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Mark Divine: O que podemos aprender com os militares americanos

Agentes da Força Especial da Marinha (Navy SEALs) servem de modelo às empresas na formação de líderes e liderados comprometidos com o todo e não apenas com si mesmos

Por | 27/03/2014

pauta@mundodomarketing.com.br

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* Com Mark Divine, comandante reformado da Força de Operações Especiais da Marinha americana

Sempre fui fascinado por dois temas: estratégia e a Segunda Guerra Mundial e por tudo o que é relacionada a ela. Por causa disso, li cada livro que chegou às minhas mãos sobre a história do conflito, sobre cultura militar e as biografias dos mais importantes estrategistas de guerra conhecidos. Não estou dizendo que gosto do conceito da guerra, das baixas, da violência ou do imperialismo por trás dela. Na verdade, é exatamente o oposto.

O que me atrai é a estratégia, os atos de heroísmo, coragem e honra de alguns dos mais notáveis homens na história da humanidade. E especialmente o fato de que, nas forças armadas, há crenças compartilhadas, valores consistentes, disciplina, respeito e tradições arraigadas que podem ser replicadas no mundo corporativo.

Uma das mais respeitadas e honradas unidades em toda a história militar é a Força de Operações Especiais da Marinha dos Estados Unidos (Navy SEALs, na sigla adotada em Inglês), criada pelo presidente John F. Kennedy em 1962 como uma pequena força militar marítima de elite para ser usada em guerras não convencionais. Hoje, ela é a elite da elite e é designada para as missões altamente prioritárias, como o assassinato de Osama Bin Laden, entre muitas outras.

É desnecessário dizer que é muito difícil se tornar um SEAL. Anos de treinamento duro são exigidos, tanto física quanto mentalmente, e esses agentes precisam ir ao inferno e voltar para se tornarem parte do tal grupo de elite de homens especiais. Tenho sido um fã de longa data dessa unidade especial e, em minha constante busca por inspiração para nossos clientes e suas estratégias de branding, pensei que ela poderia ser uma boa referência para este artigo.

Em um dos meus estudos sobre este comando de elite, deparei-me com o trabalho de Mark Divine. Comandante reformado da Força de Operações Especiais da Marinha americana, Mark é fundador e CEO da SEALFIT, uma academia que oferece um programa de treinamento que prepara seu público física e mentalmente para amealhar resultados extraordinários na vida. Ele é autor de vários livros, incluindo o sensacional e inspirador "The way of the SEAL" (O caminho do SEAL, em livre tradução) - livro que li duas vezes e que continua em minha cabeceira. Tive a honra de encontrá-lo e de escrever este artigo com ele.

Minha intenção era de estabelecer um paralelo entre a Força de Operações Especiais da Marinha americana como uma organização e o mundo corporativo. Na BR Culture, minha agencia de estratégia de branding, criamos uma metodologia a qual chamamos "The Brand Spectrum" e seu objetivo principal é revelar o ethos, os valores e o propósito de cada marca. Em nossa experiência, 90% das empresas com as quais trabalhamos não sabem sequer por que existem, quanto mais seu ethos e seus valores.

Cultura, Propósito, Guerra

Mark diz que este é um dos pontos chave que distinguem os SEALs e que são responsáveis por seu sucesso. Eles possuem de forma bem definida seu ethos, que representa os valores que eles procuram para viver como indivíduos, como equipe e como organização. Segue aqui uma versão resumida do ethos da Força de Operações Especiais da Marinha americana, que pode ser encontrada no website de Mark:

. Lealdade ao país, à equipe e a seus companheiros
. Servir com honra e integridade dentro e fora dos campos de batalha
. Estar pronto para aprender, pronto para seguir e jamais desistir
. Assumir a responsabilidade por suas ações e pelas ações de seus companheiros
. Distinguir-se como um guerreiro através da disciplina e da inovação
. Treinar para a guerra, lutar para vencer, derrotar os inimigos da nação
. Merecer sua insígnia todos os dias

Vamos falar de cada um desses pontos. Lealdade é formada por confiança. Confiança, por sua vez, é adquirida ao se compartilhar riscos, incertezas e experiências. Na nossa cultura corporativa, muitas vezes os riscos não são divididos de forma equivalente, e a experiência da linha de comando é diferente da das tropas que estão na linha de frente. O resultado disso é a desconexão, que leva a níveis baixos de lealdade em ambas as direções. Companhias inovadoras forjam confiança ao levar liderados à linha de frente, permitindo que eles tomem decisões importantes, e trazendo-os de volta com recursos e apoio. Essa confiança gera lealdade e a uma mentalidade "a mesma equipe, a mesma luta" em toda a força de trabalho. Com isso, a produtividade também é incrementada.

