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Atenção para quem acha que os mais experientes e que Kotler morreram

Os profissionais de Marketing esquecem de investir em princípios básicos e apostam em pseudoinovações que acabam distanciando as pessoas em vez de fazer a diferença na vida delas

Por | 29/03/2017

bruno@mundodomarketing.com.br

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Vou contar para você algo que pouquíssimas pessoas sabem. Eu, junto com amigos pseudorrevolucionários à época, expulsamos o Kotler da sala de aula em uma matéria bem alinhada ao Marketing na faculdade de comunicação. Lembro e nutro carinho especial pela nossa coordenadora Penha Rocha e pelo professor Eduardo Amazonas. Eles concordaram não chegarmos perto do Administração de Marketing. Nada de 4 Ps. Combinamos de adotar um livro mais "prático e atual" (só lembro que era um azul) e que a prova seria um seminário. Um trabalho que cada grupo ficou com um capítulo do livro para discutir em sala. Recordo-me como se fosse hoje que falei sobre Marketing no Ambiente Digital. Isso em 2002. E, por ironia do destino, onde eu fui trabalhar? E ainda por cima dar aula sobre este mesmo tema no MBA de Marketing da FGV, além de coordenar outro na Facha. Mas entre um episódio e outro há uma novela grande que outro dia eu conto. 

Resgatei esta história para refletir sobre a constante tentativa de fechar os olhos e ouvidos para os profissionais mais experientes e nomes como Philip Kotler. Volta meia há quem escreva, fale e até me questione que o maior evangelizador do Marketing está morto e que outros especialistas com mais cabelos brancos (ou carecas) ficaram para trás. Sempre sou categórico em afirmar que estão mais vivos do que nunca e este preambulo serve para fazer um paralelo de que estas percepções equivocadas mais me parecem de um jovem ingênuo de 20 anos como eu era na época da faculdade de jornalismo do que de profissionais que se dizem antenados, para frente e up to date. Sabe por que? Minha percepção é de que na maioria dos casos nos falta o básico e que os cem números de fontes e novidades no século XXI mais ajudaram a nos distanciar das pessoas do que a fazer a diferença na vida delas. 

Porque, para mim, o Marketing não faz o menor sentido se não for holístico e promover melhoria na vida das pessoas. Pode parecer utopia, mas estamos neste mundo na busca eterna por amor e qualidade de vida. Qualquer coisa fora deste binômio é uma variação deles. Mas para as empresas fazerem isso é de uma dificuldade hercúlea. Já escrevi neste mesmo espaço sobre a importância de fazer o básico bem feito. De que adianta resolver quase toda a vida por um aplicativo e não conseguir falar com ninguém da empresa pelo telefone sobre uma questão? Ah, mas as pessoas não querem e nem precisam mais fazer ligações de voz. Ok. Isso no dia a dia. Qualquer problema mais complexo nós precisaremos de atendimento. Mais do que isso, precisamos que os produtos e serviços realmente resolvam nossas questões sem muita aporrinhação. 

A história corporativa está recheada de inovações, posicionamentos, produtos, serviços e marcas super antenas que ficaram para trás. Sinônimos de categoria viraram peça de museu. E mais e mais empresas entrarão nesta lista nos próximos anos não somente pelas dificuldades oriundas da crise que vivemos no Brasil, mas por sua incapacidade de se manter relevante na vida das pessoas. Fazer a diferença na vida delas requer o básico, primeiro. Se você vai até a uma palestra ou ouve alguém falando que temos que entender o Shopper, que o foco é o comprador e sua jornada de compra, você sai reclamando que não viu nada de novo. Pois é. Nem os seus clientes. Pensamos primeiro em produto. Depois em faturamento. Depois em canais. E ponto. 

Contudo, a grande verdade é que todas as empresas nascem para resolver um problema. Quando se acerta na demanda, ótimo. Quando não, entra-se em um labirinto onde depois de muitas tentativas se encontra uma saída. Nas duas ocasiões, tem-se a figura do fundador capitaneando um time que realmente faz a diferença na vida daqueles que compram seus produtos ou serviços. A grande questão é que este foco se perde ao longo do tempo por inúmeras razões, desde tempos difíceis como vivemos, até decisões tomadas de forma equivocada, passando principalmente pela saída do seu fundador do comando e a entrada de uma segunda geração. A voz da experiência é substituída por modismos. 

Se você olhar a linha do tempo que fizemos pela comemoração dos 10 anos do Mundo do Marketing no ano passado vai perceber quantas coisas se consolidaram ao longo dos anos e pouco perceberá modas destacadas como a tábua de salvação das empresas. Muitas, dezenas ou centenas de soluções novinhas que prometiam revolucionar o ambiente de negócios sequer tiveram estopo para ganhar destaque por aqui. E não estou falando de fundamentos ou teoria. Pois é na pratica que vemos o Mundo do Marketing dar voltas. E ele é redondo. Tudo que é levado pela moda não se sustenta. O tempo passa para todo mundo. Disso não temos como fugir. Resta saber se vamos passar por esta jornada jogando a experiência pela janela em nome da insegurança do futuro e da necessidade de se construir um caminho novo todo dia, construindo um prédio num banco de área, ou em um alicerce de concreto firme e forte.

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