Galinha Pintadinha parte para internacionalização. Conheça o case | Mundo do Marketing

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Galinha Pintadinha parte para internacionalização. Conheça o case

Personagem ganhou popularidade em vídeos na internet e está presente em DVDs, espetáculos e licenciamentos. Marcos Luporini, Sócio da Bromélia Produções conta a trajetória

Por | 13/03/2013

pauta@mundodomarketing.com.br

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DVD,case,Galinha PintadinhaA Galinha Pintadinha ganhou popularidade na internet e sete anos após a idealização do projeto, os vídeos do personagem ocupam cinco posições do top 10 do Youtube Brasil, totalizando mais de 324 milhões de visualizações com os títulos que fazem parte do ranking (números apurados em 8 de março de 2013). A empresa nasceu da sociedade de dois amigos, Marcos Luporini e Juliano Prado, com estrutura 100% digital a partir da postagem do primeiro vídeo produzido com o título "A Galinha Pintadinha". Ele foi o ponto de partida para a produção de 13 vídeos que deram origem ao primeiro DVD. Atualmente, a equipe conta com nove profissionais, sem pretensão de novas contratações, e diversifica as fontes de renda com publicidades na internet, venda de DVDs, espetáculos ao vivo, co-produções e licenciamento de produtos.

Nos primeiros momentos, os empreendedores enfrentaram desafios para legalizar a produtora Bromélia Produções, que nasceu em função da Galinha Pintadinha. Outra dificuldade foram os recursos, retirados das economias pessoais dos sócios para a produção e duplicação do DVD. O produto que começou a ser vendido em uma loja virtual simples, cujo único recurso era o botão de "Comprar DVD", hoje tem parceria com a Som Livre e recebe tratamento semelhante ao oferecido aos cantores mais populares da gravadora, inclusive com presença nas prateleiras das principais lojas do país. O sucesso fica claro diante dos mais de um milhão de cópias de DVDs vendidos, além de outros itens como as pelúcias que logo na primeira remessa fabricada, 30 mil peças, se esgotaram rapidamente impulsionando novos pedidos mais robustas com cerca de 500 mil unidades.

O principal plano da marca para 2013 é expandir o sucesso conquistado no mercado brasileiro também nos países de língua espanhola. Já está na internet um canal de vídeos da Galinha Pintadinha em espanhol que ultrapassou os 65 milhões de visualizações. Todo processo de internacionalização é desenvolvido internamente pela mesma equipe. "O grande projeto para este ano é reproduzir o que fizemos por aqui em outros países. Mas fazemos aos poucos. Acho que este é um dos segredos do negócio. Fazemos no nosso ritmo, enquanto faz sentido para nós. Não é algo criado artificialmente buscando o sucesso a todo custo", diz Marcos Luporini, Sócio Fundador da Bromélia Produções e da Galinha Pintadinha, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Mundo do Marketing - Como foi o desafio de levar os vídeos que começaram no Youtube para os DVDs?
Marcos Luporini -
O primeiro vídeo que fizemos, chamado "Galinha Pintadinha", foi postado no YouTube como uma produção única. Na realidade, quando começamos a criar outros vídeos, já foi para que eles estivessem incorporados ao DVD da Galinha Pintadinha. No primeiro momento, havia projetos das 13 músicas que integram o primeiro disco. Mas elas só foram produzidas após surgir a oportunidade de gravar o DVD. Nesta fase, o desafio foi como financiar. Como era uma dificuldade grande, jogamos o vídeo no YouTube justamente para tentar buscar o financiamento. A primeira coisa que fizemos foi tentar utilizar as nossas próprias economias para financiar o projeto. Porém, só quando o primeiro disco estava quase pronto, ganhamos um edital no valor de R$ 200 mil que foi essencial para pagar a duplicação dos DVDs e outras contas. Outro ponto importante é que fizemos uma parceria com todos os artistas (desenhistas e cantora) envolvidos na produção e fizemos deles sócios do projeto. Este foi um grande diferencial.

