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Falta comunicação na Internet!

É um absurdo esta diferenciação que o mercado vem fazendo entre a comunicação que é feita pela internet e a que é feita em meios mais antigos.

Por: | 07/08/2007

pauta@mundodomarketing.com.br

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Autor: Jonatas Abbott


O CGI, Comitê Gestor da Internet,  tem pessoas da mais alta qualificação técnica. Técnica em tecnologia, em provedores, em IP´s, redes e etc. Show, indispensável. Mas, se estamos discutindo as regras e propondo leis e formas de se usar a internet no Brasil e sendo unanimidade que a internet é o mais poderoso meio de comunicação já inventado pelo homem me parece bastante óbvio que o CGI deveria contar com profissionais também especializados em comunicação. Me parece aliás não, tenho certeza absoluta.

Tanto precisam de comunicadores quanto dos advogados que eles contrataram para redigir o "Estudo sobre a regulamentação jurídica do Spam no Brasil" (http://www.cgi.br/publicacoes/documentacao/ct-spam-EstudoSpamCGIFGVversaofinal.pdf) , documento que inicia com premissas erradas. A primeira é sobre Spam. É um absurdo em primeiro lugar esta diferenciação que o mercado vem fazendo entre a comunicação que é feita pela internet e a que é feita em meios mais antigos, digamos assim.

O envio de publicidade por e-mail é marketing direto igual a mala direta impressa que é enviada pelo correio há décadas. Só muda o meio. Quando é papel ninguém chama de spam, quando é por e-mail chamam. Pior, o documento do CGI transparece que o CGI credita à publicidade on line o problema do Spam no Brasil. Isso soa como querer acabar com a dengue dando de relho em mosquitos.

O maior problema do spam no Brasil e no mundo são os robôs que, automaticamente, enviam e-mails com o propósito de propagar vírus e/ou travar a internet mundial. Estes robôs enviam para "contato"@ todos os domínios e assim por diante com nomes como "marketing", "comercial", "paulo" e etc. A publicidade on line de empresas fisicamente estabelecidas representa uma parte ínfima do problema todo. Mas certamente a parte que tem CEP.

O documento do CGI é certamente bem intencionado mas peca pela ignorância acadêmica ou arrogância de internet ao imaginar que por serem precursores da internet tem conhecimento suficiente sobre todas as áreas que ela abrange. O documento sobre "Spam" é emblemático neste sentido ao afirmar lá pelas tantas que "como a taxa de resposta é baixíssima, o Spam somente se justifica quando realizado em um determinado volume..." e segue o texto ignorando informações acadêmicas de marketing direto.

Mais do que isso, como manda o Marketing tradicional quando vamos mexer num mercado devemos consultá-lo. Mas já foi feito!! Pesquisa realizada pela Câmara de Comércio Eletrônico e Associação de Mídia Interativa apontou em 2004 entre 102.000 internautas que 81% deles preferem receber comunicados por e-mail, sendo que apenas 17% pela mala direta impressa e 0,8% por telefone. Bem, eu espero que o problema de spam seja atacado, mas o verdadeiro, e não colocar nas empresas que se comunicam e vendem pela internet o ônus pelo Spam no Brasil.

Ao consultar profissionais de comunicação ou até mesmo as agências digitais (que também estão alheias ao CGI) eles descobririam que as taxas de resposta são elevadas e que a prática de e-mail marketing dá grande resultado, ás vezes até maior, quando não enviado de forma massificada como eles teimam em apregoar no documento. Os profissionais e empresas de marketing direto sabem tudo sobre este tipo de comunicação e contribuiriam de forma significativa para a elaboração de um documento que jogasse mais luz e resultado sobre a comunicação na internet.

Mas não pensem os membros do CGI que credito a eles a responsabilidade de saber tudo. Não. Acho que os grandes responsáveis pelo problema é o pessoal de comunicação. Os gênios da comunicação e do marketing neste país estão ainda muito à margem da internet, alheios ainda às possibilidades de se aplicar a comunicação via internet. Neste sentido procurei pessoalmente alguns líderes do mercado de agências digitais para que imediatamente participem deste projeto, haja vista que estas agência são hoje as responsáveis por criar e administrar o envio de publicidade por e-mail para as maiores empresas deste Brasil.

Lembro ainda que a comunicação, independente do meio, tem um dever informativo de justamente levar novos produtos, serviços e empresas ao consumidor e desta forma criar um mercado mais justo, dar acesso aos consumidores a produtos mais baratos, divulgar produtos médicos e vantagens de toda a ordem. Não acredito que a comunicação possa ser previamente censurada, por ninguém neste país. Mas justamente que ela seja regulada pelo consumidor através de regras já pré-estabelecidas em outros meios de comunicação, derivadas de discussões menos técnicas e mais democráticas.
 
Ser especialista em tecnologia não  quer dizer obrigatoriamente que o sujeito entenda de comunicação e graças a esta confusão o recente mercado de internet tem causado prejuízo a empresas e pessoas.

O comitê gestor em sua página na internet afirma ser composto por  membros do governo, do setor empresarial, do terceiro setor e da comunidade acadêmica. Descobrimos mais abaixo que ele também é composto por um representante de notório saber em assuntos de Internet. Legal, maneiro inclusive.

Mas.... Nada de comunicadores, de especialistas em marketing direto, especialistas em marketing, em comunicação digital, nenhum representante das entidades de agências digitais nem das de propaganda. Me preocupa diretamente o e-mail marketing como me preocupa outros tantos temas relativos a internet como Cookies, Links Patrocinados, Tag´s, Pop Up´s e outras formas de comunicação que venham a ser reguladas no Brasil.

Me preocupa de verdade descobrir que o Comitê Gestor da Internet Brasileira, órgão que me parece vem fazendo um trabalho técnico bastante consistente no Brasil, esteja discutindo e propondo decisões a respeito da forma com que nos comunicaremos na internet, sem analisar a comunicação existente e sem fazer o óbvio: convidar para a entidade especialistas em comunicação.

Gostaria de agradecer ao Sr. Henrique Faulhaber que teve paciência e muita abertura para trocar diversos e-mails comigo a respeito, inclusive me esclarecendo que o trabalho atual anti-spam é de fato um avanço em relação ao que estava sendo feito. O Sr. Henrique abriu de forma bastante democrática (elas são públicas) e elucidativa N informações a respeito do extenso trabalho que o CGI vem fazendo.

Finalmente tenho confiança plena que o CGI estará aberto aos profissionais e empresas do mercado de comunicação para estender a discussão de forma a ter como resultado um trabalho mais consistente e mais próximo do ato de se comunicar, prática existente há séculos no país e já plenamente regulamentada em vários níveis e mercados. Comunicadores, mexam-se.

P.S.: Independente do documento que cito acima focar na publicidade on line recebi farto material do CGI que prova que eles estão atentos e trabalhando muito para conter a ação dos robôs. Por isso mesmo o documento fica ainda mais indigesto.
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