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Planejamento Estratégico

Quer resultado no digital?

Rui Piranda estimula reflexão sobre como o acesso a soluções tecnológicas pode se tornar algo mais humanizado

Por Rui Piranda - 02/08/2022

O Festival Cannes Lions é um evento em que sempre circulam ideias muito atuais e inovadoras. Foi lá que eu ouvi a seguinte frase: “a tecnologia nos faz ficar cada vez mais humanos”. A afirmação tinha como base o fato de que, hoje, temos acesso a soluções tecnológicas que permitem, entre muitas coisas, que a gente se conheça melhor, seja menos invasivo no contato com o outro e mais assertivo nas análises, reflexões e percepções.

Eu acredito muito nesse potencial de softwares, aplicativos e plataformas digitais. Mas, por já ter trabalhado tanto com CRM, digital e programática, sei que, especificamente no ramo da publicidade, nem todo mundo tem esse olhar mais construtivo para a tecnologia. Na ânsia por simplesmente incrementar o faturamento, muitas marcas se preocupam mais com o número de cliques do que com a percepção que seu público-alvo está construindo no percurso.

É claro que as empresas querem e precisam vender. É uma questão de sobrevivência. Mas que tal fazer isso utilizando a tecnologia como forma de saber como ter um melhor produto ou serviço, humanizar a marca, aproximá-la dos indivíduos, saber como ser mais útil, inclusiva e ética?  Estou falando em construir uma comunicação inteligente que leve a uma relação real. Minha recomendação sempre é: prefira não insistir em impactar as mesmas pessoas, nas mesmas mídias, do mesmo jeito e com o mesmo assunto. Trate-as como seres humanos individuais que são. Veja um exemplo na prática.

Recentemente, estruturamos uma campanha para uma instituição de ensino de alto valor. Em vez de focar toda a nossa energia em uma única comunicação de mídia, optamos por nove temáticas diferentes. Destacamos a existência de um bosque, os conteúdos e métodos pedagógicos, as facilidades do transporte e as vantagens das paredes removíveis nas salas interativas, entre outros pontos fortes. Com isso, conseguimos acessar pais e mães da região de uma maneira mais ampla.

E, claro, enquanto os impactos da campanha aconteciam, tivemos a oportunidade de avaliar qual abordagem estava dando mais certo e, assim, corrigir ou ajustar rotas para melhorar as conversões. Mas não insistimos com a mesma peça. Olhamos na direção e buscamos novos conteúdos. Dá mais trabalho? Dá. Mas a percepção dos prospects, futuros clientes, foi contemplada e os resultados foram financeiramente relevantes. Na prática, estabelecemos uma relação através do conteúdo, sem aparentar estar perseguindo o consumidor em sua navegação. Parece óbvio? Parece. Mas, principalmente quando se fala de performance, o mercado, muitas vezes, está na contramão do que acabei de dizer.

Comunicar é muito mais do que transferir uma informação ou perseguir uma meta que ponha em risco a imagem da marca. Principalmente para clientes de alto valor. Saem de cena as ações para vender a qualquer custo, dando espaço àquelas que despertam no público-alvo o desejo de ter um relacionamento com a marca por seu posicionamento relevante e inspirador.

Quer resultado no digital? Então não seja monotemático. A tecnologia permite que você seja mais interessante, relevante... humano a cada novo contato.


 

Por: Rui Piranda

Rui Piranda é sócio-fundador da agência de comunicação integrada ForAll e colunista colaborativo do Mundo do Marketing. Foi diretor Executivo de Criação da FCB, sócio da Datamidia, FCBi e fundador da Dradt Worldwide.