Mundo do Marketing - Como foi a produção e distribuição do primeiro DVD?
Marcos Luporini -
Na época deste lançamento, o Juliano (Prado, sócio de Luporini) já tinha alguma experiência em e-commerce. Então abrimos a empresa. Além disso, participamos de uma feira de audiovisual no Rio de Janeiro e lá tivemos várias rodadas de negócio. Um representante da TV Brasil se interessou em adquirir o conteúdo. Com isso, tivemos que nos cadastrar na Ancine e adiantar bastante a parte burocrática. Acabou nem passando na TV Brasil, mas isso nos deu mais algum recurso que, embora fosse pouco, ajudou para que tivéssemos todos os certificados que eram necessários. Depois disso, montamos o e-commerce que era a loja virtual mais simples do mundo. Como a audiência dos vídeos no YouTube era grande, nosso desafio era direcionar o público do vídeo para a compra. Nossa loja tinha apenas um botão: comprar o DVD.

Mundo do Marketing - Quantos DVDs vocês venderam neste primeiro momento e quando o negócio se transformou em uma produtora?
Marcos Luporini -
Ficamos de 2008 a 2009 vendendo apenas no site. O resultado foi bem interessante. Nossa visão era bastante despretensiosa naquela época. Lembro de quando chegaram os primeiros mil DVDs e brincávamos que o desafio seria vender tudo aquilo. No começo, as notas fiscais eram feitas à mão: no primeiro dia vendemos três, depois cinco, até chegarmos a 30 e 40 DVDs por dia. O retorno era bom, pois como não havia distribuidora, todo o ganho era nosso. Somente em 2009 fechamos com a Europa Filmes. No Dia das Crianças de 2009, estávamos nas prateleiras. Não sei precisar, mas neste primeiro ano chegamos a algo próximo de 20 a 30 mil cópias apenas no e-commerce. E finalmente chegamos às lojas.

Mundo do Marketing - A produção do DVD é a parte mais fácil ou é mais complicado tocar o negócio?
Marcos Luporini -
Talvez seja exagero afirmar isso, mas de fato a parte de tocar o negócio é bem pesada. São muitos contratos, lidamos com direitos autorais e é uma parte chata do nosso trabalho.

Mundo do Marketing - Vocês planejaram tudo isso ou foi algo que aconteceu de repente?
Marcos Luporini -
Foi acontecendo, mais ao mesmo tempo, tínhamos a noção de que havia uma série de possibilidades. Dizer que foi tudo planejado é exagero, mas podemos dizer que foi idealizado. Sabíamos, por exemplo, que em algum momento seria necessário ter uma parceria com uma distribuidora, que seria preciso fabricar o DVD: primeiro assinamos com a Europa Filmes, depois com a Som Livre. Também descobrimos sobre as agências de licenciamento. E as coisas foram acontecendo. Não foi um plano totalmente detalhado, mas tínhamos a noção dos caminhos possíveis.

Mundo do Marketing - Quais foram os erros que vocês cometeram ao longo dessa jornada? Quais deles se tornaram grandes acertos depois?
Marcos Luporini -
Não consigo lembrar de um grande, imenso erro.  Acho que, felizmente, acertamos mais que erramos. Demos nossas cabeçadas e erramos muito mais antes de lançar o DVD. Precisamos dar uma volta inteira para retornar ao ponto zero e enxergar que seria melhor lançar por nós mesmos, além de tocarmos a venda pelo comércio eletrônico e a finalização. Depois disso, as coisas aconteceram. Serviu para amadurecermos.

Mundo do Marketing - Embora vocês tenham apenas nove pessoas, estamos falando de um negócio bem maior. Quais foram as dores do crescimento?
Marcos Luporini -
A principal dor e também um grande aprendizado é entender que a obra tem que sair das nossas mãos para se tornar um negócio maior. É um esforço para o desapego, pois temos que aceitar outras interpretações e permitir que as pessoas mexam no trabalho que você criou a sua revelia. Coisas com as quais não concordamos acabam acontecendo, mas ao mesmo tempo é um aprendizado muito grande. Compreender que outras pessoas e empresas vão participar e ganhar dinheiro, bastante dinheiro, a partir do seu trabalho, é um passo essencial para o negócio prosperar.

