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Luxo, Personalização e Crise

Por: | 13/07/2009

stella@slegnani.com.br

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Chanel, Dior, Gautier, Givenchy, Valentino e... Christian Lacroix. Terminou neste fim de semana a mais famosa semana da moda do mundo, a "alta costura" de Paris. Mas Cavalli, D&G, Versace, Prada, Lanvin são parte da alta costura? NÃO, não, não, são prêt-à-porter, ok?  Duas coisas bem diferentes.

Então, quem faz parte da alta costura? Pequena explicação histórica: a alta costura começou através de marcas como Dior e Chanel (já há um século), mas foi depois da II Guerra que centenas de grifes foram classificadas "Haute Couture", hoje, infelizmente são reduzidas em apenas doze. E é lá, que encontramos as raízes do luxo e da personalização.
Tradição de ponta à ponta: a alta costura é baseada acima de tudo na confecção da peça única, da arte do raro, onde trabalho feito por artesões e mestres de maneira preciosa. Busca através da roupa e calçados perpetuar o trabalho minucioso de costureiras, bordadeiras, plumistas, floristas, mestres de corte e da costura, um grupo pequeno, seleto e raro.
Chanel por exemplo, utiliza na realização dos galões dos seus tradicional tailleur as mãos de uma artesã de 94 anos (há mais de 70 anos), a única no mundo a manter esta técnica. Ela mora nem pequena fazenda, onde cria ovelhas e executa o processo da filagem à tissagem, sozinha. Suas mãos rudes criam os mais belos galões do mundo, uma obra de arte impossível  de ser copiada pela globalização massiva .
Esse talento único, traduzido através do raro, da personalização e do luxo que conferem a esta artesã e outros no métier o  verdadeiro sentimento de importância. Entre a massificação e a personalização, prefiro certamente a personalização, porque esta,  não é comercializada a peso de pote de arroz.
E voltando à alta costura,  infelizmente sua existência não tem como único objetivo preservar o raro, mas  sim fazer desta a vitrine que assegura aos gigantes (Dior, Chanel,)o volume para comercializar o prêt-à-porter, perfumes e  acessórios.
Quem não pode contar com as vendas destes outros segmentos como Christian Lacroix, Anne-Valérie Hash, entre outros, deve procurar outro nicho para sobreviver. Lacroix, por exemplo, para tristeza de muitos, decretou falência no início de junho e busca desesperadamente um partenaire para assumir suas dívidas até o fim deste mês e escapar do fechamento definitivo. Seu último desfile, apresentado na quinta feira, foi realizado com estoque de tecidos antigos e contou com a ajuda benevolente de fornecedores. Já Anne-Valérie que possui apenas com 14 funcionários na sua empresa, grupo minucioso de especialistas e preocupa-se a cada dia com o golpe que a crise vem conferindo ao seu pequeno estabelecimento.

 

O número 5, para promover a marca Chanel  

 

Olhar atento de Bernard Arnauld, proprietário da marca Dior

 Fã de Lacroix, bilhetinho "Forever" 
 
De tudo, nesta semana de luxo e de raridades o que ficou registrado:
  • A crise assusta a todos, mesmo os grandes. Menos opulência, mais realidade. As grandes grifes buscam "colar" aos antigos códigos de valor e de imagem para seduzir clientes e assegurar valores de confiança.
  • Repressão a criatividade excessiva, fora da realidade
  • Retorno profundo ao DNA das marcas

 

  • Chanel explorou o perfume número 5, o mais vendido no mundo como fundo da coleção, que foi intitulada Parfum. Os convites forma frascos do N5, uma estratégia parareforçar a imagem da marca com a peça ícone, o DNA da marca no mundo. Reeditou várias peças ícones já realizadas por Mademoiselle, e Karl Lagerfeld definiu: "uma coleção mais Chanel que nunca".  Ainda manteve o majestoso Grand Palais como lugar do show e diz que 2009 foi um ano excelente... (será mesmo?)
  • Dior fez um desfile "a moda antiga" (falta de dinheiro?) e trocou os lugares exóticos pelos tradicionais salões da loja Av. Montaigne. Reeditou algumas clássicas criações de Monsieur Dior, como as peças do New Look de 1947, no desfile mais contido já realizado pelo excêntrico John Galliano.
  • Christian Lacroix, fez desfile graças  ajuda de fornecedores e amigos e  diz emocionado: « não existe quase espaço para costureiros artistas, somos a cada dia destruídos  pelo consumo massivo e barato". Segundo Jean Jacques Picart que foi sócio de Lacroix durante 20 anos : " é triste ver essa realidade, mas Christian sempre foi um verdadeiro criador e nunca  foi talentoso para o prêt-à-porter".
  • Valentino, Jean-Paul Gaultier e Armani apresentaram sem exceção uma coleção negra e sem extravagância. Retorno aos valores de qualidade e durabilidade explica o diretor da Federação de Alta Costura de Paris.   
  • As expectativas segundo experts e analistas é que a as vendas mundiais do luxo baixem 10% este ano e restem lentas em 2010.

 

 © 2009 SP. Todos os direitos de reprodução e de representação reservados a Stella Pelissari. Todas as informações reproduzidas nesta rubrica, são protegidas pelos direitos de propriedade intelectual SP.Por conseqüência nenhuma informação pode ser modificada, reproduzidas, explorada e comercializada ou reutilizada sem um acordo por escrito.

  Leia também:

   Tendências de Consumo, Novas Atitudes 

  A morte do Bling Bling (entrevista com Jean-Jacques Picart)

 

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Biografia

Stella Pelissari é formada em Moda e Jornalismo, tem pós-graduação em Moda e Comunicação e Mestrado em Management Fashion em Business.

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