stocco:
No nosso caso, boa parte dos investimentos está direcionada para o mobile. Desde o ano passado estamos investindo nessa área. Entendemos que este canal será um dos fatores determinantes para o sucesso no comércio eletrônico dentro de dois anos. Na Coreia do Sul, o faturamento do mobile commerce já é maior que o do comércio eletrônico convencional. Na Inglaterra, ele já corresponde a 25%. No Brasil ainda teremos um crescimento muito acelerado: a base de smartphones está crescendo. Por outro lado, as empresas estão investindo mais neste ambiente. E a comodidade é outro ponto determinante. Hoje apenas 1% das compras feitas pelos brasileiros são online. O restante é offline. O único dispositivo que está conosco 100% do tempo é o smartphone. Não tem como o mobile não ser a bola da vez. Mais de 15% do acesso do Buscapé já vem do mobile. Isso ainda é baixo se comparado a outros países, mas ele cresce mês a mês.

Mundo do Marketing: Qual é o caminho para criar experiências diferenciadas e fugir um pouco da briga por preço?
Guga Stocco:
Acredito que a disputa por preço é um momento pontual do desenvolvimento do nosso e-commerce: estão investindo muito, priorizando faturamento e disputando por preço. Por outro lado, passando esta fase, o preço ainda será uma estratégia interessante, mas teremos diversas formas de comércio eletrônico que vão se formar e que terão diferentes apelos. Serão aspectos ligados ao social commerce, o showrooming, a fidelidade com cupons descontos, algo que ainda está muito incipiente no Brasil. Não há razão para um consumidor se tornar fiel a uma loja se não existem benefícios. Aqui no Buscapé temos uma ferramenta neste sentido, que é o clube de cash. Conforme o cliente compra, ele recebe algo de volta em sua carteira, o chamado cash back. A adesão a este tipo de ferramenta é altíssima. O social também vai ajudar nesta parte de fidelização e será outro diferencial no futuro. Sem falar que através do uso de sensores, presentes nos próprios telefones ou em outros aparelhos como o Kinect, teremos uma verdadeira revolução na experiência de compra virtual. Neste primeiro momento, social commerce, mobile commerce e fidelização farão a diferença para as empresas que atuam neste setor. Mas isso é apenas o começo.

Leia também no Especial E-commerce: Comércio eletrônico brasileiro não é mais para amadores. Acesse aqui.

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