92% das pessoas deixariam de comprar por causa de propaganda enganosa | Mundo do Marketing

Publicidade

Patrocínio

Publicidade
Publicidade Publicidade
Mundo do Marketing Inteligência

Entrevistas

92% das pessoas deixariam de comprar por causa de propaganda enganosa

Pesquisa do Instituto Akatu mostra que consumo consciente faz parte da rotina de 27% da população brasileira. Sustentabilidade é uma questão relevante

Por | 11/06/2013

anapaula@mundodomarketing.com.br

Compartilhe

sustentabilidade,consumo consciente,saúde,bem estarA sustentabilidade tornou-se um tema estratégico para as empresas e tem sido cada vez mais relevante para os consumidores. Mas as companhias precisam ir além do discurso e mostrar atitudes concretas. A pesquisa "Rumo à Sociedade do Bem-Estar", do Instituto Akatu, mostra que 49% dos brasileiros não acreditam no que as empresas dizem e que 92% deixariam de comprar um produto se descobrissem que a marca faz propaganda enganosa.

Além disso, o estudo aponta que o número de brasileiros conscientes e engajados, ou seja, que pratica ações em prol da sociedade e da natureza - como evitar o desperdício-, corresponde atualmente a 27% da população. Apesar de o Brasil ainda não ter um consumo consciente tão difundido quanto em outros países, os dados assinalam que o número de pessoas que ouviram falar sobre sustentabilidade aumentou de 44% em 2010 para 60% em 2012. Além disso, a sociedade está mais preocupada com saúde e bem estar. Ambas as questões foram citadas por 2/3 dos entrevistados quando perguntados sobre o que era felicidade para eles, superando menções ao dinheiro e à realização profissional ou acadêmica.

Todos esses pontos demonstram que a maneira como os consumidores enxergam produtos, serviços e marcas está mudando e que as companhias precisam ter ações concretas nesse sentido. "O discurso vazio de algumas companhias prejudica outras que estão fazendo algo porque faz o tema parecer banal para o público", avalia Dalberto Adulis, Gerente de Conteúdos e Metodologia do Instituto Akatu, em entrevista ao Mundo do Marketing. Veja abaixo:

Mundo do Marketing: A pesquisa do Instituto Akatu constatou que saúde e bem estar estão entre as principais questões que as pessoas consideram importantes, mais até que dinheiro. O que isso representa na relação que estabelecem com os produtos de consumo?
Dalberto Adulis:
Existe uma tendência de preocupação com a saúde e o bem estar que ficou evidente na última pesquisa que fizemos. A saúde apareceu como o principal item de atenção das pessoas. Quando perguntamos o que é felicidade para elas, 2/3 dos entrevistados citaram saúde, saúde dos familiares e ter condição de viver bem. Isso impacta a maneira como escolhem os produtos que consomem e as empresas sabem disso.

O problema é que existem produtos que vendem saúde sem que o atributo esteja de fato presente. Por isso é muito importante o consumidor buscar informações e ter elementos para fazer um julgamento adequado. Às vezes a embalagem diz que o conteúdo tem menos sódio, mas não explica quanto tinha antes e quanto passou a ter e nem se o valor está dentro dos parâmetros ou quantidade ideais para a saúde do consumidor. 

Mundo do Marketing: Mas os consumidores percebem quando uma empresa está ou não sendo objetiva e transparente?
Dalberto Adulis:
Os consumidores estão mais desconfiados e as marcas têm que demonstrar fatos que comprovem o que dizem, dando elementos objetivos. Senão o argumento fica vazio e em algum momento isso se torna perceptivel. O estudo que elaboramos aponta que a desconfiança dos consumidores em relação às marcas aumentou muito: 92% das pessoas deixariam de comprar um produto se descobrissem que a empresa faz propaganda enganosa.

