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Cidadania Sustentável

Talvez o maior dos nossos erros seja acreditarmos que somos geniais, quando na realidade somos apenas geniosos e, por isso mesmo, burros a ponto de vivermos sob um regime absolutamente inadequado, que nos prejudica seja individualmente ou coletivamente

Por | 07/07/2009

davinci@davincimktsocial.com.br

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Por Paulo Silveira*

"O mais forte nunca é bastante forte para ser sempre o senhor, se não transformar sua força em direito e a obediência em dever."
JJ ROUSSEAU

Vivemos um momento de profundas transformações. Como se não bastasse à revolução provocada pelas transformações nos meios de comunicação, surgem o naufrágio do sistema financeiro e o aquecimento global para nos alertarem que estamos no caminho equivocado.

Tal constatação poderia nos levar a pensar que vivemos um momento inédito em nossa história e que, finalmente, nos levará a repensar nossa forma de viver. Mas, infelizmente, ao olharmos para trás, encontraremos diversos outros momentos onde a humanidade viveu crises semelhantes, o que não a impediu de chegarmos onde estamos:
- A crise financeira de 1929, que já demonstrava a incoerência entre o sistema financeiro e as reais necessidades de nossa sociedade, mas mesmo assim....
- Foi em Roma antiga, durante o período de 60 a 48 a.C., que se começou a utilizar a "camisinha de Vênus" como prevenção às doenças sexualmente transmissíveis, e, nem por isso, seu uso foi disseminado como uma prática cultural.
- Preocupados com a ameaça de extinção dos peixes em seus rios, os ingleses introduzem na Carta Magna promulgada em 1.215 o seguinte texto: "Não se permitirão redes para colher salmões ou outros peixes em Midway, Tâmisa e demais rios da Inglaterra" e nem por isso deixaram de poluir seus rios.
- O salário família surge na segunda metade do século XVIII como parte de um programa lançado por Napoleão para, dentre outras questões, estimular natalidade, transformando a maternidade na primeira atividade social remunerada da mulher e, nem por isso, a mulher deixou de ser discriminada.

É e sempre foi urgente o ser humano reconhecer seus limites e ter a humildade de aprender com a sua história. Talvez o maior dos nossos erros seja acreditarmos que somos geniais, quando na realidade somos apenas geniosos e, por isso mesmo, burros a ponto de vivermos sob um regime absolutamente inadequado, que nos prejudica seja individualmente ou coletivamente. Somos a espécie com maior capacidade de interferência no planeta Terra e estamos transformando-o em impróprio para nós mesmos!

 O mundo do "ter para ser" tem que migrar para "interagir para existir", pois a mudança de rumo que necessitamos implicará, necessariamente, numa convergência de objetivos e metas a serem cumpridas por cada um de nós, individualmente e coletivamente. Da Finlândia, surge um exemplo maravilhoso.

O governo queria mudar a idade mínima na qual a criança deveria iniciar a escolarização. Fizeram consultas a diferentes segmentos da sociedade (especialistas, cidadãos, organismos da sociedade civil) e não conseguiram chegar a nenhuma conclusão, até que alguém teve a brilhante idéia do óbvio: consultar as próprias crianças a esse respeito. Foi feito uma VOTAÇÃO com crianças de 5 a 7 anos e eles optaram por manterem o regime vigente sem fazer alteração alguma, o que foi respeitado. Simples, não?!

Temos que abandonar os pré-supostos, como, por exemplo, que existam classes sociais carentes e outras não. Carentes de alguma coisa somos todos nós, já dizia o velho e bom Freud. Hoje, por exemplo, citar os filhos de família com alto poder aquisitivo como órfãos sociais é uma heresia, quando de fato o são. Por suas famílias terem alto poder aquisitivo imagina-se que não precisem de cuidado, atenção, carinho, cidadania.

Se esquecem que em sua grande maioria, esses jovens ficam abandonados em condomínios de alto luxo, sem nenhuma atenção, isolados do mundo real, o que tem contribuído para crescimento - assustadoramente - entre eles de atitudes anti-sociais. São esses jovens que tocam fogo em índios, espancam empregadas domésticas, traficam drogas, etc e certamente ocuparão, em um futuro próximo, postos de comando em nossa sociedade.

Se queremos produzir novos códigos sociais, temos que ousar e construir novos pactos.

"Em vez de destruir a igualdade natural, o pacto fundamental substitui, ao contrário, por uma igualdade moral e legítima aquilo que a natureza poderia trazer de desigualdade física entre os homens, e, podendo ser desiguais em força ou em talento, todos se tornam iguais por convenção e direito."
JJ ROUSSEAU

Mas qual seria a bússola que poderíamos adotar nessa longa caminhada que a humanidade me parece cada vez mais disposta a percorrer? Segundo a UNESCO não há outra senão a cultura.

"Pode-se considerar que a cultura é um árbitro na difícil escolha entre as opções encontradas em relação aos objetivos de desenvolvimento. Como está assinalado no informe da Comissão Mundial sobre Cultura e Desenvolvimento, criada pela UNESCO juntamente com as Nações Unidas, a cultura está não só "a serviço de determinados fins, como (...) constitui a base social desses próprios fins", um fator de desenvolvimento, mas também "fonte de nosso progresso e nossa criatividade".
UNESCO:1999

Ao reconhecer a cultura como o elemento fundante das relações humanas e, portanto, norteadora das mesmas, poderemos conceber novas idéias para antigos problemas, pois passaremos a ter um princípio, um meio e um fim, formando parcerias na busca da complementaridade, promovendo assim um processo sócio-educativo coletivo.

"É bem verdade que a educação não é a alavanca da transformação social, mas sem ela essa transformação não se dá.
Nenhuma nação se afirma fora dessa louca paixão pelo conhecimento, sem que se aventure, plena de emoção, na reinvenção constante de si mesma, sem que se arrisque criadoramente." PAULO FREIRE

Ao falarmos ou pensarmos na educação a partir da cultura local, estamos falando na formação de cidadãos de fato, imergidos no que os cerca, o que os fará ter de aprender a interagir para existir (como as crianças finlandesas). Mas como produzir uma cidadania que resgate seu sentido original de acolher aqueles que compactuam com os mesmos valores se vivemos uma época de mudanças de valores numa velocidade espantosa?

Como imaginar uma sociedade onde um adolescente de 16 anos possa escolher uma profissão, através da qual irá se relacionar institucionalmente com seus pares, se ele não sabe e ninguém pode afirmar / saber que mundo teremos daqui a 10 anos, quando ele estiver entrando no mercado de trabalho?

Parece que esse vem a ser esse exatamente o maior de todos os desafios a ser enfrentado pela humanidade nesse momento: criar uma sociedade que sustente e seja sustentada por valores, por uma ética que perpasse pelas diferentes linguagens relacionais que adquirimos a cada momento, valores esses que passarão a sustentar uma sociedade que permita e estimule a existência de desejos individuais e deveres coletivos, enfim uma CIDADANIA SUSTENTÁVEL.

Sim, isso ainda é uma utopia, um sonho, mas...

"É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho, de comparar escrupulosamente nossos sonhos com nossa realidade.
Sonhos, acredite neles."
(LENIN)

* Paulo Silveira é membro da Da Vinci Marketing Social e do Instituto Paulo Freire davinci@davincimktsocial.com.br

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