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TV digital vai perder na luta por espaço com a web

Web como plataforma para as TVs

Por: | 03/05/2007

pauta@mundodomarketing.com.br

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Autor: Stivy Malty Soares


Sim, há um sem número de afirmações deficitárias de embasamento e visão generalista na nova febre que acomete as mesas de discussões do meio. A assinatura de um decreto e as intenções de estudos e investimentos, por parte do governo e da iniciativa privada, não serão suficientes para termos em prática e no prazo esperado a tão debatida rede de TV Digital no Brasil.

Quem acompanhou o NAB 2007, em Las Vegas, como quem respira o ambiente das emissoras, sabe que ainda há um caminho demasiado extenso por ser percorrido até que a tecnologia decole. O próprio governo americano estendeu o prazo para extinção da difusão analógica por mais 15 anos, lá. No Brasil o prazo "final" é 2016. Uaaau! Antes dos Estados Unidos!!! Alguém arrisca um prazo real? 2020? 2030?

Apesar das dificuldades que ainda virão, logicamente, qualquer avanço é sempre muito bem vindo, e visto, principalmente quando promove inclusão social e, neste caso, digital em seu amplo sentido. Um rol importante de interesses e tendências que permeiam o tema, todavia, não tem recebido a devida atenção que, neste ato, está focada em questões muito específicas e restritas à tecnologia.

São benefícios claros e diretos, oriundos da tecnologia apresentada pela TV digital, independente de ser a japonesa, americana ou européia, a significativa melhora na qualidade da imagem, que perderá todo o ruído, afinal, no sistema digital, ou a imagem é perfeita ou não existe, e na qualidade do áudio, além de uma certa interatividade, alvo, nesta exposição pouco técnica, porém, realista do ponto de vista comercial, das principais demandas. Dados expostos e idéias compartilhadas no quesito qualidade, acredito, vamos ao tema espinhoso.

Estima-se um gasto da ordem de alguns bilhões de dólares para os próximos anos, - ninguém ainda arriscou com precisão - destes, a maior parcela ficará por conta do consumidor, apenas na aquisição dos receptores e unidades decodificadoras dos sinais digitais ou de aparelhos televisores preparados, e transmissores para comunicação bidirecional, e outra com as emissoras para a renovação dos seus estúdios, dos transmissores e para a aquisição sincronizadores (clocking), que resolverá o problema de concorrência de sinal onde mais de uma antena atuar, que, sozinhos, consumiriam todo o recurso disponibilizado pelo BNDS e muito mais.

O SBT acabou de conseguir o primeiro financiamento para o início do processo de digitalização com o BNDS, no valor de R$ 9,2 milhões, que deverá, apenas, preparar o caminho para começar a gastar. Aliás, precisavam pedir emprestado?

E por falar em BNDS, o Programa de Apoio à Implementação do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (Protvd) assegura uma política de financiamento à implantação do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre, com um montante de R$ 1 bilhão divididos em grupos com atividades de pesquisa e desenvolvimento, modernização da infra-estrutura, produção de seus insumos (software, equipamentos e componentes) e novos conteúdos digitais. Porém, esse financiamento deverá gerar recursos aos empreendimentos para que justifiquem seu retorno aos cofres públicos, e justamente aí é que está o problema. Aumento na qualidade da imagem e de áudio não aumenta a receita das emissoras, talvez um pequeno aumento na abrangência do seu sinal, questionável, dadas as características dos sinais digitais.
 
Se pautarmos os argumentos na qualidade, encontraremos pesquisas que mostram que cerca de 5,2 milhões de brasileiros ainda possuem apenas televisores em preto e branco, que costumam ter um custo máximo na ordem dos R$ 100,00, que é o preço inicial estimado para o Set-Top Box (STB) para a recepção do sinal digital. - Imaginem a festa de todo esse povo recebendo sinal de imagem com alta definição (HDTV) e som em Dolby Surround nas suas caixinhas de 10 polegadas em P&B! Uhuuu!