Serviço também é uma marca dos SEALs. Os agentes aprendem a servir a seus companheiros de time porque eles compreendem que não podem superar desafios, completar a missão, sozinhos. Servir com honra significa que você age com integridade e se empenha nas questões certas para o seu time e a organização, e não apenas para si mesmo. Serviço honrado demanda disciplina e comprometimento com o crescimento por meio do trabalho... algo no qual os SEALs são muito bons. No mundo corporativo, podemos engrandecer como indivíduos, times e organizações com essa abordagem, estabelecendo a cultura de premiar a honestidade, a transparência e a integridade. À medida que você semeia um caráter na organização, colherá o destino!

SEALs são líderes e seguidores ao mesmo tempo. Nós esperamos liderar e sermos liderados e sabemos que a confiança na liderança é amplamente gerada a partir de um caráter autêntico. O poder de posição, o poder de especialista e o poder de influência são compreendidos e apreciados quando usados para o bem. A palavra chave da liderança é maestria - desenvolver-se para ser o tipo de pessoa digna de liderar e ser liderada e saber que a confiança na liderança nasce principalmente de um caráter autêntico. Servir aos demais antes de si mesmo. Na essência, nesse novo modelo para guerreiros corporativos, a liderança torna-se um híbrido de coaching, mentoring, inspiração e guia com visão, mantendo a equipe responsável por um padrão mais elevado.

Disciplina, determinação e unidade são requisitadas para vencer distâncias nas complexas e perigosas missões de operações especiais. Um SEAL nunca desiste de si mesmo ou de sua equipe. Disciplina se torna simultaneamente uma habilidade e uma característica. Inovação, habilidade técnica, proficiência tática e atenção ao detalhe são características marcantes para o sucesso. Elas são desenvolvidas em treinamentos incansáveis, que não são nunca concluídos. O líder empresarial típico repassa o treinamento para a responsabilidade do departamento de recursos humanos, no qual ele é diluído e desconectado dos aspectos de caráter tão importantes para uma equipe. O modelo do SEAL vai direto ao coração do que importa e treina o caráter. Depois, permite que as habilidades penetrem nas pessoas por meio da repetição.

Finalmente, a recompensa é a insígnia de ouro que SEALs ganham quando completam o treinamento. Ela é um símbolo de honra e a herança que sustenta a força lendária. No entanto, deve ser reconquistada todos os dias posteriores ao da cerimônia de entrega da insígnia. A premiação é ganha na arena por meio da construção da reputação. A reputação de um SEAL é seu principal capital... todas as outras habilidades e os demais conhecimentos são inúteis para a equipe se a reputação do agente SEAL é rompida através de uma falha de integridade. SEALs se esforçam muito para construir e manter uma reputação de excelência. Líderes empresariais podem seguir o mesmo caminho e ganhar suas insígnias todos os dias para serem um exemplo para suas equipes. Logo, os times farão o mesmo para servirem de exemplo para seus pares. A cultura inteira ganha unidade na busca pela reputação e na aversão às lutas de poder e ao trabalho que se limita ao cumprimento de horários e ao salário. Ao ganhar sua insígnia de respeito todo dia, você honra a si mesmo, ao time e à organização.

Como você pode ver, esses valores fornecem uma forte motivação, adesão e orientação para a criação de excelência pessoal e organizacional. Quando bem definidos e introduzidos na cultura organizacional, eles se tornam a marca e outras companhias vão se levantar e tomar nota imediatamente.

Leia também: Perfil do empreendedor digital no Brasil. Pesquisas do Mundo do Marketing Inteligência, exclusivo para assinantes.

Varejo | E-commerce | Digital

Por: Paulo Al-Assal

CEO da BR Culture, agência de estratégia de marca e inovação e sócio da UVXZ, agência de design estratégico. Diretor de Marketing Voluntário da ONG Oncoguia


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