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E aí, Beleza ?! – O mercado de beleza e a pandemia

O mercado da beleza, ao retornar com o “novo normal”, terá profissionais mais bem capacitados para exercerem suas atividades. Mesmo com todas as restrições de segurança para que esses tipos de estabelecimentos

Por Rafael Nascimento - 01/07/2020

Em um momento onde todos estamos reclusos em nossas casas e sem contato com o mundo exterior, ninguém se preocupa com o visual não é mesmo? Errado. Apesar dos salões de beleza estarem fechados, o mercado de beleza não para. Ele se ressignificou e continuou permeando os lares de seus consumidores, com compras online, tutoriais do estilo “do it yourself” para maquiagem e cabelos, treinamentos de coloração e compras de itens para beleza e bem-estar.

Segundo publicação recente do portal R7.com, nunca se vendeu tanta maquininha de cortar cabelo como nesse momento de pandemia. Ainda segundo a reportagem, a plataforma de e-commerce Mercado Livre registrou um aumento de 24% de vendas deste item em relação ao mesmo período do ano anterior. Ou seja, o público masculino também se adequou a esse novo cenário.

Diversos vídeos divertidos, inclusive com esposas, maridos ou eles mesmos realizando as façanhas de cortarem seus próprios cabelos povoaram a internet nos últimos meses. Apesar disso e das incertezas sobre o futuro, as marcas ligadas a beleza vem desenvolvendo estratégias para manter o interesse do consumidor. Ora lançando conteúdos exclusivos ora aproveitando essas brincadeiras para vender seus produtos e serviços.

Apesar de toda essa interação divertida entre homens tentando cortar o próprio cabelo, a busca por profissionais de barba e cabelo continuam. A própria natureza do negócio da beleza é de alta interação, onde o cliente participa ativamente da produção e execução do serviço. E os homens já passaram de consumidores discretos nesse mercado de beleza a protagonistas juntamente com as mulheres.

O fundador da Barbearia do Zé, Thiago Reis, diz que o cliente ao visitar uma de suas barbearias busca não somente o corte ou a barba, mas sim a experiencia. E assim, as tradicionais canecas de chope que eram oferecidas aos seus clientes deram lugar a copos descartáveis que ainda sim, mantém a qualidade na entrega de valor ao cliente. Sobre isso Thiago diz que: “temos que manter a boa experiência que a BZ (sigla que designa o nome da barbearia) sempre ofereceu a seus clientes, mas com procedimentos adaptados ao ‘novo normal’.

Todas as medidas de segurança estão sendo tomadas para a reabertura das lojas. E isso não é minimizar a experiência e sim, torná-la mais responsável. “E acrescenta ainda que o movimento irá crescendo gradativamente com o aumento da sensação de segurança que os clientes terão em suas lojas. O “do it yourself” estaria, portanto, com seus dias contados se depender de sua vontade.

Esse comportamento de “faça você mesmo” também pode ser observado em mulheres que buscavam manter ou mudar a tonalidade de seus cabelos. O cabeleireiro Ari Nunes disse que suas clientes tiravam dúvidas sobre o que passar em seus cabelos e como mantê-los hidratados, através do app de mensagens Whatsapp. Segundo ele:

“Muitas clientes me procuraram para tirar dúvidas sobre xampus, tonalizantes e quais produtos para cabelos elas poderiam utilizar enquanto os salões não reabriam. Elas enviavam fotos e vídeos de como estavam seus cabelos para que eu pudesse indicar o que elas poderiam fazer em suas casas por conta própria.”

Ari, que é hair stylist em um salão na zona sul do Rio de Janeiro, conta também que tem aproveitado o seu tempo fora dos salões para se capacitar. Participando de treinamentos online e de lives de embaixadores de grandes marcas de beleza sobre os mais diversos assuntos, que vão de técnicas de coloração, cortes a penteados.

Esse movimento que ele fez foi o de muitos profissionais da beleza nesse momento de pandemia. Os treinamentos que sempre foram ferramentas utilizadas pelas marcas para capacitar profissionais se tornaram online e com isso se conseguiu ter um alcance maior.

O educador da L’Oréal Profissionnel, Gabriel Ribeiro, disse que os profissionais tiveram uma boa aceitação dos treinamentos online e com isso, a marca pôde se aproximar um pouco mais deles. Devido ao grande volume de trabalho e muito tempo gasto em mobilidade, esses profissionais ficavam com pouca disponibilidade de agenda para os treinamentos. Algo que, segundo ele, melhorou bastante e que trouxe benesses também para os profissionais que puderam aprofundar mais nos temas, tirar dúvidas e trocar mais com os educadores, que por sua vez, puderam personalizar ainda mais seus conteúdos.

Isso quer dizer que o mercado da beleza, ao retornar com o “novo normal” terá profissionais mais bem capacitados e seguros para exercerem suas atividades. Mesmo com todas as restrições de segurança impostas pelo governo para que esses tipos de estabelecimentos voltassem a funcionar. Sendo eles, incluídos em fases secundárias ou terciárias de retorno às atividades no calendário comercial estabelecido pelo governo por conta da Covid-19. E esse mercado é bastante contributivo ao PIB brasileiro, o que traz ainda mais problemas com o fechamento desses estabelecimentos por um tempo muito longo.

Em 2018, segundo o Euromonitor e publicado no anuário da ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) o Brasil figurava na quarta posição em volume de consumo em cosméticos, higiene pessoal e beleza com 6,2% do mercado mundial, representando US$ 30 bi. Os dados atuais ainda não publicados previam uma expectativa de crescimento para o setor, mas com o cenário atual de fechamento desses salões, essas estimativas caem por terra.

Em resposta à uma minimização desse impacto, a marca Kosé Brasil, criou uma campanha chamada “Movimento Fique Bonita, Faça o Bem”, onde os profissionais de beleza se inscreverão na campanha a farão a promoção dos produtos através da internet. As vendas serão feitas através de um cupom que comissionará esse profissional na venda dos produtos. Além disso, os influenciadores digitais que se interessarem também, terão um cupom e toda comissão recebida pela venda será revertida para um salão de beleza a sua escolha. Uma iniciativa bastante interessante que une consumidor, marca e canal. Uma tríade que será bastante importante para o retorno das atividades.

Contudo, não podemos ter a certeza de como será o novo normal, mas o que se pode inferir é que marcas e clientes terão uma relação mais cautelosa. O que não quer dizer que a relação entre os profissionais de beleza e clientes se esfriará, mas sim, será ressignificada. As conversas longas, a sensação de bem estar e autoestima elevada continuarão. O que muda é que os sorrisos, a emoção, o encantamento poderá ser notada através do olhar, com ou sem rímel.

Veja também em nosso Report: Indústria e Mercado da Beleza: Mercado e Tendências

 

Por: Rafael Nascimento

Graduado em Comunicação Social na ESPM, Mestrado em Gestão na FGV e Doutorando da PUC em Comunicação