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Consumer Insights: A lógica do consumo pelo olhar da antropóloga Hilaine Yaccoub

Mudando para a favela: Vai um ?gato? aí?

Enfim terminei a mudança para a favela nesse sábado. O que percebi foi uma curiosidade dos vizinhos e transeuntes, olhares atentos a todos os movimentos de carrega, sobe, desce, arruma, leva e traz...

Por: | 05/06/2012

hilaine@gmail.com

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Enfim terminei a mudança para a favela nesse sábado. O que percebi foi uma curiosidade dos vizinhos e transeuntes, olhares atentos a todos os movimentos de carrega, sobe, desce, arruma, leva e traz. Alguns brincaram com o esforço em vão quando as panelas acabaram caindo da minha mão. "Está chovendo panela?" - brincou um senhor passando por mim.

Outro, o vizinho da frente, um português ainda com sotaque carregado, apesar dos seus 50 anos de Brasil, sendo 42 deles vividos na favela, chamou a minha atenção para o carro parado na frente da nova residência: "Olha, é melhor vocês tirarem logo esse carro, porque os meninos lá não vão gostar nada disso". Leia-se meninos = traficantes locais.

Mais que depressa abro a mala do carro para mostrar o botijão de gás dentro. Serviços de entrega??? Não conhecia e os meus contatos da localidade também não. Lá fomos nós, eu e meu parceiro de pesquisa carregar escada acima aquele peso todo.

Arrumada a casa, itens em ordem, primeiras compras (suprimentos) devidamente armazenados, lá fomos nós descobrir como instalar os serviços. Na pequena favela (cerca de 22 mil habitantes), existem duas lojas de construção que são referência para todos os tipos de serviços. Ao entrar em uma delas perguntamos sobre o valor da antena de TV, afinal de contas, ficar sem televisão nesse momento não dá. O papo principal do salão, dos vizinhos está relacionado com a novela, com o fantástico etc. Chegando à loja, papo vai, papo vem, comento com o proprietário, um senhor de meia idade muito atencioso e solícito, que logo percebeu que eu era um peixe fora d´água, que gostaria mesmo era de uma TV a cabo (na verdade eu queria testar a resposta).

Mais que depressa ele nos disse: "Ah, mas vocês tão querendo os gatos todos?!" - fiquei curiosa, "gatos todos"? O que seria?

Logicamente que insisti, ri um pouco e perguntei de forma solta e engraçada, "gatos todos? Como é isso?". Ele mais que depressa perguntou meu endereço e disse que o Roger é quem cuida da minha área e, detalhe, era com ele eu trataria dos "gatos" de internet, de TV, de luz etc. "O Roger é o cara!", pensei.

Agora me encontro à espera do famoso "profissional" responsável pela minha área, para resolver todos os problemas da minha vida. Fácil assim... tudo com a mesma pessoa, sem precisar ligar, esperar, explicar, ser transferida para outro atendente, e outro, e outro, explicar tudo novamente, anotar protocolo, agendar visita, ficar presa o dia todo esperando o técnico, torcer para a conta e o pacote não virem errados. É, realmente, morar e viver na favela tem, sim, pontos positivos e esse com certeza é um deles. E viva o Roger!

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Biografia

PHD em Antropologia(UFF), há mais de 15 anos atua em pesquisas customizadas, consultorias, cursos in company e palestras

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