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Mercado

A gente quer comida, diversão e arte

O mercado de entretenimento e a pandemia

Por Rafael Nascimento - 05/08/2020

Desafios de internet, lives, vídeos, jogos online, cantorias nas varandas, maratonas de séries, festas na sala e outras formas. O que não fazemos para buscar um pouco de entretenimento nesse momento de quarentena? Em lares com crianças então, a necessidade de reinvenção da diversão sobrepôs a necessidade de um ambiente quieto e arrumado.

Muitos de nós viraram youtubers, especialistas em Instagram, cantores, atores de faz de conta e muito mais, sem a pretensão de se assemelhar com os profissionais que já atuam em cada uma dessas áreas. E por falar neles, esse é um grande momento de se exaltar os profissionais da arte e entretenimento. Não há como negar sua enorme contribuição em um momento tão difícil quanto esse.

O mercado de entretenimento e mídia no país segue sendo o maior da América Latina. Segundo a PWC, em sua mais recente edição da Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia, o Brasil deve saltar de 36 bilhões de dólares (em 2018) para 47 bilhões de dólares (em 2023).

Boa parte desse incremento se deve ao aumento de assinaturas de acesso a internet. E o entretenimento online segue sendo bastante buscado em um momento como o de pandemia. Já o entretenimento outdoor teve de se reinventar dado a proibição de abertura de parques, bares e clubes em todo o país.

Os parques do grupo Cataratas no Rio de Janeiro, tais como o AquaRio e o BioParque (um novo conceito de Jardim Zoológico que reabrirá em breve) buscaram iniciativas para gerar um maior engajamento com os visitantes no sentido de educação ambiental.

Criaram câmeras ao vivo nos tanques dos animais para que os visitantes pudessem assistir a alimentação dos animais e assim estimular a experiência. Aliado a isso, a equipe de biólogos deram aulas sobre a fauna presente no AquaRio. E nesse momento em que crianças estão privadas de atividades de entretenimento outdoor, se torna uma forma de educar e entreter ao mesmo tempo.

Segundo Raphael Lobo, diretor comercial do Grupo Cataratas, sobre a reabertura dos parques pós-pandemia: “A preparação para reabertura já está ocorrendo dentro de todos os protocolos de segurança e, principalmente, buscando referências das medidas tomadas em diversos parques ao redor do mundo.  Respeitando a geografia de cada parque e suas peculiaridades e visando o maior bem-estar do visitante e sua experiência.”

Os bares sofreram bastante também com esse momento de pandemia visto que seus frequentadores foram totalmente proibidos de entrarem. A retomada às atividades será gradual e com protocolos de distanciamento social, o que fará bares e restaurantes a se readequarem.

A experiência de se estar em um bar, ouvir uma boa música, beber sua bebida favorita e com amigos terá de ser ressignificada para sempre ? Algumas empresas ligadas a esse mercado criaram iniciativas para que esse hábito não se perca.

Diageo cria fundo global de cerca de 100 milhões de dólares para apoiar bares e restaurantes em sua reabertura pós-pandemia. O “Movimento Pro-Bar – Estamos Juntos!” é um programa de dois anos que investirá nos bares brasileiros cerca de 15 milhões de reais destinado a cidade de São Paulo e outras localidades.

Basta os estabelecimentos se cadastrarem através de uma plataforma para participar do programa, que inclusive oferecerá treinamentos gratuitos. Uma iniciativa que além de promover a marca nos canais, aproximam ainda mais o consumidor final das marcas.

E não parou por aí. Uma não tão nova modalidade de entretenimento se estabeleceu no país: o drive in. O que era moda nas décadas de 40 e 50 em todo o mundo entre os casais apaixonados, retorna como uma maneira de se ter entretenimento aliado a segurança.

 Diversos espetáculos musicais continuaram a ocorrer, mas na modalidade drive in. Estacionamentos de casas de shows e estádios receberam artistas da música popular brasileira e lotaram seus espaços de carros. Cada família ou grupo de amigos em seus carros e os aplausos eram traduzidos em verdadeiros “buzinaços”.

E os tradicionais filmes também voltaram à exibição nos drive in, incluindo películas contemporâneas e infantis. Seja por saudosismo, curiosidade de uma época não vivida ou busca de uma nova experiência, alguns grupos de cinema se lançaram a essa modalidade como forma de surpreender os clientes e manter suas receitas. E de forma bastante positiva, foram recebidas pelos seus clientes e se tornou uma maneira de encorajar seus consumidores a experimentar ir ao cinema no “novo normal”.

Exposições também seguiram esse caminho e iniciaram um processo de tour automotivo pelas obras em exibição. A “Drive Thru.Art” foi inaugurada em São Paulo, reproduzindo obras de diferentes artistas e estabelecendo no galpão ARCA, um novo espaço para os amantes de artes.

A exposição reunia fotografias, pinturas e vídeos com reflexões sobre questões sociais atuais. Um novo olhar sobre vivenciar a experiência de ser impactado pela arte. Uma grande possibilidade para marcas continuarem apoiando as exposições que não somente as virtuais.

O mercado de entretenimento, mídia e arte teve de se recriar, o que não é um fato novo dado à natureza criativa deste. O público acompanhou toda essa movimentação, ávido por reencontrar o seu lado mais leve e divertido.

Aquele escapismo da realidade oferecido pelos diversos tipos de entretenimento e que são fundamentais para os confrontos das difíceis pressões sociais e profissionais enfrentadas nessa pandemia. Enquanto a cura do corpo não é encontrada, a cura da alma vai sendo ressignificada e nos aproximando cada vez mais de nós.

Por: Rafael Nascimento

Graduado em Comunicação Social na ESPM, Mestrado em Gestão na FGV e Doutorando da PUC em Comunicação