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E-commerce cresce 511% em 7 anos e chegará a R$ 45 bi em quatro anos

Comércio eletrônico no Brasil anos e conta com 20 mil lojas legalizadas e cerca de 15 mil que atuam na informalidade. Pedro Guasti, VP do grupo Buscapé faz um apanhado do segmento

Por | 08/03/2013

pauta@mundodomarketing.com.br

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O e-commerce continua em franca expansão e projeta faturamento de R$ 45 bilhões em 2016, após ter registrado crescimento de 511% nos últimos sete anos. Em 2012, as vendas realizadas na internet somaram R$ 22,5 bilhões, que representa o aumento de R$ 18,1 bilhões em comparação aos R$ 4,4 bilhões contabilizados em 2006. Com o crescimento, o setor amplia seu alcance e reúne 42 milhões de shoppers, parcela que representa mais da metade da média de 80 milhões de internautas com mais de 18 anos. O faturamento também aumentou apoiado pela expansão da oferta de produtos e empresas no segmento, mas foi pulverizado com o barateamento das plataformas que permitiram a entrada de pequenos empreendedores.

As empresas de menor porte encontram suporte para se desenvolver na internet, o que torna o meio um ambiente propício por permitir que marcas pequenas disponham dos mesmos mecanismos de divulgação, pagamento e pesquisa utilizados pelas grandes companhias, viabilizando a competição de forma mais igualitária do que em lojas físicas. Estima-se que existam atualmente na web 20 mil lojas legalizadas além de cerca de 15 mil que atuam informalmente. Outro fator que também cooperou para a diversificação da oferta de produtos e empresas no comércio online foi o surgimento dos clubes de compras coletivas que se tornaram moda nos últimos três anos.

Entre os desafios para os próximos anos está conquistar dois perfis de compradores: os jovens, que ainda não estão no mercado de trabalho e costumam fazer suas compras em lojas físicas, e os usuários com idade acima de 50 anos. Outro objetivo é desenvolver formas de atendimento diferenciadas. "As empresas precisam utilizar multicanais se quiserem aumentar a conversão. Os tablets e smartphones tendem a baratear. Mais pessoas vão utilizar estes aparelhos para fazer pagamentos, pesquisar informações sobre os produtos e comparar os preços dos comércios físico e online. Comportamento que desafia as marcas a atenderem o cliente em várias esferas, caso contrário, ele comprará na concorrência", analisa Pedro Guasti, Vice Presidente do Grupo Buscapé e Diretor Geral da e-bit, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Mundo do Marketing - Quais as principais transformações que o e-commerce passou nos últimos sete anos? E qual o panorama para os próximos sete anos?
Pedro Guasti -
O mercado teve uma explosão de vendas e de número de consumidores. Atualmente, são mais de 40 milhões de compradores. O crescimento veio junto com a entrada de novos players: os grandes varejistas também ingressaram no e-commerce, como as Casas Bahia e do Walmart. O surgimento de empresas como Dafiti e o fortalecimento da Netshoes também foram importantes para o crescimento de categorias. Outro fenômeno foi o surgimento das compras coletivas nos últimos três anos.

A confiança do consumidor nas compras online se consolidou, em grande parte impulsionada pelo aumento de infraestrutura e tecnologia. Agora são mais plataformas de e-commerce a um preço acessível, com serviços de meio de pagamento trazendo confiança para o cliente, como o PayPal, que permite o cancelamento da fatura caso haja algum problema. Esses sistemas foram democratizados, permitindo que um pequeno varejista tenha acesso à mídia online e possa competir com uma grande marca.

Mundo do Marketing - Quais categorias lideram o ranking como as mais vendidas atualmente e o que mudou na preferência de itens nos últimos sete anos?
Pedro Guasti -
Até 2006, a liderança de vendas era dos livros, CDs e DVDs. Nos últimos anos, os eletrodomésticos assumiram a primeira posição e as categorias de moda e acessórios que eram pouco expressivas e apareciam abaixo da vigésima quinta colocação, subiram para a segunda, podendo chegar ao primeiro em datas comemorativas como Dia das Mães e Dia dos Namorados. 

