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O que não estamos vendo?

Silvia Andrade apresenta reflexões do SWSX, realizado no Texas

Por Silvia Andrade - 08/04/2022

“Você constrói o futuro todos os dias com suas escolhas. E cada escolha é uma oportunidade de fazer um futuro melhor”. A mais aguardada atração do SXSW finalizou assim sua já famosa palestra sobre as tendências dos próximos 5, 10 e 15 anos no maior festival de inovação do mundo. Renomada futurista, a fundadora e CEO do Future Today Institute Amy Webb elegeu alguns macro temas para destacar do relatório anual produzido pela instituição que lidera: inteligência artificial, metaverso, identidade digital, biotecnologia, blockchain e home of things.

Mas por que IA seria uma tendência se já é uma realidade? Webb destaca que a terceira era da computação será um impulso gigantesco para as possibilidades e os impactos da tecnologia. O avanço será tal que a linha divisória entre inteligência artificial e inteligência real ficará irreconhecível e confusa, provoca a futurista. A consequência é a remodelação da economia do conhecimento. Segundo suas previsões, essa tendência poderá evoluir nossas formas de reconhecimento, permitindo identificar uma pessoa pela respiração ou pelos batimentos cardíacos.

Um dos grandes focos do festival neste ano, o Metaverso também foi esmiuçado por Amy Webb. A tendência, diz ela, é a existência de várias versões digitais de nós mesmos, cada uma com um propósito específico. O resultado é uma fragmentação ainda maior da percepção e da própria realidade, criando-se uma distância entre quem a pessoa realmente é e quem ela projeta no universo online.

A especialista aposta que teremos uma única ID digital para autenticar nossa identidade em todos os ambientes online de forma interoperável, que permite ser utilizada em diferentes sistemas. Essa visão de futuro é muito compartilhada pela unico, primeira ID Tech brasileira, e que já utiliza a identidade digital por meio da biometria facial para conectar, com segurança, pessoas a diferentes produtos e serviços no Brasil. 

E neste caminho que liga presente e futuro, o que Amy Webb nos ensina está mais no exercício de olhar do que em previsões ou tendências. Adotar uma postura curiosa  e sem muitas certezas nos permite imaginar cenários alternativos, funcionando como um poder de influenciar como esse horizonte será moldado.

Isso está explícito quando ela enfatiza sobre o conceito de “re-perception” (“re-percepção”, na tradução livre do inglês), que é a habilidade de ter um olhar diferente sobre o novo, uma busca além do óbvio. “A re-percepção é a essência da criatividade, do empreendedorismo e da inovação, e a qualidade essencial de bons líderes. Não é sobre prever o futuro, mas sobre lidar com ambiguidade e incertezas para tomarmos melhores decisões hoje.”

Olhar diferente sobre o novo. Essa é a grande lição da futurista na palestra da edição de 2022 do SXSW. O olhar diferente possibilita construir um futuro com nossas escolhas, como Amy finalizou sua instigante reflexão. No fim, é um chamado, um manifesto em prol da criatividade humana. Como grande defensora da curiosidade como ferramenta de criatividade, termino com uma provocação para atiçar essa vontade de buscar o além do óbvio. O que não estamos vendo?
 

Por: Silvia Andrade

Silvia Andrade é Diretora de desenvolvimento de negócio, canais e parcerias estratégicas na unico.