Editorial

Publicidade
Publicidade
Editorial

Por que o letreiro do Méqui deu o que falar?

Como o recente sucesso mostra, envolve um sem número de interfaces, é necessário pensar de forma macro e ter o máximo de cuidado possível para não dar nada errado

Por Bruno Mello - 17/09/2019

Diariamente somos bombardeados por números, indicadores e tendências dando urgência sobre mil novas mudanças e inovações necessárias à sobrevivência das empresas e das marcas. A maioria deles creditando a Transformação Digital como principal agente.

Como chamar atenção, criar conexões e engajamento dos públicos de interesse da empresa também está entre os maiores desafios de Marketing nos dias de hoje, praticamente 10 a cada 10 casos de sucesso são creditadas ao uso de tecnologia ou algo digital. Contudo, foi uma mudança de fachada do McDonald’s que chamou atenção e deu o que falar nas últimas semanas.

Um parêntese: a Transformação Digital do Marketing e das empresas é sim urgente, mas nunca uma única atividade isolada será responsável pelo sucesso de uma empresa ou da valorização de uma marca. É um conjunto. É o todo. É o famoso Marketing holístico que sempre defendemos. Esse pensamento certamente norteia o racional por trás da nova campanha da rede de restaurantes no Brasil. Pensar, planejar e executar uma grande ação de Marketing como o McDonald’s precisa não é tarefa fácil.

Como o recente sucesso mostra, envolve um sem número de interfaces, é necessário pensar de forma macro e ter o máximo de cuidado possível para não dar nada errado. Marcas como a dos arcos dourados têm a obrigação de fazer algo que seja marcante e, principalmente, tenha sucesso. É como a Seleção Brasileira de Futebol que se não ganhar e der show terá críticas.

É neste cenário que encontramos o primeiro porque do sucesso. Quanto menos você arrisca, menos obtém resultados diferentes e quanto mais arrisca, maiores são as chances de acertar, bem como grande é o potencial de dar tudo errado. E é aqui que a maioria peca. O medo de errar paralisa. Inovação pressupõe risco e infelizmente não são todas as marcas que têm a coragem de fazer trapézio sem cama de segurança.

Certamente a rede, juntamente com a sua agência, se fizeram alguns questionamentos. O insight é genial. Está no dia a dia dos clientes. No entanto, mexer no nome da marca mesmo que pontualmente requer uma boa dose de coragem. Por mais natural que “Méqui” seja, trata-se de mexer em toda uma cadeia. É um trabalho engenhoso que grandes marcas como McDonald’s já se sabem os desafios que enfrentarão.

Outro ponto chave do sucesso foi entender e se conectar com seus clientes. Uma empresa como McDonald’s faz parte da cultura de muitos países. Está no dia a dia das pessoas e cria-se uma relação de intimidade com a marca. Explorar esse laço é mandatório nos dias de hoje. Falar a língua do cliente. Se aproximar com uma história que faz sentido.

Há pelo menos 10 já se fala com ênfase sobre o diálogo e a comunicação de duas vias com o seu público. O caso da rede de restaurantes mostra que não é uma coisa de outro mundo chegar em um resultado positivo para a marca. É daqueles exemplos que muitos se perguntam por que não pensaram nisso antes. Eu te respondo: somente colocando as pessoas no centro dos negócios, tendo empatia e assumindo riscos é possível fazer algo diferente.