Mundo do Marketing - Quantos negócios existem hoje ao redor do conteúdo Galinha Pintadinha?
Marcos Luporini -
Não são tantos. Temos a parte digital que envolve o YouTube, e ganhamos com publicidade. Esta é uma das fontes de receita. A força do nosso negócio está nestas várias fontes. Temos algumas fontes importantes como, por exemplo, a Apple Store, onde também somos líderes em vendas. Tem também a parte de licenciamento de produtos, produção áudiovisual que é feita aqui dentro e nunca vai acabar, e a parte dos shows e apresentações ao vivo. Teremos um novo musical a partir de março. Outra coisa que estamos explorando mais recentemente são as instalações em shopping.

Mundo do Marketing - Você falou que a parte do áudiovisual nunca vai acabar e no mesmo instante me veio à cabeça o Maurício de Souza. Penso que vocês podem ser uma Turma da Mônica contemporânea. O fato de nascer no digital fez alguma diferença?
Marcos Luporini - Realmente nascemos no digital e com isso quebramos um paradigma. Até então, as empresas de licenciamento só trabalhavam com conteúdo que havia sido veiculado na TV ou no cinema. A Galinha Pintadinha foi o primeiro caso a sair da internet para se tornar uma marca licenciada. Engraçado que há algum tempo chamamos a atenção das pessoas para este fato e temos números muito expressivos na audiência digital. Mas as empresas de brinquedos, por exemplo, ainda não tinham atentado para isso.

Mundo do Marketing - É mais fácil depois que o negócio faz sucesso, não é? Agora muitas empresas devem procurar vocês propondo parcerias.
Marcos Luporini -
Na realidade já fazia sucesso. Este é o ponto engraçado. Só que este sucesso estava na internet. Já tínhamos assinado inclusive com a Som Livre, era o canal mais visto no YouTube com milhões de acessos, vendíamos muitos DVDs pelo site, mas mesmo com tudo isso, pelo fato de não estarmos na TV, muitas empresas não acreditavam no potencial do produto. Somente após fecharmos com uma agência de licenciamento que tinha maior entrada com os players, as empresas começaram a produzir itens com a Galinha Pintadinha. Mas com tudo isso, este começo foi bem tímido. Depois que as primeiras experiências foram bem sucedidas, as empresas passaram a investir com mais força. Lembro da primeira pelúcia da Galinha que teve tiragem de 30 mil peças. Quando chegou nas lojas, ninguém nem viu. A venda foi muito rápida e os pedidos não paravam de chegar. Hoje os números são grandes: 500 mil peças, mais de um milhão em DVDs e na linha de sandálias.

Mundo do Marketing - O grande desafio foi convencer as pessoas que não eram do meio digital a acreditar no sucesso da Galinha Pintadinha?
Marcos Luporini -
O desafio foi mudar a mentalidade destas pessoas. A Som Livre, quando assinou conosco, estava em busca de títulos infantis. Não que eles estivessem em busca da Galinha Pintadinha, mas hoje somos tratados como a Ivete Sangalo.

Mundo do Marketing - Teve um momento que você considera um marco: agora sim, somos a Galinha Pintadinha?
Marcos Luporini -
Lembro que em um determinado momento estava na casa do meu sócio e amigo Juliano e tive com ele uma conversa importante: conversamos sobre dar um prazo para o negócio. Ou daria certo neste prazo, ou o projeto ia para a gaveta. Este foi um passo importante. Outro momento que marcou foi quando decidimos fazer o DVD com 13 músicas da Galinha Pintadinha, percebendo o sucesso dos vídeos do YouTube. Daí por diante acho que as coisas aconteceram.