Ainda poderíamos abrir detalhes comparativos entre o número de domicílios com TVs em cores de pequeno porte frente às TVs de alta definição (HDTV), de plasma e LCD, estes sim os principais beneficiados com um sinal de melhor qualidade. Apenas os consumidores das classes A e B terão benefício direto desse ponto de vista e no quesito interatividade, que são exatamente os mesmos que já possuem acesso à Internet, em sua maioria, de alta velocidade.

Comprovado estatisticamente, a geração das classes A e B nascida após 1990, hoje consumidores, passam muito mais tempo em frente ao computador navegando do que em frente à televisão, efeito paradoxal ao que se espera com os investimentos em TV Digital, no sentido de que, como exposto acima, será necessário que os investimentos nessa tecnologia gerem um retorno financeiro capaz de cobrir os custos e ainda dividendos. Como? Nem Coperfield vai dar conta do recado!

Se o novo consumidor, público alvo da TV Digital, passa mais tempo na Internet do que em frente à TV, e considerando a premissa indiscutível da super interatividade proporcionada pelo ambiente web, que sentido faria tirar dinheiro daqui para aplicar em algo com apelo talvez social que, ao que tudo indica, terá baixa aderência a quem de interesse?

Chegamos ao pivô da discussão, a web como plataforma para as TVs.
A Web proporcionará às emissoras algo inimaginável de se conseguir com a TV Digital, tanto quanto com a TV analógica, a interatividade plena e bidirecional, por conceito, com o consumidor. Nesse sentido, a TV Digital ficará às margens.

Obviamente isso não significa a extinção da TV, muito menos uma migração em massa, porém, quando se pensar em interatividade e participação, não se pensará nela, mas na Web. Isso não significa que o Joost, o novo EyeVio, da Sony, o YouTube ou mesmo os sistemas de redes privadas, como o Globo Mídia Center e o PipeLine da CNN, serão a revolução, pois falta a todos atender aos interesses das emissoras, ao invés de apenas do público. Nesse sentido, já nos corredores das grandes emissoras de TV e das novas WebTVs, circulam comentários sobre o HYPEst, um projeto brasileiro que deverá mudar de forma irreversível o conceito de medição de audiência, hoje duvidosamente estimada, a aplicação de campanhas de marketing finamente direcionadas e assertivas, dada a precisão e qualidade de informações sobre o perfil do espectador, além da forma como o público assiste e interage com a TV.

Argumente que a TV Digital também oferecerá interatividade, ao que respondo que, de fato, porém, muito limitada e com mais custo adicionado para a compra de transmissores, via Internet (olhe ela aí) ou, no mais básico dos recursos, através de uma linha telefônica comum. Se é para gerar mais custo, que se invista na própria Internet, que já é o principal meio de informação e comunicação dos novos consumidores.

Por que uma emissora, com claros fins lucrativos, investiria bilhões em equipamentos para o sistema de TV Digital se o seu maior consumidor, fonte de maior receita, está na Internet, ambiente no qual se consegue resultados muito mais positivos com cerca de um décimo do investimento previsto para o meio discutido nesse artigo?

Outro ponto positivo da TV digital é a possibilidade de assistir a programas em horários alternativos, porém ainda sincronizados com a transmissão das emissoras, o que é facilmente coberto pela Web, que traz como conceito básico a flexibilidade da audiência em qualquer tempo, sobre qualquer plataforma e em qualquer lugar.
Opa... Em qualquer lugar?
Exatamente. Através da Web qualquer pessoa pode assistir a qualquer programa de qualquer emissora, a partir de qualquer lugar no mundo e quando bem entender. E onde fica a TV Digital? Sumiu novamente? Opa!

Para encurtarmos a reflexão, que poderia gerar muitos parágrafos mais, deixando uma boa margem para discussões e críticas, que estou certo, irei receber, deixo um pensamento sob forma de questionamento.

-> A digitalização do sistema de televisão é um caminho sem volta e muito bem vindo e almejado, pois nos coloca numa nova etapa repleta de possibilidades ainda não discutidas, porém, erra-se em afirmar que a TV Digital é revolucionária, sob vários aspectos, daí as falácias sugeridas pelo título deste artigo. Então, pontos positivos e negativos considerados, qual o futuro dessa tecnologia frente ao poder da Web como nova plataforma para as emissoras?

Batam!
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