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Inovação na sala de aula

Formação para o mercado ou para a vida? Os dois

Por: | 23/08/2016

rafa_villas_boas@hotmail.com

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Um paradoxo que vêm se acentuando nos últimos anos diz respeito ao enfoque da formação universitária. O resultado do Ensino Superior deve ser um conhecimento global, abrangente e humanístico ou o desenvolvimento de competências de alto valor para o mundo do trabalho? O que diferiria, nesse caso, o Ensino Superior do Técnico? E como comunicar formação holística para uma audiência que valoriza a empregabilidade?

Os educadores sabem que é mais importante formar cidadãos no sentido mais amplo que profissionais obtusos e segmentados. Até porque cidadão mais bem formados, em sua dimensão humana e teórica, tornam-se os melhores e mais requisitados profissionais do mercado. O próprio conceito de Universidade chancela e qualifica tudo o que é universal e a missão social dessa organização não se restringe a formação profissional ou técnica.

Ao mesmo tempo em que defende a formação para valores mais profundos que apenas "tecnologias específicas" os Docentes e Acadêmicos em geral são cobrados pelo mercado sobre "performance de empregabilidade" e "inserção profissional". As pesquisas sócio educacionais são diretas na "expectativa dos alunos com a graduação: melhoria da qualidade de vida e profissional".

A missão da universidade deve ser criar condições para que seus estudantes conquistem seus objetivos profissionais e, por meio deles, sua felicidade. Por vezes a universidade aproxima sua comunidade da felicidade, não apenas por meio da formação. Muitos estudantes fazem amigos, viajam, namoram e casam durante sua passagem pelo Ensino Superior. São lembranças para toda a vida e o impacto da universidade na vida de seus alunos beira a eternidade.

Henry B Adams já disse que "nunca se sabe até onde vai a influência de um professor. Um professor sempre afeta a eternidade". Restringir a formação e o enfoque a "profissionalização" é, portanto, equivocado. Por mais que os alunos respondam que esperam somente o conhecimento específico, é importante que tenham outros princípios desenvolvidos em sua passagem pela IES.

Recentemente, uma série de pesquisas tive a pretensão de encontrar a resposta a essa questão milenar da condição humana: "A Busca pela Felicidade". Enquanto para os materialistas de plantão o caminho passa impreterivelmente por bens e serviços (smartphones, SUVs, Lofts, Cirurgias Plásticas, Fast Food, Fast Love etc), os recentes estudos espiritualizam um pouco mais a resposta.

Apontam que a felicidade não necessariamente esteja tangibilizada na forma de objetos de consumo e que o verdadeiro êxtase pouco tem a ver com bens físicos e materiais.

Não que a miséria seja o caminho. Pelo contrário. É mais complexo falar de Felicidade quando falta o essencial dizem os cientistas. Mas ao contrário do que pensamos na maior parte do mundo capitalista, o excesso não é o único caminho. Isso é o que afirma o economista britânico Richard Layard em seu livro "Happiness: Lessons From a New Science".

Segundo os estudos desenvolvidos por Layard no último século, os EUA viram crescer a renda, o poder de compra e a criação e democratização de luxos para a média da sua população, com uma força sem precedentes na história da humanidade. Esse crescimento não acarretou em um aumento proporcional ou correspondente no sentimento de contentamento, contudo.

Em vez disso, nos últimos 50 anos, os norte-americanos vivem em uma linha reta de felicidade, que ele chama em seu livro de "platô da felicidade". O cientista pondera alguns pontos interessantes que deveriam ser melhor esclarecidos nas salas de aula do Ensino Superior:

a) A felicidade é um parâmetro e nós costumamos comparar nossa condição (as coisas que possuímos) com as das outras pessoas em busca de referenciais.

b) A superexposição a televisão e suas fórmulas mágicas de felicidade industrializada pela publicidade e as redes sociais e o compartilhamento seletivo de "momentos", felicidade enlatada e em pílulas, tende a criar no consciente coletivo uma insatisfação generalizada.

Afinal, nada nunca está tão bom como na propaganda e a grama dos atores da Globo tende a ser sempre mais verde na telinha. A audiência é estimulada a confundir necessidades com vontades e a felicidade tende a ser um ideal construído em algum núcleo de dramaturgia.

- Layard conclui que quanto mais televisão se assiste menos feliz se é. Arrisco afirmar que a mesma relação ocorra no Facebook e Instagram.

A saída segundo o cientista e na opinião de outro autor (o professor de governo de Harvard Robert Putnam no livro "Bowling Alone") está em:

a) Maior socialização e interação presencial com as pessoas que amamos (amigos, família) e menos individualismo (televisão é uma atividade que exercemos sozinhos e as redes sociais nos iludem ao nos "aproximar a distância").

b) Maior investimento na comunidade e menos ênfase em ter e mais em dar.

Sob a perspectiva social os autores afirmam que a humanidade atravessará um período de renascimento espiritual ou de um sentido maior de solidariedade entre as pessoas. Além do excesso de mídia e individualização, existem outras barreiras no caminho para a felicidade. Entre eles a configuração do mundo do trabalho. As mudanças drásticas na forma de trabalhar e a cobrança crescente por resultados.

Preparar os alunos para esses dilemas da vida adulta e para conseguirem extrair mais de suas vidas deveria ser uma responsabilidade das Instituições de Ensino Superior privadas. Inovar nos conteúdos de forma a conciliar as necessidades de formação para o exercício profissional com os valores maiores. Afinal, a felicidade reside no equilíbrio. E é fundamental que as IES inovem no seu serviço de maneira a contribuir de forma determinante na jornada da vida de seus estudantes. Mudando um pouco o enfoque do material para o humano.

Não que não tenhamos sido avisados da importância dessa mudança ainda em nossa infância. Quem afinal não se lembra do Urso, amigo do Mogli, no recente filme da Disney cantarolando o essencial:

"Eu uso o necessário/ somente o necessário/ o extraordinário é demais/ Necessário, somente o necessário/ por isso é que esta vida eu vivo em paz..."

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O Marketing Educacional é imperativo para o crescimento institucional e inspirar-se em boas práticas pode fazer a diferença nas operações e carreiras dos executivos do segmento.

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