Mundo do Marketing - De sete anos para cá o mercado mudou totalmente, inclusive em termos de ofertas. Antes, tínhamos os grandes players e atualmente o mercado está mais pulverizado.  O que mudou?
Pedro Guasti -
O mercado em 2013 está muito mais pulverizado. Estima-se que no Brasil existam cerca de 20 mil lojas online legalizadas, além de outras 15 mil que atuam informalmente, como por exemplo, vendedores que dispõe produtos no Mercado Livre. Em 2006, quando houve o surgimento da B2W com a fusão do Submarino com a Americanas.com, o grupo era responsável por metade do mercado. Agora, empresas pequenas que não integram o grupo das 100 maiores do mundo comandam 20% do mercado.

Mundo do Marketing - Antigamente para vender online era difícil porque as empresas tinham uma base menor e menos opções de mecanismos digitais. Mas hoje a disputa é bem maior com o aumento de lojas. Como lidar com a concorrência no e-commerce atualmente?
Pedro Guasti -
Apesar dos novos mecanismos que surgiram para facilitar as vendas, o novo desafio para a conversão é a concorrência. Não adianta apenas montar uma loja online. A diferença da loja física para a virtual é que o ponto de venda tradicional é como se fosse uma rede esperando o peixe passar. Na loja online a metáfora é da caça: tem que ir atrás e fazer barulho. As redes sociais são uma importante ferramenta para trabalhar a marca e a credibilidade. O mercado busca entender como atrair audiência para aumentar a credibilidade e o engajamento dos consumidores e assim converter.

Mundo do Marketing - O social commerce, muito falado nos últimos três anos, ainda não apareceu no Brasil, o que esperar?
Pedro Guasti -
Não apareceu no Brasil e nem mesmo nos Estados Unidos. As redes sociais são muito mais utilizadas para relacionamento com os clientes, levando a curtir os produtos, construir marca e fazer promoções, além de serem também um canal de atendimento. Muitas empresas estão montando suas páginas institucionais dentro do Facebook, em lugar de um site próprio.

Mundo do Marketing - O e-consumidor ficou diferente, no início do e-commerce se falava de classes A e B, com determinado tipo de compra. Atualmente as compras na internet se abriram para todos e aumentou até o número de compras por impulso. Qual o perfil do novo consumidor na internet?
Pedro Guasti -
Nos últimos sete anos, o Brasil passou por uma forte entrada da classe C no consumo de itens online. Esses consumidores foram fortalecidos pelos planos do governo de inclusão social que viabilizaram a compra do primeiro computador e o acesso à banda larga. Metade dos consumidores virtuais hoje pertence à nova classe média, considerando renda familiar com média de R$ 3.000,00 por mês. O público está mais exigente em função da experiência que adquiriu, usa sites especializados e as redes socais para reclamar, busca informações sobre o produto e consulta preços.

Mundo do Marketing - As empresas de e-commerce se aperfeiçoaram em plataformas nos últimos anos, temos lojas no Brasil utilizando sistemas da Best Buy da Amazon. O que mudou na estrutura das lojas virtuais?
Pedro Guasti -
As inovações nos últimos anos foram plataformas focadas em soluções de comportamento do consumidor que possibilitam traçar o seu perfil e ofertar produtos que sejam pertinentes à conveniência dele. Essa tendência tem o objetivo de levar para o e-commerce a compra por impulso.  No início, era muito mais difícil montar uma loja virtual. Atualmente existem sites que oferecem montagem em 30 minutos e com baixo custo. Mas para de fato funcionar, não basta ter uma loja tecnicamente montada e com meio de pagamento ativo: é preciso trabalhar os conceitos de Marketing e investir em ferramentas de divulgação.

