Publicidade

Patrocínio

Publicidade
Publicidade Publicidade Publicidade
Mundo do Marketing Inteligência

Artigos

A hora-homem mais cara do mundo

Precisamos, a passos serenos, criar novos indicadores de sucesso: pessoas que despertaram para uma nova relação consigo e o mundo, que melhoraram sua relação com a família...

Por | 29/09/2016

pauta@mundodomarketing.com.br

Compartilhe

Evoluir tem sempre conexão com embates que provocam catarse: duas forças aparentemente divergentes se chocam, cativam seus seguidores, expõem suas ideias, revelam suas sombras e prontamente as pessoas se agrupam, como numa porta da esperança, naquele modelo de pensamento que parece mais coerente e alinhado a seus valores. Muitas vezes é percebido um vencedor, ou ao menos ciclos em que vencedores se alternam, afinal liderar é natural e necessariamente ser parâmetro para a mudança.

Existe um embate, porém, que parece persistir silenciosamente entre nós, sem vencedor. O da automação versus a sensibilidade humana. Ele começa se manifestando em cada um de nós, na relação que temos com a tecnologia, o trabalho e em como estamos preservando ou não nossa melhor versão de ser e estar. Sentir-se frio, anestesiado e com aquela fundura no olhar tem sido o pior castigo dos novos tempos, com o qual ninguém quer se deparar.

No tal "mundo dos negócios", isso também acontece. Duas correntes coexistem: a que se abre lindamente para a inovação consciente - com organizações e marcas desenvolvendo estratégias, projetos, produtos, serviços e mensagens que aproximam lucro e propósito, provando que para gerar valor não é necessário sacrificar valores - e a das constelações de processos, exageros hierárquicos e KPIs herdados da cartilha do que é ser uma empresa eficiente no século XX.

Em meio a isso, instala-se uma lógica caórdica. O equilíbrio dinâmico entre o costume de seguir o sistema (e a consequente dormência que resulta dele) e o ímpeto de valorizar o elemento humano (e a consequente energia que resulta dele) ainda coloca as organizações em crises existenciais complexas. Crises da organização com o mundo e a sociedade, dos colaboradores entre si e dos colaboradores consigo mesmos.

Enfim. Este artigo não tem a pretensão de responder ao que eu poderia chamar de embate do século XXI, e que deve perdurar por alguns bons anos, mas sim iluminar o avanço que é estarmos navegando essa crise. Mesmo que para muitos ainda seja surfar uma moda, sem necessariamente ser um movimento consciente, "fazer o bem" está virando um pouco mais mainstream a cada dia. É verdade que essa boa intenção, ainda contaminada pela nossa dormência, acaba rendendo frutos menos saborosos, mas enquanto estivermos dando quatro passos para frente e em seguida dois ou três para trás, estaremos indo adiante na promoção dessa conversa curiosa e autêntica entre nosso coração e nossa mente.

A pergunta que deveríamos nos fazer é: ainda que a decisão pautada pelo olhar humano não pareça a mais lógica para as metas e o caixa, há outra coisa a se fazer? É possível abrir mão da certeza do melhor caminho? Quando as lideranças estiverem de fato mais imersas nessa paz da melhor escolha, os profissionais ainda submetidos a elas pelas estruturas hierárquicas se sentirão certamente mais tranquilos de também fazer a melhor escolha. E a melhor escolha é sempre a melhor para todos.

Precisamos, a passos serenos, criar novos indicadores de sucesso: pessoas que despertaram para uma nova relação consigo e o mundo, pessoas que melhoraram sua relação com a família, pessoas mais aptas a exercer um papel ativo nesse contexto de transição em que vivemos, visões de mundo impactadas e modificadas, decisões mais leves e bonitas tomadas por dia.

Enquanto de um lado a inteligência artificial avança com a ideia de otimizar e multiplicar nossa capacidade criativa e comunicativa, de outro precisamos lembrar que não viemos ao mundo para acelerar as coisas. Esse não é nosso brief. Não viemos ao mundo para descobrir que é possível criar cem vezes mais do que criamos hoje. Viemos para sentir prazer ao criar.

O trabalho do ser humano e seu esforço em colocar amor e ética no que faz não é tempo perdido. É nosso único canal para criar e ver beleza. Talvez por isso, de tempos em tempos me assalta uma certeza estranha, com uma dose cavalar de confiança: a hora-homem mais cara do mundo ainda será a do poeta.

Por: Victor Cremasco

Sócio e Relações Institucionais da Mandalah, consultoria global de inovação consciente. É também leitor de Manoel de Barros






Comentários


Publicidade

Publicidade

Voltar ao Topo

Copyright © 2006-2018.

Todos os direitos reservados.

Assine o Mundo do Marketing Inteligência

Copyright © 2006-2018. Todos os direitos reservados. Todo o conteúdo veiculado é de propriedade do portal www.mundodomarketing.com.br. É vetada a sua reprodução, total ou parcial sem a expressa autorização da administradora do portal.

Auditado por: Metricas Boss