Mundo do Marketing - Quais serão os próximos passos: novos DVDs seriam um caminho natural, não?
Marcos Luporini -
Não sei exatamente para onde vamos. Gosto sempre de enfatizar que não temos sócios ou investidores na empresa.

Mundo do Marketing - Vocês já foram sondados?
Marcos Luporini -
Sempre surgem conversas neste sentido. Mas não tenho certeza sobre isso. Mais do que a Galinha Pintadinha dar certo, é importante que a nossa vida dê certo. A Galinha tem que existir, tem que ser boa para todo mundo, mas também existe o nosso lado pessoal. Não sei se vamos esgotar a fórmula: se um dia tivermos que parar, vamos parar, sem problema nenhum.

Mundo do Marketing - Mas existem caminhos. Por exemplo: o vídeo que vocês fizeram com a Unilever foi um sucesso muito grande.
Marcos Luporini -
Mas neste caso, foi tudo muito bem acordado. Aceitamos participar desde que eles não interferissem na criação. Acredito que isso fez a diferença.

Mundo do Marketing - Engraçado você falar que não sabe exatamente o que será feito nos próximos anos. Vocês realmente não têm planos para o futuro? O foco é todo no momento atual?
Marcos Luporini -
Temos alguns planos, claro. Um exemplo é que estamos trabalhando na internacionalização da marca. Temos um canal em espanhol que está fazendo bastante sucesso. Já atingimos 65 milhões de views. E vamos acertar a distribuição em países de língua espanhola. Esta internacionalização está sendo feita por nós mesmos.

Mundo do Marketing - Vocês ainda se envolvem 100% em todos os processos?
Marcos Luporini -
Não em todos os processos, mas na parte criativa sim. Por exemplo, o musical tem o roteiro feito por nós, direção musical também. E o grande projeto para este ano é internacionalizar a Galinha. Reproduzir o que fizemos por aqui em outros países. Mas fazemos muito aos poucos. Acho que este é um dos segredos do negócio. Fazemos no nosso ritmo, enquanto faz sentido para nós. Não é algo criado artificialmente buscando o sucesso a todo custo.

Mundo do Marketing - A palavra Marketing soa como algo estranho dentro do planejamento de vocês?
Marcos Luporini -
Não necessariamente. Temos uma orientação para mercado, temos uma noção. Mercado e arte sempre andaram juntos. A única questão é que não gostamos de fazer nada de maneira atropelada. Fazemos sempre no nosso ritmo. Temos uma preocupação, por exemplo, em usar uma linguagem universal sem aderir a modismos para que o nosso conteúdo tenha uma durabilidade muito maior. Não queremos que ao lançar um DVD haja um pico de procura e depois isso caia.
Mundo do Marketing - Qual foi o grande segredo para o sucesso da sua empresa? Tem uma receita?
Marcos Luporini -
Não tem uma receita, de maneira nenhuma. Um ponto importante é que focamos no nosso negócio. Não nos preocupamos com o que outras empresas estão fazendo. Olhamos para o mercado, mas não com este tipo de preocupação. E sempre acreditei que este era o melhor caminho. Acho que se há um segredo é acreditar nas suas próprias ideias. Pode parecer meio vago, mas é verdade.

Mundo do Marketing - A empresa possui um executivo, alguém para ajudar na condução dos negócios?
Marcos Luporini -
Não. Mas talvez tenhamos no futuro. Não sei dizer. Na realidade, sempre que houver uma decisão importante, teremos que participar, mesmo que tenhamos um executivo a frente dos negócios, lidando com o aspecto mais administrativo. Tem aquele ditado que diz que o olho do dono é que engorda o boi. Acho que o caminho é esse mesmo.

Mundo do Marketing - E como é o sentimento por criar um personagem que está influenciando toda uma geração e que valoriza, de certa forma, a cultura nacional?
Marcos Luporini -
Isso é motivo de um grande orgulho para nós. O mundo está para descobrir o poder da música brasileira. Temos muita qualidade e variedade artística no Brasil e fico orgulhoso que a Galinha Pintadinha faça parte desta história.

 

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