Colecionadores de tempo | Mundo do Marketing

Publicidade

Patrocínio

Publicidade
Publicidade Publicidade
Mundo do Marketing Inteligência

Artigos

Colecionadores de tempo

Coleção de gifts é o assunto deste mês da colunista Marina Pechlivanis

Por | 16/06/2009

pauta@mundodomarketing.com.br

Compartilhe

Por Marina Pechlivanis*

"O meio ambiente dos objetos privados e a sua posse — onde a coleção constitui o ponto extremo — é uma dimensão da nossa vida tão essencial quanto imaginária. Tão essencial quanto nossos sonhos", Baudrillard.

As coleções são organizações de objetos ou registros documentais que se relacionam por meio de experiências e sensações dos indivíduos que as conservam em forma de posse, seja racional e objetiva ou subjetiva, passional, poética e inconsciente. O ato de colecionar está associado a um certo controle do tempo, conservado por intermédio dos objetos, transformando-se em um passatempo que tem começo, meio e pode ou não ter fim, dependendo do colecionador e da disponibilidade dos itens colecionados.

Para as crianças, dizem os psicólogos, é uma forma de controlar o mundo ao redor durante uma fase de latência, dos 7 aos 12 anos (http://sitededicas.uol.com.br/bid_colecoes.htm).
Meninas começam colecionando bonecas, adesivos, papel de carta, pelúcias… e depois aderem aos batons, perfumes, sapatos, bolsas… Para os meninos, carrinhos, cards, tampinhas, gibis, cartuchos de games… mania que depois se transforma em miniaturas de carros, motos e aviões (http://tribunadonorte.com.br/noticias/82268.html), flâmulas do time de futebol, latinhas de bebida, LPs, DVDs…

Isso sem contar os colecionadores de selos, moedas, canetas, louças, obras de arte, autógrafos, buttons, bonecos de Toy Art… E, como não podia deixar de ser, de marcas, especialmente as estampadas em gifts corporativos (à venda na web, as coleções de gifts da Coca-Cola:
http://www.brasilcult.pro.br/ensaios/cola/coca_cola.htm).

Seja lá o que for, o fato é que tem sempre alguém colecionando alguma coisa — e este processo se tornou uma poderosa estratégia de marketing, ora pois, de gifting. Afinal, trata-se uma retomada da sensação de reorganizar o mundo pelo prazer de controlar objetos em série, seja por sua quantidade, qualidade ou raridade. Especialmente quando se transformam em apelo de marketing, destacando sua gratuidade e despertando o desejo de posse e de coleção.

É só escolher: copos de requeijão, canecas de café solúvel, copos de cerveja, potes de margarina, sem contar as almofadas de Shopping Center, as ecobags do supermercado… E para abordar a questão com a densidade que merece, nada como falar com um conoisseur! Com vocês, o jornalista Marcelo Duarte, autor da série Guia dos Curiosos e colecionador de carteirinha.

MP: Como surgiu a história de colecionar curiosidades? E como isso se transformou em um negócio?
MD: Acho que é do signo... Desde criança sou apaixonado por coleções. Já colecionei figurinhas, selos, cédulas, caixas de fósforo, carrinhos Matchbox. Bem, aí continuei com essa mania de colecionar quando virei jornalista também. Guardava alguns recortes com curiosidades numa pasta dentro da minha gaveta no trabalho. Eram curiosidades que eu iria usar para dar um sabor especial às minhas reportagens. Quando percebi, a pasta estava repleta de coisas. Foi assim que tive a ideia de escrever o primeiro "O Guia dos Curiosos". Hoje a coleção já tem oito títulos. Sinal de que a coleção não parou de crescer.
 
MP: Objetos de desejo, objetos de afeto. O que move as pessoas a colecioná-los?
MD: No meu caso, as coleções são muito mais objetos de afeto. Servem para recordar algum lugar, algum evento. Mas não faço nenhuma loucura por elas. Como coleciono várias coisas, sempre encontro alguma coisa em conta para uma delas. Tenho coleções de pandas (é o nome da minha editora), de girafas, de latinhas de coca-cola, de miniaturas de vilões (sempre são mais baratos que os heróis), de memorabilia de futebol, de carrinhos de filmes de TV ou cinema. Mais uma estante de objetos sem muita ligação entre eles - desde a réplica do Forte de São Marcelo, em Salvador, a uma dentadura de dar corda.
 
