Artigos

Publicidade
Publicidade
Digital

A vida nunca foi tão ao vivo!

Se já vivíamos em uma época de muito estímulo (visual ou sonoro) com as campanhas mobile, campanhas de mídia OOH ou através da TV, hoje vivemos isso tudo e ainda nos tornamos produtor e reprodutor de conteúdo

Por Rafael Nascimento - 29/05/2020

Ao se determinar o isolamento social, as opções de entretenimento se reduziram a jogos de tabuleiro, televisores, rádios, celulares e tablets. E todas as relações pessoais foram transformadas, ora intensificadas ora distanciadas mas sempre notadas. De uma maneira abrupta, diversas marcas iniciaram suas jornadas em busca de estreitamento na relação com seus clientes e potenciais consumidores. Iniciava-se assim, uma verdadeira corrida em busca de se gerar impulsos de compra através de verdadeiras enxurradas de ações promocionais através dos diversos meios de comunicação.

Já era esperado que isso acontecesse. Ao passo que essas series de ações surgiam, emergiam contestações de clientes sobre o posicionamento das marcas e uma devolutiva das mesmas para a contenção do avanço da pandemia. Em um momento de total incerteza e instabilidade, as marcas precisaram ir além das tradicionais campanhas comerciais. O intuito agora era o de se sensibilizar com o momento e se mostrar solidário ao seu cliente.

Dessa maneira, instituições bancárias flexibilizaram taxas de juros, facilitaram pagamentos, apoiaram pequenos e micro empresários em seus negócios e etc. O varejo se reposicionou em modalidades online e atendimentos virtuais, entregas foram reorganizadas e fretes revistos.

Porém ainda, estaríamos falando de um cunho comercial, se as marcas não se preocupassem com a repercussão de sua imagem. A estratégia não poderia ser mais de curto prazo e sim, de uma consolidação de imagem e construção (ou restauração) da confiabilidade de seu cliente.

Dessa maneira, se lançaram a apoiar campanhas solidárias de doações de toneladas de alimentos a instituições de amparo e caridade ou a atendimentos diretos a cidadãos afetados diretamente com o efeito do isolamento social causada pela pandemia mundial. E nesse contexto, diversas marcas se lançaram à promoção das  atualmente famosas LIVES.

As LIVES, são transmissões ao vivo feitas em diversas plataformas digitais que incluem canais de televisão, plataformas de streaming ou redes sociais. Elas viraram uma verdadeira “febre” entre os artistas da música e se tornou, também, uma maneira de se retomar a carreira para alguns. Bandas que já não existiam mais fizeram alguns “reunions” em prol do benefício dos mais necessitados por exemplo.

Segundo Rafael Brahma (sócio da HUB Records e empresário de Lauana Prado e banda Melim), as Lives foram “uma forma do mercado se manter nesse período sem shows e na verdade não impactou a ponto de ser sustentável financeiramente cobrindo os custos de um artista, mas como paliativo funcionou bem.”

As marcas de consumo perceberam uma grande oportunidade de abarcar uma imagem positiva com o patrocínio dessas Lives. Alguns artistas apareciam degustando comidas e bebidas de marcas renomadas e em alguns casos, as cores das marcas ou a logo faziam parte da decoração.

E como as Lives tinham, por vezes, um período de exibição maior (uma delas durou mais de 10 horas consecutivas, por exemplo) que os shows costumam ter, o tempo de exposição das marcas através das plataformas digitais é grande. Se formos analisar o preço que essas marcas pagariam pela exposição nessas mídias, seria bem maior dado o número de visualizações e espectadores que assistem.

Para aprofundarmos esse número, o portal de notícias Popline apresentou no último dia 10/05/2020, um ranking em números de espectadores das Lives até então ocorridas. Segue o resultado do top 10:

1 – Marília Mendonça – 3,29 milhões de espectadores simultâneos;

2 – Jorge e Mateus “Na Garagem” – 3,1 milhões de espectadores simultâneos;

3 – Sandy & Júnior – 2,6 milhões de espectadores simultâneos;

      Gusttavo Lima – 2,6 milhões de espectadores simultâneos;

4 – Leonardo e Eduardo Costa “Cabaré em casa” – 2,4 milhões de espectadores simultâneos;

5 – Marília Mendonça “Todos os Cantos da Casa” – 2,2 milhões de espectadores simultâneos;

6 – Jorge e Mateus 2 “Sunset” – 2,1 milhões de espectadores simultâneos;

7 – Henrique e Juliano – 2 milhões de espectadores simultâneos;

8 – Wesley Safadão – 1,8 milhões de espectadores simultâneos;

9 – Alok – 1,71 milhões de espectadores simultâneos;

10 – Zé Neto e Cristiano – 1,7 milhões de espectadores simultâneos;

Apesar de termos evidenciado o mercado fonográfico, as Lives têm uma abrangência ainda maior. Humoristas, atores, professores, influenciadores digitais, treinadores, escritores, entre outros, se renderam também ao grande frenesi das Lives para interagir com seu público. Plataformas de redes sociais são utilizadas diariamente por esses e outros profissionais para disseminar conteúdo e trocar informações entre seguidores e o proponente da Live.

Diversos pequenos empresários observaram na Live uma grande oportunidade de vender seus cursos dos mais variados temas. Em uma passagem rápida por uma famosa rede social, são notados conteúdos de jardinagem a mecânica. Todos tentando buscar engajamento, troca e muitas vezes autopromoção em um processo contínuo de entrar ao vivo de suas casas para a casa de seus possíveis ou já clientes.

O especialista em inovação e marketing digital, Thiago Lopes diz que: “Em uma era onde o conteúdo é rei, as Lives me deram a oportunidade de estreitar laços com a minha audiência, mostrado quem realmente sou, o que faço e como quero ajudar elas.” E reitera que “É importante sempre analisar o tipo de público que o seu convidado possui, para que as audiências possam convergir e se identificar com o perfil e o tema proposto”, o empresário que fundou a startup Streammus.

As oportunidades que um momento como esse trazem, geram uma oportunidade maior ainda de reflexão sobre os modelos já criados e a forma de interação entre marcas e o público.

O empresário Rafael Brahma, acredita que no momento pós pandemia, algumas Lives continuarão acontecendo periodicamente. Segundo ele: “Se conseguirmos passar por esse momento ao menos se sustentando como empresa; sairemos mais fortes e teremos um futuro ainda mais bacana com esse plus das lives ale?m dos shows.”

O que concluímos é que talvez nunca tenhamos vivido um momento onde as interações virtuais são tão intensas. Se já vivíamos em uma época de muito estímulo (visual ou sonoro) com as campanhas mobile (através do celular), campanhas de mídia OOH (out of home, mídias exteriores) ou através da TV, hoje vivemos isso tudo e ainda nos tornamos produtor e reprodutor de conteúdo. Em alguns meses, tudo mudou e as Lives vieram como uma resposta à essa mudança e nova demanda. E isso nos faz ter a certeza de que o nosso novo normal é ao vivo.

Por: Rafael Nascimento

Graduado em Comunicação Social na ESPM, Mestrado em Gestão na FGV e Doutorando da PUC em Comunicação