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YoutubeLand - O fenômeno dos youtubers para crianças

Esses “youtubers” seriam os novos formadores de opinião para o público infantil. E se tornam grandes, rentáveis e atrativas marcas no mercado off-line com diversos produtos

Por | 12/02/2019

pauta@mundodomarketing.com.br

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Que o Youtube é uma importante ferramenta de divulgação e comunicação não é novidade. E também não é novidade que diversos influenciadores digitais se utilizam dessa plataforma e que trouxe consigo uma horda de youtubers (que fazem de seus canais na plataforma, uma fonte de renda profissional). Muitos desses profissionais são bastante conhecidos por seus conteúdos exclusivos, que demandam produção de conteúdo frequente e com boa a excelente edição. Me aterei à discussão de todo esse movimento que foi criado para o público infantil que estão na ponta da língua das crianças e que fazem nós pais, acompanharmos também. E com isso não usarei de julgamento de valor e sim de uma descrição do que está acontecendo no mercado infantil.  

O que me levou a escrever sobre esse fenômeno todo, além do fato de ser pai de duas crianças, começou com a segunda gravidez da minha irmã. Pode parecer estranho mas existe um contexto para isso. Meu sobrinho/afilhado que foi "promovido" então, a irmão mais velho que opinou nos nomes do bebê: Júlia para menina e Lucas para menino. Achei os nomes bonitos e o cumprimentei pela escolha e logo veio a justificativa: se for menino quero que seja como o Luccas Neto e se for menina quero que seja como a Julia Minegirl.

Para contextualizar as personagens citadas pelo meu sobrinho, Luccas Neto é um dos principais youtubers do país com quase 23 milhões de inscritos em seu canal. Já Julia Minegirl, é um canal que conta com quase 4 milhões de inscritos. O canal da primeira conta com brincadeiras (as famosas troslagens), paródias, gincanas, desafios para crianças. Já o da Julia, são diversos games animados onde a personagem do vídeo é um avatar de jogos. Somado a esses existem outros canais brasileiros de expressividade como o Planeta das Gêmeas ( com quase 10 milhões de inscritos, lançaram uma marca própria de roupas infantis), Bela bagunça (com quase 9 milhões de inscritos), Juliana Baltar ( com mais de 8 milhões de inscritos) e não satisfeito com os 23 milhões de seguidores, Luccas Neto tem um outro canal com seu irmão Felipe Neto (que em seu canal individual tem 30 milhões de inscritos), os Irmãos Neto que conta com mais de 12 milhões de inscritos.

Todos esses números tão representativos despertam a atenção de diversas marcas infantis que percebem a oportunidade de se comunicar com as crianças diretamente e conosco, os pais. E se falarmos da rentabilidade desses novos profissionais, temos números igualmente altos. O Youtube paga por CPM (Custo por mil), ou seja, a cada 1000 visualizações no vídeo, a plataforma paga de 0,25 a 4,50 dólares. Se analisarmos que cada vídeo do canal tenha uma média de 1 milhão de visualizações, Luccas teria ganhos de US$ 250 a US$ 4500 por vídeo. Dependendo da periodicidade de lançamento de vídeos que no caso desse canal específico, são dois vídeos por dia, chegamos a grandes cifras mensais de salário. Um salário acima de muitos atores consagrados da TV aberta, por exemplo.

Para se ter uma ideia, em janeiro de 2018, o canal do Luccas Neto bateu todos os recordes da plataforma até então. Segundo a Veja Rio, ele atingiu a marca de 304 milhões de visualizações em um único mês, bem como se tornou o canal de maior crescimento no mesmo mês, com um aumento de 1,3 milhões de inscritos. E desde então esse número de usuários conectados aos conteúdos diários do canal, só aumentou em níveis exponencialmente altos.   

Ao final de 2017, por exemplo, o Botafogo (time de futebol do Rio de Janeiro) firmou uma parceria com os irmãos Neto (através da marca Neto´s). Os irmãos tiveram a sua logo estampada nos materiais de divulgação e uniforme do clube em troca de se tornarem patrocinadores do clube. A marca Botafogo se aproximaria assim do público mais jovem e infantil, gerando mais engajamento nas redes sociais e exposição. Outras marcas de brinquedos e artigos infantis se valem desses canais para aproveitarem a verdadeira idolatria que os pequenos têm com seus youtubers favoritos. Sem contar as famosas permutas que auxiliam os youtubers na produção de conteúdos diversos e como retorno, a exposição para os milhões de inscritos e os outros milhões e milhares de visualizações que buscam organicamente o conteúdo.

O que se pode entender é que esses youtubers seriam os novos formadores de opinião para o público infantil. E se tornam grandes e rentáveis marcas no ambiente offline, como a loja de roupas do Planeta das Gêmeas ou as coxinhas dos irmãos Neto. Se traçarmos um paralelo com as décadas de 80 e 90, seriam como as apresentadoras infantis dos canais de televisão. E com todo o poder que a plataforma possui, os anunciantes entenderam que a força desses comunicadores dita os gostos, tendências e opiniões das crianças de hoje em dia. Como em uma das músicas cantada pelo Luccas Neto em seu canal: (...) Acredite nos seus sonhos/ Porque com força de vontade/ Você pode chegar onde você quiser (...). E eles chegaram e com as crianças seguindo eles.

Por: Rafael Nascimento

Graduado em Comunicação Social na ESPM, Mestrado em Gestão na FGV e Doutorando da PUC em Comunicação. Experiência em comunicação, marketing, trade e operações. Atuou em empresas como Embratel, L'Oréal, Dufry, Ancar Ivanhoe e Nokia Siemens. Professor de marketing e comunicação da graduação e pós da ESPMRJ, Celso Lisboa e FGV


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