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Um plano para a quarentena é como aprender a andar de bicicleta

A mensagem é: não se pode perder tempo. Os planos podem sofrer alterações constantes e o desafio é ter que revisitá-los de tempos em tempos. Rápido.

Por Bruno Mello - 12/05/2020

No último domingo tive uma série de aprendizados ao ensinar a minha filha a andar de bicicleta e pensei: acredito que esses ensinamentos podem ser aplicados em tempos de Coronavírus. Antes de compartilhar, uma advertência: você já deve saber que é bem complexo fazer qualquer prognóstico diante de um cenário ainda mais complexo e incerto como o que estamos vivendo - ainda mais em se tratando de Brasil.

O primeiro aprendizado foi: comece o quanto antes a desenvolver um plano para curto e médio prazo. Espero que a fase do curto prazo você já tenha ultrapassado, afinal, estamos caminhando para dois meses de pandemia. A questão é que estes planos podem sofrer alterações constantes e o desafio é ter que revisitá-los de tempos em tempos. Rápido.

A mensagem é: não se pode perder tempo. Tem que agir rápido. Este foi um erro que cometi com a minha filha. Ela sempre teve bicicleta até que um dia deixou-a na entrada do condomínio em que morávamos e teve sua bike furtada. Como muitas crianças, ela às vezes esquece das coisas.

Como lição, ela ficou sem bicicleta durante um bom tempo até que meio que esquecemos desta fase tão importante da vida de qualquer pessoa. Porém, ela estava perdendo uma fase importante da infância e, eu, o privilégio de ensinar a minha filha a andar de bicicleta. Se esse tempo passasse mais, não teria como voltar atrás. É também assim nos negócios. Não se pode procrastinar. Há muitas ameaças e oportunidades. É preciso estar preparado.

O segundo aprendizado é: precisamos perceber o ambiente, os diversos cenários e formatar um plano ágil. E aqui voltamos a ilustração do aprendizado com a bicicleta. Nos primeiros minutos notei que minha filha ficava olhando para baixo. Depois, que não mantinha o guidão reto e, ao olhar para frente, estava olhando também para os lados. Por último, ela estava perdendo equilíbrio porque não pedalava de forma constante.

A cada erro que percebemos fomos corrigindo e, em menos de uma hora, ela já estava andando de bicicleta sozinha. É claro, deixou a bike cair umas vezes, mas ela mesmo não caiu nem se machucou. Assim que percebemos que ela tinha conseguido, paramos e disse: Sophia, agora você vai sozinha - precisa fazer só quatro coisas: Manter o guidão reto, continuar pedalando, olhar pra frente e ter foco.

É ou não é bem semelhante ao que temos que fazer nesta crise? Não podemos ficar parados. Temos que perceber o que está acontecendo em todos os pontos de contato da empresa e do consumidor. Precisamos continuar nossos trabalhos, pedalando. É necessário ter um objetivo claro (manter o guidão reto), ter foco, perseguir este foco e, sempre, sempre olhar para frente.

Não é uma receita de bolo. É um modelo de ação ágil que dependerá da sua aplicação e do objetivo que você traçar. Atuar nesta crise é como aprender ou reaprender a andar de bicicleta. Vamos levar uns tombos, pode ralar um pouco ali ou aqui, mas se seguimos o modelo podemos ter sucesso.