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Consciência ao consumir, até que ponto?

Marcas devem estar atentas aos novos comportamentos

Por: | 05/05/2014

simoneterra@sterra.com.br

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Hoje vamos falar sobre consumo consciente. Passei a vida estudando comportamento e, de um tempo pra cá, tenho visto uma mudança no mínimo significativa quanto ao comportamento de compra. Muitas pessoas estão mais conscientes na hora de escolher ou comprar um produto.

Esse "consciente" possui um significado próximo à maturidade de consumo, pois significa ponderação e avaliação de critérios na hora de selecionar um produto. As pessoas estão levando em consideração fatores que doravante não existiam na decisão de compra.

Nós, estudiosos de mercado, temos falado por muito tempo de movimentos que hoje se tornam visíveis como, por exemplo, "a busca pela qualidade de vida". Se separarmos esse movimento e olharmos o consumo deste ponto de vista, percebemos que as mudanças são enormes na cesta de compra das pessoas, assim como percebemos o mercado se direcionando para atender a essa demanda (alimentos orgânicos e funcionais, academias, turismo ecológico etc.).

Se fizermos um corte para debater esta questão, não será difícil observar ao nosso redor e perceber que existem inúmeras pessoas que optam por tratamento que até tempos atrás eram considerado dos "naturebas" e alternativos, por exemplo, no caso dos tratamentos de saúde e beleza (acupuntura, aromaterapia, cromoterapia etc.).

Entretanto, finalmente começamos a perceber o aparecimento de produtos orgânicos, frescos ou industrializados, assim como de varejos especializados no segmento e gôndolas de supermercados direcionadas a esses tipos de produto.

Ora, se nos compararmos aos países desenvolvidos, percebemos que ainda estamos muito atrasados no consumo destes segmentos, pois, quando morei na França de 1993 a 1997, existiam fazendas muito mais estruturadas e varejos especializados nos Estados Unidos (Trader Joe´s e Whole Foods Market) e na Europa (Biocoop, Naturale...). Todavia, não é isso que está me surpreendendo, pois esse é um movimento que dependia de um consumidor economicamente mais estabilizado para existir. Afinal de contas, o indivíduo antes de pensar em melhorar o tipo de alimentação, precisa conseguir subsistir e se alimentar.

Mas se qualidade de vida já é uma tendência e orgânicos já era um movimento esperado, o que me surpreende? O comportamento dos jovens. Partes dos jovens só quer comprar, consumir, comer qualquer coisa e não possuem nenhuma implicância com o consumo consciente. Existe, porém, uma boa parte de jovens que está totalmente consciente e preocupada com as questões de sustentabilidade planetária, com os limites do mundo virtual, com as disparidades do capitalismo, com o preço abusivo de algumas marcas e com o consumo desenfreado.

Alguns estão resgatando coisas do passado como o vinil, não só por causa do movimento vintage, mas como uma forma clara de rebeldia ao movimento tecnológico. Eles não deixaram de usar seus iPods, apenas também passam a frequentar sebos, resgatar os vinis dos pais, criar eventos como, por exemplo, o da vitrolinha (Na praça de Gragoatá e no Méier), organizam eventos de produtos orgânicos e produtos de pequenas fazendas agrícolas, frequentam cada vez mais bazar para comprar suas roupas, se organizam para separar lixo etc.

Outra forma de rebeldia conta o sistema "alienante virtual" é a constatação de que uma serie de jovens não possui e nem quer o Facebook,  se nega a viver no computador, busca por viagens ecológicas e atividades relacionadas a isso, volta a fotografar em máquinas antigas, revela suas fotos de forma manual e busca uma série de interações sociais através de um modo de vida mais real e menos tecnológico.

Dentro de tais mudanças de comportamento que tenho percebido, semana passada eu vi uma cena que me impressionou: mãe e filha olhavam para a vitrine de uma loja de alto padrão em um bairro de classe alta e a conversa se desenvolveu da seguinte maneira:

Filha: - Mãe olha que vestido! Porém o preço é surreal!

Mãe: - Realmente minha filha, ele é muito bonito. Quanto custa?

Filha: - Quase 600 reais!

Mãe: - Está realmente caro, mas, em geral costuma ser esse preço.

A filha indignada: - Me nego a pagar por esse vestido! Não tem o menor sentido! Se a gente for no Saara ou em qualquer outra

loja, como C&A, Renner etc., consigo este mesmo modelo muito mais barato!
A mãe ficou olhando atônita para sua filha (que provavelmente teria entre 17 e 19 anos), surpreendida pela reação de consciência econômica da mesma. O vestido em questão era de malha e reta e, por isso, provavelmente o preço chocou tanto.

Eu tenho percebido esse tipo de fato em diversos segmentos. Muitos jovens costumam pagar valores exorbitantes, sobretudo, onde eles conseguem achar o mesmo produto com a mesma qualidade (ou equivalente) por preços muito menores. Vamos observar tais comportamentos em restaurantes, baladas, loja de roupas, loja de cosméticos e tecnologia. Não estou dizendo que deixaram de consumir marcas como Apple, Nike, Osklen etc. O que estamos aqui alertando é que os jovens estão mais atentos com o valor dos produtos e começam a buscar meios alternativos de adquiri-los, independente de classe social. Eles inclusive divulgam tais iniciativas por meio de suas redes.

Pretendo escrever mais matérias sobre consumo consciente, e, em breve, estaremos realizando algumas pesquisas, pois esse é um movimento inevitável e as marcas e empresas que estiverem realmente implicadas certamente serão beneficiadas por esse comprometimento com a sustentabilidade planetária.

Abraço a todos!

Comportamento, consumo consciente, sustentabilidade

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