Artigos

Publicidade
Publicidade
Planejamento Estratégico

A COVID-19 e o que definirá o sucesso ou o fracasso no mundo dos negócios

A grande lição que a pandemia tem trazido às empresas é que aquela história que os visionários já vinham contando sobre a nossa realidade ser “líquida” não era bem só uma história, mas um cenário bastante plausível

Por Ricardo Inforzato - 17/09/2020

Estamos sob o impacto da pandemia de Covid-19. Um vírus veio e arrasou quase tudo o que conhecíamos antes como corriqueiro. Passamos a viver num chamado “novo normal”. Praticamente tudo foi mudado na minha vida, na sua, nas empresas, nas cidades. As relações que antes existiam podem não mais fazer sentido hoje. O que antes era considerado como certo, agora pode não mais existir. A economia foi impactada, empresas fecharam as portas, pessoas perderam seus empregos e, pior, suas vidas. Como seria possível estarmos preparados para enfrentar tudo isso?

Diante desse cenário apocalíptico, parecia que nada tinha jeito. Mas você reparou que novas demandas surgiram? Que novos mercados apareceram? Que muitas empresas cresceram? Que novas formas de comunicação foram até mesmo redescobertas?

A grande lição que a pandemia de Covid-19 e seus reflexos têm trazido às empresas e aos seus gestores é que aquela história que os visionários já vinham contando sobre a nossa realidade ser “líquida” não era bem só uma história, mas uma realidade futura e um cenário bastante plausível.

Quem ouviu, captou, entendeu e refletiu naquelas palavras certamente buscou se adaptar para estar mais preparado e, quem sabe, encontrar oportunidades. Também levou essas empresas a tentar encontrar meios para evitar que a busca pelo foco não se tornasse um risco, haja visto que mercados poderiam ser afetados ou simplesmente dizimados por algo incontrolável e fora do foco estabelecido nos antigos modelos de negócios, como o surgimento de uma nova tecnologia ou, na realidade que vivemos, os efeitos de uma doença afetando toda a população mundial.

Outros dois grandes ensinamentos da pandemia: resiliência e adaptabilidade. Até pouco tempo, resiliência era a palavra da moda de onze em cada dez pessoas que se diziam empreendedoras. Entretanto, poucas saberiam realmente defini-la. Hoje, aprendemos na prática. Quem soube suportar o baque e fazer as coisas com discernimento, cuidado e controle, tem conseguido sair bem mais rápido da crise ou simplesmente pouco tem sentido os efeitos dela.

A adaptabilidade vem como uma alma gêmea da resiliência. Não basta apenas resistir, mas é preciso moldar-se ao que está acontecendo. E rápido, pois o que tínhamos antes da Covid-19 muito provavelmente não voltará a existir. A tendência é esse “novo normal” virar basicamente o normal e perdurar por muito tempo, até por gerações.

Sejam todos muito bem-vindos à era do lowtouch, do medo das aglomerações, do home office e do maior convívio em família, das relações cada vez mais interativas em telas de equipamentos, dos procedimentos para entrar em casa após uma breve ida à padaria (sapatos fora, área para retirada das roupas, banho, esterilização de equipamentos e compras).

Diante desse cenário, algo bem forte desponta, como o sol forte de uma manhã de verão equatorial quase cegando aqueles que viraram a noite sem dormir, trazendo desespero para quem não se preparou: a necessidade da Transformação Digital. As empresas, especialmente de micro, pequeno e médio portes, que se prepararam para uma realidade cada vez mais focada no digital e no mobile, tiveram menos problemas para alcançar seus públicos-alvos. Porém, aquelas que deixaram de pensar nisso, pois tinham a certeza de que já estavam bem estabelecidas em seus mercados (em seus “focos”), que achavam que bastava ter um pequeno site na internet construído pelo sobrinho do dono há alguns anos e sem qualquer manutenção, foram muitas dessas que fatalmente fecharam suas portas durante a pandemia.

Não foi somente a Covid-19 que fez muitas empresas quebrarem, mas sim a pequena visão de futuro e a não adaptabilidade de muitos administradores, gestores, empreendedores. Há pelo menos 15 anos se fala sobre o mundo digital. Há pelo menos 10 anos é falado sobre a interconectividade mundial. Tem mais ou menos o mesmo tempo que se alerta as empresas sobre o novo consumidor no poder por meio da internet. Há pelo menos oito anos ouço falar sobre o novo mundo aberto pela conexão mobile e sobre interpolação dos mundos real e virtual. Isso sem falar sobre os estudos de um mundo cada vez mais segmentado, nichado, individualizado, personalizado.

Não, não foi só a pandemia que causou o fechamento de inúmeras empresas, mas sim a falta de visão de muitos dos responsáveis por esses negócios, que não fizeram o que tinham que fazer quando tinham tempo para isso, que deixaram para depois algo tão crucial como a preparação de suas empresas para um mundo baseado em novas tecnologias de interatividade e, consequentemente, e de novas relações de consumo.

Darwin já advertiu que em ambientes competitivos, são os mais preparados que têm as melhores chances de sobreviver. A teoria da seleção natural se mostra implacavelmente verdadeira no ambiente empresarial durante esses tempos de pandemia. Não há mais dúvidas sobre isso. Mas a grande pergunta que você deve se fazer todos os dias é uma só, e ela definirá as chances de sobrevivência de seu negócio, carreira ou empresa: será que eu estou realmente preparado(a)?

Por: Ricardo Inforzato

Diretor de Planejamento e Estratégia da agência de Marketing Pílula Criativa