A análise constatou também que 49% das pessoas não acreditam na comunicação realizada pelas empresas, 12% acreditam dependendo de onde viram a propaganda, enquanto outros 28% acreditam dependendo da empresa anunciante. Outos 8% falaram que acreditam. Se compararmos com a mesma pesquisa de 2010 vemos que antes 44% não acreditavam no que as companhias divulgavam, ou seja, um aumento de 5%. Isso está ligado a um marketing excessivo descolado dos atributos reais da empresa e dos produtos.

sustentabilidade,consumo consciente,saúde,bem estarMundo do Marketing: O consumo consciente está mais forte na sociedade?
Dalberto Adulis:
Hoje, segundo nossas análises, temos 5% de pessoas realmente conscientes e 22% de pessoas engajadas, o que representa ¼ da população brasileira com comportamentos de economia de água, buscando produtos mais sustentáveis e tendo outras atitudes similares. Acho que atualmente uma boa parte da sociedade pensa se realmente precisa de um determinado objeto e se o consumo pelo consumo faz sentido.

Os resultados da pesquisa mostram que as pessoas estão mais inclinadas a buscar benefícios no produto do que consumir o recurso natural. A maioria, por exemplo, diz que prefere ter água abundante e limpa do que poder consumí-la a vontade. No caso dos alimentos, escolheram mais a opção de usufruir de alimentos saudáveis e frescos do que práticos. Então o estudo dá uma indicação de que, mesmo que o número de consumidores considerados conscientes sendo pequeno, na média da população brasileira, as pessoas estão buscando e abraçando a ideia de algo mais sustentável, durável e que dê qualidade de vida.

A conscientização é um processo educativo permanente, que necessita do envolvimento do governo e de várias organizações. Hoje a preocupação com a fabricação dos produtos e o seu descarte não é uma questão de ambientalistas ou militantes. É uma questão essencial para uma sociedade e um mundo que terão mais habitantes do que a terra pode comportar em termos de recursos.

Mundo do Marketing: As marcas que não oferecem benefícios claros e não estão muito engajadas na questão da sustentabilidade estão perdendo clientes de forma significativa ou ainda é um movimento discreto?
Dalberto Adulis:
Acho que no exterior isso é mais forte, mas no Brasil já estão perdendo também. Acredito que as outras que estão fazendo ações sustentáveis estão ganhando mais. É, sem dúvida, uma questão de sobrevivência para as empresas. A maioria tem essa percepção de que o processo de conscientização tende a crescer e que elas precisam reduzir suas emissões de carbono, entre outras ações, para poder ter espaço em um futuro breve, não daqui a 20 anos.

Mundo do Marketing: Todas as companhias querem se aproveitar disso e mostrar que estão preocupadas com o impacto na natureza, mas não são todas que vão muito além do discurso.
Dalberto Adulis:
A sustentabilidade é um diferencial competitivo, mas não quando é apenas propaganda. Hoje a ideia de sustentabilidade está um pouco desgastada. A própria pesquisa indica que os consumidores já ouviram falar bem mais sobre o assunto que há dois anos atrás, devido, por exemplo a Rio +20. Em 2010, 44% dos entrevistados tinham ouvido falar de sustentabilidade e em 2012 a porcentagem pulou para 60%. Mas isso não significa que tenham uma compreensão correta do termo.

Uma parcela de 25% não tem entendimento sobre o que é ou tem uma compreensão equivocada sobre o assunto.
Pelo fato de muitas empresas falarem sem que haja ações consistentes, há um esvaziamento da palavra. Isso é ruim para quem está fazendo algo porque as companhias envolvidas querem comunicar isso ao consumidor, mas enfrentam dificuldades. Esse é um desafio: como comunicar adequadamente aos públicos e fazê-los valorizar a sustentabilidade como um atributo de marca.

Mundo do Marketing: Como é possível fazer isso?
Dalberto Adulis:
As empresas têm buscado trabalhar a questão da sustentabilidade e do Marketing de forma integrada, o que é muito importante já que a àrea de Marketing nem sempre conhece bem o assunto. Para ser um atributo significativo, ele precisa ser bem trabalhado.

Comentários


Inteligência Inteligência

Publicidade

Voltar ao Topo

Copyright © 2006-2019.

Todos os direitos reservados.

Assine o Mundo do Marketing Inteligência

Copyright © 2006-2019. Todos os direitos reservados. Todo o conteúdo veiculado é de propriedade do portal www.mundodomarketing.com.br. É vetada a sua reprodução, total ou parcial sem a expressa autorização da administradora do portal.

Auditado por: Metricas Boss