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A Coca-Cola contra-ataca!

Passei os últimos anos da minha vida ensinando às minhas filhas o prazer dos sucos naturais e agora minha casa virou a embaixada do inimigo. Onde eu teria errado?

Por: | 26/06/2007

pauta@mundodomarketing.com.br

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Autor: Cesar Paz


Na semana passada, minha filha de 16 anos chegou em casa quase eufórica e noticiou:

- Pai, agora sou Embaixadora da Coca!
- Tá bom, filhota, e isso dá quantos anos de cadeia?
- Ah, pai, é sério, o pessoal da Coca-Cola me convidou, consideraram o conteúdo do meu Orkut, os quase mil amigos e fizeram uma entrevista comigo pelo MSN, pegaram também referências com um contato aqui do Sul. Tô dentro!

Meu Deus! Passei os últimos anos da minha vida ensinando às minhas filhas o prazer dos sucos naturais e agora minha casa virou a embaixada do inimigo. Onde eu teria errado?

Exatamente onde eu não sei, mas o pior é que me atingiram usando ferramentas que eu conheço muito bem e através daquilo que eu tenho de mais precioso. Fisgaram a minha filha na internet!

Bom, primeiro preciso explicar um pouco a minha relação de amor e ódio com a Coca-Cola. O fato é que eu sou do tempo em que beber Coca-Cola era um prazeroso programa familiar dos almoços de domingo. Não é à toa que, nos anos 70, a Coca de 1 litro era conhecida como Coca-Cola família.

Depois fui crescendo e transformando minha percepção da tal Coca-Cola. Aos 16 anos, já com alguma formação marxista e no meio do agitado movimento estudantil, a Coca virou para mim e meus "companheiros" uma grande vilã, símbolo do imperialismo americano! Mas ainda assim..., confesso, absolutamente eficiente e indispensável para curar nossas ressacas!

Depois, com mais de 30, já com família e pensando muito no planeta sustentável que deixaria para meus filhos e netos, a Coca-Cola e o tal Ciclamato de Sódio viraram sinônimo de bebida de fast-food, engordante e inimiga da boa alimentação. Mesmo nessa fase, eu ainda não conseguia abrir mão da nova Coca Light e da sua proposta de prazer e apenas 1 caloria.

Finalmente, aos 40 anos, achei que tinha conseguido. Eu e minha família não tínhamos mais nenhuma dependência da Coca (Cola)! Na geladeira de casa só água, chás e os sucos! As filhas, em especial, cresceram sem estímulos ao consumo dessa centenária bebida e simplesmente "não gostavam".

Parecia que eu havia ganho esse batalha pessoal contra o gigante de cor escura e formas onduladas!

Qual nada, inimigo bom é inimigo que não se rende, e com uma competência cibernética rara às empresas globais e de consumo de massa, a Coca-Cola conquistou a minha filha por meio de um posicionamento que privilegia o relacionamento através da internet.

Tudo isso aconteceu muito rápido e via ações de divulgação no ambiente web do Estúdio Coca-Cola, uma sacada bem legal da Coca que é toda contextualizada na música, focada no público jovem e com apelo politicamente correto de "aproximar diferenças". A ação reúne num "estúdio/palco" da MTV artistas tão diferentes como Lenine e Marcelo D2 ou Pitty e Negrali.

Na real, os "embaixadores da Coca-Cola", detentores de informação e experiência diferenciada na produção dos shows, serão os responsáveis naturais pelo "buzz" junto à galera do seu círculo de influência. Certamente uma experiência inusitada e que vai tatuar a marca Coca-Cola na mente dessa meninada.

O mais interessante é que as ações de envolvimento dos "Embaixadores" com a marca têm vários desdobramentos na web. Nesse início, pós o processo de seleção (todo feito via MSN e Orkut), os embaixadores foram desafiados a montar uma comunidade no Orkut que teria que conter a expressão "Estúdio Coca-Cola". O Embaixador que montasse a maior comunidade (tarefa a ser concluída durante um final de semana) iria ao próximo show em SP com mordomias compatíveis com a dos diplomatas de Brasília. Nada mal!

Pois é, acho até que agora já estou mais conformado.
A Coca me ganhou essa, senti o golpe. Mas a luta continua e, agora, cada vez mais longe da mídia de massa!
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