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Comunicação foi diferencial político nas Eleições 2006

Adolpho Queiroz, especialista em marketing político, faz um balanço das estratégias das Eleições 2006

Por | 31/10/2006

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Comunicação foi diferencial político nas Eleições 2006

Por Mariana Oliveira
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A quinta eleição direta depois da redemocratização do Brasil consolidou, além dos direitos dos eleitores, a importância dos profissionais de comunicação nas estratégias e contato com os eleitores, num ano em que elas foram definitivas para a decisão da sociedade.

Em entrevista ao site, Adolpho Queiroz, professor da Universidade Metodista - SP e autor de livros como "Na arena do Marketing Político", conta como os artifícios empregados influenciam a sociedade ou até reduzem o principal objetivo das campanhas: o debate aberto de propostas que beneficiem a coletividade.

O senhor observou nesta eleição que as propostas políticas ficaram abaixo das estratégias de marketing?
Quando você faz um trabalho de comunicação de massa, você acaba necessitando fazer um esclarecimento de várias questões. Em um trabalho para ser difundido e veiculado na televisão, rádio, internet com linguagens mais objetivas, você acaba valorizando demais a fase do discurso porque as pessoas acabam comprando isso de uma forma mais adequada. Mas não é isso que acontece e as mensagens acabam batendo na cabeça das pessoas. Então, a técnica do marketing acaba, de certa forma, esvaziando o discurso.

Esta é uma característica mais da cultura brasileira ou é uma tendência mundial?
É uma tendência mundial. Quando você faz um trabalho de comunicação de massa num debate, o político tem tempo determinado para passar suas falas e de informar todos os públicos. Por isso, são debates que evidentemente esclarecem um pouco melhor, mas eles não dão liberdade para os interlocutores, é uma coisa calcada em quanto tempo, é uma corrida contra o relógio, em 2 minutos tem que fazer uma resposta. Então as pessoas não ficam à vontade para fazer às vezes uma crítica mais contundente ou um discurso mais elaborado. É um discurso de televisão, que tem hora marcada: não faz parte a conversa. Uma conversa tem que ter propostas e isso acaba elevando a importância dos profissionais de comunicação.

Qual é o lugar que os profissionais de comunicação têm hoje na disputa eleitoral? 
Os profissionais de comunicação são justamente as pessoas responsáveis para fazer a TV como é: um transporte com mais informação que seja compreendida pelos vários públicos. Quando você pensa que a televisão atinge públicos diversos, não posso fazer uma distinção sobre meio ambiente, sobre cultura que seja muito elevada porque se não a discussão vai ficar distante das pessoas mais simples, apesar de, ao simplificar o discurso, estou tentando conversar com as pessoas que têm menor grau de formação. Por isso os profissionais de comunicação acabam tendo esta carga de importância.

Existem diferenças marcantes entre as campanhas eleitorais do passado e de agora?
Há uma maquiagem das campanhas de anos passados. Por exemplo: esta frase que o Lula buscou este ano: "Deixa o Homem trabalhar", é um bordão que Getúlio Vargas usou nos anos 40: "Bota o retrato do Velho que o Velho é do trabalho". O Alckmin também usou este ano alguma coisa que o próprio Lula usou em 2002: "Agora é Alckmin".

O senhor destacaria algumas características do marketing político brasileiro?
É moderno, mas também estamos aprendendo, pois depois de tantos anos de dificuldades, a área de comunicação tem vivido dois tipos de crescimento na área do marketing político. Primeiro no campo profissional: hoje muita gente tem procurado estudar, buscar novas tecnologias e interação com o público. E no outro campo que surgiu depois da redemocratização foi o campo da pesquisa acadêmica apoiando projetos na área de propaganda política.

Falando um pouco mais das estratégias, o senhor certa vez afirmou que o livro "Na arena do marketing Político" retratava "um pouco do vasto e diversificado universo de artifícios empregados para seduzir a sociedade em torno do voto e da construção da imagem pública dos candidatos". Em termos de estratégias, o senhor percebeu algumas que foram mais utilizadas este ano: populistas ou menos populistas ou mais ênfase nos meios de comunicação?
Houve uma fase na História em que era necessário se comunicar apenas através dos jornais impressos. Então os candidatos se utilizam basicamente das pessoas com capacidade de escrever. A partir dos anos 20, com a entrada do rádio, houve a necessidade do profissional, além do jornal impresso, começasse a lidar com a linguagem do rádio e inserindo a música nas campanhas eleitorais. Depois você tem um terceiro ciclo em 1950 com a entrada da televisão. Com a televisão as campanhas eleitorais adquiriram uma outra característica: você tem que produzir o programa, tem que falar outra língua e ser mais breve para que as pessoas entendam. A partir dos anos 90, a quarta grande revolução foi a chegada da internet, que dá ao profissional de comunicação a possibilidade de colocar no site do candidato todas as possibilidades de comunicação. Então o profissional para participar de uma campanha tem que ser mais ou menos um maestro para tocar de forma harmônica.

Nós presenciamos vários momentos em que as campanhas parecem ter tido que passar por uma reformulação, como foi o caso do dossiê ou a ausência do Lula nos debates. Como se lidam com essas mudanças de estratégia?
Provavelmente, as pessoas que o aconselharam a não participar destes debates devem ter reavaliado. Você não aprende só com os acertos, mas aprende também com os erros que comete. A campanha e a comunicação são dinâmicas e você tem que estar preparado para distinguir aquilo que é importante e aquilo que não.

Acesse
www.adolphoqueiroz.pro.br

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