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Planejamento Estratégico

Crisetividade: A arte de se reinventar em momento de crise

Em um momento de crise, muitos profissionais não se mantêm passivos a isso e reinventam mercados ou criam produtos e serviços que atendam demandas variadas

Por Rafael Nascimento - 15/05/2020

O isolamento social nos afasta das pessoas, das festas, do toque, dos abraços, mas não das ideias. Inclusive é com elas que ficamos e muitas vezes damos vazão à nossa criatividade em forma de conteúdos, invenções, novas ações. Reinventar maneiras de fazer atitudes corriqueiras como se alimentar, praticar exercícios, ler, estudar, encontrar pessoas faz se necessário. Em momento de pandemia, por exemplo, tudo teve de ser reinventado. E como toda crise, além de mazelas atreladas, surgem diversas oportunidades de crescimento.

Em um momento de crise, muitos profissionais não se mantêm passivos a isso e reinventam mercados ou criam produtos e serviços que atendam demandas variadas. Demandas essas que inclusive, mudam de acordo com o contexto econômico, político ou social do país.

 Produtos e serviços novos são criados para acompanhar uma mudança de comportamento dos consumidores e a demanda que pode ser latente (onde já existe uma demanda, mas não produtos e/ou serviços disponíveis para atendê-la).

É também em uma fase mais crítica, que os empreendedores enxergam uma oportunidade de efetivamente lançar seus projetos, por vezes engavetados. Através de uma observação sobre a carência de serviços ou produtos no mercado, diversos empreendedores criam soluções para problemas já apresentados na sociedade ou criados por conta da crise.

Pequenos e médios empresários representam cerca de 27% do PIB no Brasil, segundo informações do SEBRAE. E a veia criativa desses empreendedores transformam não somente mercados como as carreiras dos próprios. Muitas dessas crises denotam uma necessidade real de se buscar fontes alternativas de renda ou em casos mais graves, uma possível e única forma de se sustentar.

Algumas grandes e médias empresas também de se reinventar durante as crises principalmente em seus modelos de negócio ou operacionalização dos mesmos. Modelos de negócios estruturados para atender a uma demanda que foi afetada pela crise, mas ainda busca consumir. Formas de pagamentos diferenciados, modalidades de entrega ou pacotes de serviços mais atrativos estão na lista das estratégias que estão a mão de empresas em momentos difíceis. E se formos utilizar o exemplo no momento o qual estamos passando, a necessidade de se reinventar é pujante e uma forma de sobrevivência de negócio.

Segundo a Fecomercio SP (Federação do Comércio de bens, serviços e turismo do Estado de São Paulo), a crise de 2015 trouxe para o comércio varejista uma retração de 10% em vendas. O que representou um prejuízo de cerca de R$ 600 bilhões no ano. Já a estimativa para a crise instaurada por conta do COVID-19 é pessimista e representaria um prejuízo de cerca de R$ 115 milhões nas vendas do varejo nacional. E para amenizar esse prejuízo, as marcas buscaram criar promoções e liquidações (em 2015 e 2016) e em 2020, o que estamos observando é uma migração para o delivery.  

A diretora comercial da Rappi, Camila Velzi, em entrevista ao portal Mercado & Consumo, diz que eles perceberam esse aumento de utilização do aplicativo e que teve que se adaptar ao novo cenário de álcool em gel e máscaras descartáveis para os entregadores. Segunda ela, a mudança do perfil e comportamento dos seus clientes também fora observada:

“Vimos pessoas utilizando o aplicativo para coisas diferentes do usual, de lugares diferentes e um público que nunca utilizou a nossa plataforma começou a usar”. Ainda não temos dados numéricos para dar conta desse volume de entregas, mas por observação podemos perceber um sensível aumento.

Um exemplo bastante criativo desenvolvido por grandes empresas foi a campanha “Ajude um boteco” da cervejaria Bohemia. A campanha foi feita para que os bares onde a cerveja é ofertada, não fechassem.

A mecânica da campanha é a seguinte: são disponibilizados vouchers de R$ 25, R$ 50 e R$ 100 que podem ser comprados pelos clientes de forma antecipada e que serão utilizados no momento em que os bares puderem reabrir. Uma iniciativa criativa que faz com que esse pequeno estabelecimento (chamado popularmente de boteco) possam manter seu fluxo de caixa.

E de maneira geral, alguns itens começam a ser mais buscados por conta de uma situação específica que pode ser gerada por uma crise. O isolamento social que vêm sendo aplicado em todo o país traz também uma necessidade de equipamentos, serviços e produtos para que as pessoas possam em casa, reproduzir ambientes de academias, escritórios, salas de aula, brinquedotecas ou até restaurantes.

 Essas adaptações trazem oportunidades para diversas marcas se comunicarem de maneira mais próxima com seus consumidores frequentes e até os não-clientes.

Os almoços de domingo, aniversários, encontros, comemorações de datas especiais continuam, mas de uma maneira virtual. E todo o mercado que envolve alimentação e decoração começaram a expandir sua cobertura geográfica para atender à crescente demanda por seus serviços. O fato é que as empresas estão tentando recriar a experiência que é costumeiramente gerada ao vivo, nas casas de seus clientes. E se os brasileiros precisam ser estudados, eu realmente não o sei. Mas que alguns merecem ser aplaudidos, isso eu posso garantir.

Por: Rafael Nascimento

Graduado em Comunicação Social na ESPM, Mestrado em Gestão na FGV e Doutorando da PUC em Comunicação