Mundo do Marketing - Nos próximos anos, existe mais espaço para novos fenômenos de mercado no e-commerce como Dafiti e Netshoes?
Pedro Guasti -
A Dafiti e a Netshoes que surgiram há poucos anos investiram forte em Marketing para agora ganharem mercado. Acredito que vamos viver uma segmentação maior. Com isso, novas empresas vão se tornar líderes em categorias verticais, proporcionando uma especialização maior.

Mundo do Marketing - A Amazon pode mudar o jogo? Existem rumores da compra de uma grande empresa no Brasil?
Pedro Guasti -
Pelo porte e pontencial financeiro da empresa, existe possibilidade sim, inclusive de comprar uma companhia já posicionada no mercado. Mas as dificuldades de se operar no Brasil são infinitamente maiores do que nos Estados Unidos.  Apesar de termos uma escala relativamente grande de faturamento, isso ainda não representa sequer 10% do volume norte americano. O sucesso do e-commerce é uma escalada e conseguir isso com a infraestrutura e o ambiente de negócios atual, além da guerra fiscal entre estados para aumentar o ICMS e as imposições governamentais, é um grande desafio. Acaba parecendo que o país está brigando consigo mesmo. 

Mundo do Marketing - O e-commerce é muito mais que apenas montar loja, envolve logística, pesquisa e inovação. Quais os desafios para o e-commerce nos próximos anos?
Pedro Guasti-
As empresas precisam utilizar multicanais se quiserem aumentar a conversão. Os tablets e smartphones tendem a baratear. Mais pessoas vão utilizar estes aparelhos para fazer pagamentos, pesquisar informações sobre os produtos e comparar os preços dos comércios físico e online. Comportamento que desafia as marcas a atenderem o cliente em várias esferas, caso contrário, ele comprará na concorrência. Quando se tem a tecnologia como commodity, o que diferencia é o tratamento, o atendimento diferenciado e a facilidade na entrega.

Outro desafio importante é ampliar o alcance das compras no e-commerce para novos públicos: os jovens que ainda não estão no mercado de trabalho e a terceira idade que teoricamente dispõe de mais tempo e dinheiro livres. Para atender os internautas com mais de 50 anos, as empresas devem investir no sortimento de produtos para as demandas desses consumidores.

Mundo do Marketing - Quais as maiores barreiras que os e-commerce pré-estabelecidos devem enfrentar nos próximos anos e que quem vai entrar deve estar atento?
Pedro Guasti -
A primeira dificuldade aparece para se adequar às exigências legais, muitas vezes inviáveis de serem cumpridas, o que gera insegurança. Foi o caso da intervenção do governo com a criação da entrega com hora agendada. Isso se tornou uma barreira para o mercado, por não ter players preparados para atender a essa exigência. De uma hora para a outra, obrigar uma empresa a aceitar essa imposição sem repasse de custos é andar na contra mão da história e esse, sem dúvida, é um dos maiores entraves. A intervenção é feita em prol do consumidor e concordo que ele tem que ser tratado como rei, mas não podemos dizer que conveniência não tem preço. 

A infraestrutura é outra questão importante que não aparece para o público: as transportadoras e lojas passam por dificuldades para colocar caixas dentro de aviões por falta de espaço. Contraditoriamente, no Brasil ainda é mais barato e rápido usar caminhões na logística do que colocar um produto em um avião para ser entregue em locais mais distantes dos grandes centros, como Palmas, no Tocantins, por exemplo.

Mundo do Marketing - Se em sete anos o mercado multiplicou por cinco, qual a projeção para os próximos sete anos?
Pedro Guasti -
Até 2016, devem ser R$ 45 bilhões. Com base nisso, podemos considerar que o valor deve multiplicar três ou quatro vezes nos próximos sete anos.

Veja também na série especial de aniversário de 7 anos do Mundo do Marketing: Relacionamento com o cliente precisa mudar de foco e Comportamento do consumidor, mudanças são menores do que se imagina

 

 

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