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Mídia exterior, política e poluição visual

Mídia exterior, política e poluição visual

Por Redação - 01/03/2007

Mídia exterior, política e poluição visual

Por Edson Zogbi*

Hoje, em plena época de divulgação maciça dos efeitos maléficos causados pela ação do homem na natureza, que prometem alterar a condição da nossa espécie para sempre, passamos por um problema, como se diria coloquialmente, no nosso próprio quintal. A cidade de São Paulo aprovou na Câmara dos Vereadores um projeto de lei que visa banir a publicidade das ruas. Objeto direto da aplicação desta lei são os outdoors e os painéis, além das empenas de prédios e tudo mais.

Além de ser uma mídia imposta ao cidadão, que não escolhe ter na sua frente, ela é poluição pelo excesso de informação que está exposta na totalidade do que está na rua, não pelo seu conteúdo isolado. Também é indubitável que absorvemos estas informações. Já é provado que registramos todas elas inconscientemente e que, se elas não nos dizem respeito, podem ser consideradas lixo informacional.

O lado social do desemprego causado pelas pessoas que trabalham neste segmento, se a lei for aplicada, deve sim ser objeto da responsabilidade pública, mesmo porque foram os órgãos públicos que permitiram este mercado se formar e chegar onde chegou. O mínimo que se espera é que haja um suporte para a recolocação dos empregados deste setor em outras funções, e que os empresários de mídia exterior recebam algum tipo de indenização, desde que tenham trabalhado regularizados até a retirada das suas placas.

É tudo muito claro, temos que aderir à mudança para combater a poluição visual da cidade e também temos que nos preocupar com as pessoas deste setor. Se fossemos um país de primeiro mundo, sem jeitinhos, conchavos, interesses empresariais vinculados a interesses políticos, talvez nem precisássemos de brigas para resolver isto.

São Paulo tornou-se uma cidade horrível porque seus defeitos ultrapassaram o bom senso e qualquer critério de qualidade de vida. O trânsito, a poluição do ar, o lixo, as pichações e a violência somam-se à poluição visual. Quando a lei do uso obrigatório do cinto de segurança chegou, todo mundo botou a boca no trombone. Depois ela foi disseminada para o país todo e hoje todos se acostumaram a usar os cintos, além de estarem mais seguros. Será que só passando pela educação imposta pela lei aprenderemos a nos comportar?

É uma pena, tudo isso deveria ser espontâneo, mas isso é assunto para outra hora. O que está mais intrigante nesse processo de retirada da mídia exterior é o comportamento de algumas agências e anunciantes. Tenho visto grandes marcas, de grandes empresas, continuando suas campanhas nos outdoors e painéis da cidade. Será que não percebem que estão expondo seu posicionamento como empresas resistentes à lei, incentivadoras da poluição, aproveitadoras, querendo usar outra famosa lei, levando vantagem em tudo?

Um profissional de mídia não deveria oferecer mais estes espaços. O atendimento deveria argumentar com o cliente que seria melhor não comprar os locais nas ruas. O próprio profissional de marketing deveria redirecionar esta verba para outras mídias em seu budget. Um movimento corajoso como este, com objetivos claros, deve contar com a adesão de todos envolvidos na comunicação.

Se a mudança é necessária não adianta tentar tapar o sol com a peneira, é melhor preparar-se para ela com idéias inovadoras, alterações de rumo e melhorias. A mudança deve ser vista como oportunidade, dá trabalho, mas quase sempre chegamos a patamares mais evoluídos após ela se instituir. Mídia exterior, go out!

* Edson Zogbi é Especialista em planejamento, marketing e comunicação do Varejo e Gestão da Inovação. Foi Diretor de Marketing do Grupo Projeção e da C&C, é professor na Pós-Graduação de Gestão do Varejo da Faculdade Trevisan e no MBA de Design e Marketing de Moda do IBmoda. É autor do livro “Inovação no Varejo - O que Faz o lojista Criativo”, da Editora Atlas. https://www.edsonzogbi.com.br/

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