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C2 Montreal: um evento único de inovação no Canadá

Quando pensamos em locais que sejam referência em tecnologia e inovação, Montreal dificilmente é um dos primeiros lugares a vir à mente, mas a cidade vem se tornando um hub de IA

Por | 03/06/2019

pauta@mundodomarketing.com.br

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Quando pensamos em locais que sejam referência em tecnologia e inovação, Montreal dificilmente é um dos primeiros lugares a vir à mente. Apesar disso, Montreal tem se tornado um hub de inteligência artificial, além de possuir uma forte indústria de entretenimento. A C2 (Commerce + Creativity) surgiu com o propósito de mostrar a C-levels do mundo todo o potencial do ecossistema da capital do estado canadense de Quebec.

Um festival que incentiva a participação ativa do público
Embora haja uma programação de palestras, como em outros eventos, o C2 opta por uma programação de conteúdos mais enxuta, e privilegia a interatividade e os inputs do público. E essa característica do festival acaba servindo também como ativação de algumas empresas locais.

Uma das ativações mais comentadas foram os chamados `Braindates´. Iniciativa da empresa local e180, os Braindates são encontros onde participantes do público geral que não se conhecem se encontram para discutir um tema de interesse comum.

E se a conversa com seu Braindate foi boa, a troca de contatos foi muito facilitada com o recurso da klik, outra empresa local. Bastava encostar seu badge no badge da outra pessoa e os contatos estavam trocados automaticamente. A interação entre o público foi incentivada a ponto de ser gamificada pela própria organização do festival.

A yoga também apareceu nas instalações do festival. A Stradigi AI, empresa local que recebeu aporte de will.i.am, colocou artistas fazendo yoga sustentados por cordas. Já o Facebook trouxe uma das ativações mais comentadas do festival - a baby goat yoga. Participantes puderam praticar yoga dividindo um espaço com filhotes de bode.

Storytelling é para qualquer negócio, mas precisa fomentar comunidades
A NASA explora os extremos da curiosidade humana ao buscar entender o espaço e ao mesmo tempo se empenha em entender o que acontece no nosso planeta. Escolher quais missões seguir e colocar cientistas e público na mesma página é um desafio, como contou Paul Propster, estrategista da agência espacial norte-americana. E para essa tomada de decisão e para o processo de comunicação com o público, a agência conta com a ajuda de gigantes do entretenimento como Disney e Pixar. Usando expressões comuns de histórias como "Era uma vez", "Todo dia", "Até que", como parte de um framework mais abrangente, a NASA tem conseguido se comunicar com mais clareza com cientistas e com o público em geral.

Mas usar Storytelling não é o suficiente. Experiente no mundo dos games e do entretenimento, Alexandre Amancio, CEO da Reflektor falou sobre Storytelling Transmídia - usar diversas formas de mídia de maneira complementar para contar uma história. Amancio ressaltou a que a reciprocidade com fãs é fundamental ao se comunicar com o público. Citando o exemplo de wikis criadas por fãs de franquias como Star Wars, ele comentou a importância de nutrir o relacionamento com fãs de marcas - "Se olharmos para os últimos anos, veremos que os fãs estão ansiosos por essas coisas (...) E se você os ignora, poderá ter uma reação adversa deles".

Para Amancio, o grande desafio do Storytelling Transmídia nos próximos anos é conseguir extrair receita dos diversos canais utilizados pelas empresas. Para ele, a indústria do entretenimento segue presa em silos de forma que os canais alternativos de comunicação trabalham com o único propósito de conduzir o consumidor ao principal canal da empresa.

O futuro do Branding
Debbie Millmann é uma consultora com vasta experiência em Branding, e na C2 apresentou uma masterclass sobre a história deste campo, com um olhar bastante abrangente - "Digo que as primeiras marcas surgiram a 10.000 anos, quando começamos a nos maquiar para ficarmos bonitos para Deus".

As marcas são um reflexo dos tempos em que estamos. "Diz muito sobre nossas prioridades", comentou Millmann ao trazer o fato de que a primeira marca comercial registrada no Reino Unido foi a da cerveja Brass Ale. Outro reflexo vem dos tempos mais recentes e tem a ver com aqueles moram sozinhos - "Isso é desconcertante. Em 60 anos fomos de 1 pessoa em cada 10 para 1 pessoa em 3 [morando sozinhas]. Essas pessoas eram desajustadas. Agora, a pessoa solteira morando sozinha é um rito de passagem, algo que aspiramos."

Para Millmann o lançamento do iPod representou uma nova era onde essa individualidade foi ressaltada. O gadget passava a mensagem para os outros de "eu sei que você sabe que eu sei que já estou no próximo ano". Mas para o futuro, Millmann acredita que as marcas precisam trazer impacto positivo em um sentido mais amplo - "O mais importante agora não é um novo formato ou um novo sabor(...) O importante é fazer a diferença na vida das pessoas e do planeta".

O impacto da Inteligência Artificial
"Isso tem acontecido em todas as décadas nos últimos 50 anos", disse o pesquisador de Inteligência Artificial e Cientista de Dados Pedro Domingos, sobre as previsões apocalípticas de que a tecnologia acabará com os empregos - "200 anos atrás, 98% das pessoas trabalhavam no campo, e hoje só alguns de nós estão desempregados". Além de acreditar que surgirão novos trabalhos, Domingos aponta que nossa capacidade de aprendizado é maior que a de algoritmos de Inteligência Artificial - "Humanos aprendem de maneira fantasticamente melhor que AI(...) Somos misteriosamente eficientes, e essa é minha parte favorita".

Mas isso não quer dizer que a tecnologia mais comentada do momento deixará de causar transformações profundas no mercado. Para a CEO da empresa de Healthtech United Theurapeuticals, Martine Rothblatt, a Inteligência Artificial impactará profundamente seu setor de atuação - "IA será a grande força transformadora no setor de exames médicos e farmacêuticos. Daqui a 10 anos algo que custa 1 bilhão de dólares deverá custar 1 milhão e assim sucessivamente."

O C2 é um festival diferente dos outros por seu enfoque na experiência dos participantes, para além das palestras, que contam com speakers de ponta. O conforto dos participantes também não foi deixado de lado, já que a boa quantidade de food-trucks disponibilizadas, além dos vários powerbanks garantes que o participante terá uma experiência bastante fluída.

O vídeo da edição de 2020 já está disponível:

Por: Vanessa Mathias

Cofundador na WhiteRabbitTrends


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