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Consumer Insights: A lógica do consumo pelo olhar da antropóloga Hilaine Yaccoub

Amélia x Mulher Contemporânea

Fui convidada para participar de uma festividade de uma das igrejas evangélicas locais. Achei prudente comparecer, seria a oportunidade de estabelecer vínculos e estar perto dos vizinhos

Por: | 30/03/2012

hilaine@gmail.com

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Fui convidada para participar de uma festividade de uma das igrejas evangélicas locais. Achei prudente comparecer, seria a oportunidade de estabelecer vínculos, estar perto dos vizinhos e perceber valores socioculturais.

Chego à Igreja que estava toda enfeitada de rosa... "a cor da mulher", pensei. São várias palestrantes, que dividiram a árdua tarefa de entreter os convidados, 80% do público feminino, claro, a festa era pra nós.

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Num dado momento, uma jovem muito bonita toma o microfone e faz uma homenagem às mulheres com fotos em slides dos membros femininos da igreja, embaladas por uma música ao fundo, era uma montagem simpática.
 
Até que ela abre a boca e pronuncia: "Tá certo que a Amélia é a mulher de verdade, mas nós que temos várias tarefas, somos esposas, mães e trabalhamos fora também, merecemos homenagem."

Fiquei um pouco surpresa pela comparação vinda de uma jovem beirando os 25 anos em pleno século XXI... Como assim a mulher que trabalha fora não seria a mulher de verdade? Talvez aquela que gostasse de passar fome ao lado do marido, que não tinha vaidade e que nunca reclamava por qualquer dificuldade? Financeira, de consumo, de privilégios?
 
Parei para refletir e relativizei (primeiro passo para o exercício antropológico):

Ao olhar o entorno, vi mulheres com média de 50, talvez 60 anos, que possivelmente vivenciaram uma vida toda de Amélia até o presente momento. Possivelmente, aquela jovem estivesse, na verdade, se referindo à própria mãe, como tantas outras, de gerações anteriores à dela, que vivenciaram situações complicadas e desiguais em um universo onde mulher que apanha é porque deve ter culpa no cartório, e que aguentaram firme para que suas filhas e filhos pudessem de fato ter outras oportunidades e escolhas.

Após a pregação fui convidada a participar da festinha no piso superior, nunca comi tanta torta de salsicha de diferentes tipos em toda a minha vida. A fartura de bebida e comida era notória para alegria da criançada que acompanhava mães e avós. E trouxe para casa uma lembrancinha desse dia, coloquei na pia do banheiro para enfeitar.

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Todos os dias, ao olhar para o vasinho de flor artificial, lembro das Amélias que agora passam a fazer parte da minha vida. Seus anseios, experiências, sacrifícios me interessam e são elementos da minha pesquisa que acaba de se iniciar.

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Biografia

PHD em Antropologia(UFF), há mais de 15 anos atua em pesquisas customizadas, consultorias, cursos in company e palestras

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