MP: E os gifts corporativos colecionáveis? Para onde isso vai?
MD: Quando um deles tem a ver com minha coleção também vou atrás. Eles estão cada vez mais bonitos e costumam chamar atenção na coleção. Durante a Copa do Mundo de 2006, experimentei uma das minhas maiores decepções. A Coca-Cola fez uma quantidade limitada de réplicas da Taça FIFA. Cansei de juntar tampinhas do refrigerante para trocar por envelopinhos da promoção. Para o meu desespero, não tirei o vale-brinde. É, eu disse agora há pouco, que as coleções são só objetos de afeto. Nesse caso, a tacinha foi também um objeto de desejo.

Vai um gift aí? Ou vai me dizer que você não coleciona nada? Dicas, idéias, cases, sugestões? Gifting@umbigodomundo.com.br

* Marina Pechlivanis é Sócia-Diretora da Umbigo do Mundo Gifting e Comunicação, Mestre em Comunicação e Consumo pela Escola Superior de Propaganda e Marketing e integrante do GEA (Grupo de Estudos Acadêmicos) da AMPRO.

Por: Marina Pechlivanis

Autora dos livros Gestão de Encantamento: Dicas Mágicas e Gestão de Encantamento2: como a mágica acontece, entre outros 20 títulos. Mestra em Comunicação e Práticas de Consumo. Palestrante. Sócia da Umbigo do Mundo Comunicação. Criadora da Metodologia Matriz da Excelência Gestão de Encantamento. Professora do curso de extensão Gestão de Encantamento, na ESPM


Comentários

Artigos do autor:

Não basta vender. É preciso Encantar

Não basta ter uma boa campanha

Beacons do bem. Já ouviu falar?

Diga-me o que consomes, direi quem és

Gastei tudo comigo. E agora?

Bienais cheias, bibliotecas vazias

Entrevista ao Todo Seu de Ronnie Von

Meias do bem: a nova moda

Comprar não: ganhar!

Troca tudo sem dinheiro

Água grátis, no meio da corrida. Isso faz bem?

PET: não é reciclagem, é ressignificagem

Um mundo mais alegre é um mundo melhor

Cooperativa Fruta Feia: chega de desperdício

Já experimentou NEC, da Nespresso?

Red Bull Station: arte, música, vanguarda

Gifted Idea é aquela que tem o dom de inspirar

Feira de design de Milão: Dádivas de Marca

Ensaio sobre o futuro

Copia-Cola

Cegueira desatencional

O melhor da feira

A fina estampa do licensing

O mito do bem-sucedido

Ai, se moda te pega, ai, ai, ai, ai

Rituais para exportação

Gifts: simulacros e simulações

A eterna novidade

Ver e ser visto: é isso que o povo quer

Negócio da China?

Do museu para as massas

O golpe da concorrência

Ceci n?est pas un gift*

Eco-luxo, chique no último

Promoção de shopping é tudo igual, só muda o endereço?

Hospitalidade mercadológica

Apps: samples ou gifts?

Social Gifting

Emocional Gifting

Promoção da propaganda. Ou propaganda da promoção?

iPod. E tu, podes?

EndoGifting

Gifting para crianças. Prazer ou pecado?

Entre o gift e a gafe. Entre o luxo e o lixo

Shopping: aqui se faz, aqui se paga, aqui se ganha

Todo cliente é VIP, mas uns são mais VIPs que os outros

Os mimos que o mundo dá. (ou) Os mimos que a gente pega

Quem não gosta de gifting bom sujeito não é!

Tem brinde? Então é pra já!

NeuroGifting



Inteligência Inteligência

Publicidade

Voltar ao Topo

Copyright © 2006-2020.

Todos os direitos reservados.

Assine o Mundo do Marketing Inteligência

Copyright © 2006-2020. Todos os direitos reservados. Todo o conteúdo veiculado é de propriedade do portal www.mundodomarketing.com.br. É vetada a sua reprodução, total ou parcial sem a expressa autorização da administradora do portal.

Auditado por: Metricas Boss