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O que bem-estar, felicidade e trabalho têm em comum?

Como poderá o Marketing Interno enfrentar a amargura nos ambientes de trabalho? Desde logo, deveremos criar “Clubes do Bem-estar”, que devem ser medidos com indicadores próprios

Por | 01/11/2019

geral@paulovieiradecastro.pt

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Bem-estar é uma palavra composta por bem, cuja origem é bónus, implicando alta intensidade. E, estar é existir, viver. Contudo, a carga negativa da palavra trabalho vem de  tempos imemoriais. Trabalho tem origem no latim. Tripalium designa o instrumento de tortura usado para controlar os escravos, isto no tempo dos romanos. O que é que o marketing interno poderá fazer para aproximar bem-estar e trabalho?

O papel do bem-estar nas organizações tem vindo a ser repensado. Consequentemente, bem-estar e trabalho  são debatidos do ponto de vista do ser humano que busca ativamente sentido para tudo o que faz. Por que ficaria de forma o tempo profissional?

O paradoxo da felicidade

Para além  da felicidade, cuja  origem está na está a palavra grega eudaimonia, ou seja, a representação da motivação humana, o bem-estar nas organizações  servirá para  impedir que as horas de trabalho se tornem em algo penoso. Ora, o que muitos sentimos é que, cada vez mais, o que incentiva o ser humano a trabalhar é a fome e a sede. E, isto é desumano! Falta portanto pensar o trabalho desde o estimulo da plenitude: o bem-estar.

O psicólogo e autor Contardo Calligaris defende, a este respeito, que o ser humano deveria procurar tornar interessante o seu dia a dia, nunca a felicidade. Mais, para ele - esta última - é "uma ilusão mercadológica". Talvez por isso reitere "Nós temos um ideal de felicidade um pouco ridículo". Afirmando, ainda, a intuito do tempo passado no trabalho que o " que a gente pode estudar são as condições do bem-estar. A sensação de competência no exercício do trabalho, já se sabe, é a maior fonte de bem-estar, mais que a remuneração".  Mas, será assim? Vejamos...

Bem-estar e felicidade

Se a tradicional concepção de trabalho está ultrapassada, então o papel do bem-estar e da felicidade  nas organizações terá de ser bem mais presente. Ambos, serão agora, debatidos do ponto de vista do ser humano que questiona ativamente. Assim sendo, para alterar o resultado torna-se imprescindível mudar as questões que nos farão avançar, muito em especial as que se relacionam com as nossas escolhas profissionais, cultivando aquilo que é mais forte em cada um de nós. E é aqui que o endomarkeing terá muito a fazer.

Todavia, em especial nas empresas, falta coragem para que todos partam de si próprios, dos seus limites, evitando diabolizar o sistema organizacional, pois ele é, apesar de tudo, resultado das nossas crenças  mais profundas. O desfecho disto é bem conhecido. Todos os dias fazemos coisas na ânsia incontida de ter o que nos deixa felizes, esquecendo-nos de ser o que nos faz felizes. Por que não aproveitar para mudar esta circunstância no local de trabalho?

Como poderá  o marketing interno enfrentar a   amargura nos ambientes de trabalho? Olhemos à nossa volta... Facilmente compreenderemos que quem toma decisões em ambiente organizacional partilha entre si um elevado grau de dúvida e , por vezes, de mal estar. Como acabar com esta aflição? Desde logo, deveremos criar "Clubes do Bem-estar". Como? Nas organizações o bem-estar deverá fazer parte do orçamento e do plano estratégico. Sendo, agora,  medido como um indicador de sucesso empresarial. Uma fonte de atratividade para a construção de uma nova matriz estratégica.

Outras atividades, igualmente, importantes para  a inclusão do bem-estar no trabalho são a prática desportiva e espiritual em equipa, a gentileza e a empatia autenticas, a dieta e o tipo de alimentação, o tempo despendido em atividades na Natureza, a compaixão, a gratidão, a forma como gerimos o stress e o silêncio, o envolvimento religioso, o ativismo social etc...

A  serenidade, a harmonia, a gratidão, a compaixão,..., são dimensões análogas  deste bem-estar, devendo ser vistas como  imprescindíveis  ao bem-estar e, consequentemente, à harmonia  no local de trabalho.

Realização profissional e bem-estar

Nós somos seres cuja maior provocação será a sua própria superação e, nesta circunstância, uma ponte para algo maior. Uma vez dentro das organizações não poderá ser diferente. Aceitar este desafio em termos profissionais  tornou-se essencial. Só isso dará sentido ao tempo passado no trabalho. Este é um tema que considero estrutural e incontornável ao endomarketing.

Será no mínimo irresponsável pensar que poderemos ter bons funcionários vazios de humanidade e autoconhecimento. Tais características serão, por si só, uma belíssima razão para nos sentirmos profissionais completos. Evoluir, ajudando ao progresso integral dos demais, é a  mais elevada recompensa que as diretorias de R.H. poderão alcançar. Lembre-se. O salário apenas nos realizará materialmente. E, onde é que a realização pessoal ou profissional dependerá exclusivamente de um melhor salário? Nos piores exemplos...

Também nas organizações se joga a necessária coragem para contrariar a ideia que faz das nossas vidas uma espécie de religião sem lugar, onde muitos parecem acreditar que "a realidade não precisa de mim" ou que "os fins justificam os meios". Como se fosse possível encarar a vida como algo emprestado, como se ela fosse qualquer coisa  só de alguns. Na verdade todos participamos das escolhas das organizações, ainda que, tantas vezes, animicamente, energeticamente.

O bem-estar aumenta a produtividade, a concentração e o foco, assim como ajuda a diminuir o absentismo. Consequente, o estar ao serviço do outro, transformar-se-á na principal causa  da realização humana, também, no tempo passado no trabalho.

Por: Paulo Vieira de Castro

* Paulo Vieira de Castro é autor da área organizacional e diretor do Congresso do Medo.


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