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Existe um ritual Brasil? O que temos levado para o exterior referente à nossa cultura e tradições? Uma coisa é fato: o mundo conhece diversos dos nossos estereótipos, implícitos na nossa cultura popular

Por | 31/05/2012

mkt@mundodomarketing.com.br

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Existe uma marca Brasil, a "marca de difusão e promoção do Brasil como destino turístico no mercado nacional e internacional" que deve ser utilizada em ações de promoção no Brasil e no exterior, como informa o site www.turismo.gov.br. As instruções de uso foram estabelecidas por designers, profissionais de Marketing e publicitários para "disciplinar o uso da imagem do turismo brasileiro".

Entre outros aspectos, a marca considera a alegria do povo brasileiro traduzida na plasticidade geográfica das curvas. E a miscigenação refletida nas múltiplas cores, um encontro de culturas. Como um manual de marca não poderia deixar de prever, há toda a delimitação de aplicação: tipologias, escala de cores, fundos, grafismos…

Agora, existe um ritual Brasil? O que temos levado para o exterior referente à nossa cultura e tradições? Uma coisa é fato: o mundo conhece diversos dos nossos estereótipos, implícitos na nossa cultura popular. Quem não acredita que somos um povo solidário, alegre, trabalhador, honesto, hospitaleiro (pois onde comem 2 come 3 — é só por mais água no feijão), que tem jogo de cintura, ginga, garra? Que vive em um lugar democrático, bonito por natureza; no país do futuro, onde em se plantando tudo dá; afinal, se Deus é brasileiro, quem estaria contra nós?

O mercado. E se a qualidade de impressão pode ser controlada e regulada, assim como os direitos de uso de uma marca mediante certificações, o mesmo vale para as relações que se estabelecem associadas a uma marca — os seus rituais.

Aos não iniciados nos processos cerimoniais e protocolares, eis aqui alguns dos verbetes aurelianos em pauta, demonstrando que deve haver regras, preceitos, padrões que dão consistência e identidade à divulgação de uma marca em todos os processos de troca e relacionamento com os mais distintos interlocutores — serve para uma nação, para uma multinacional, para uma micro-empresa artesanal ou para um profissional liberal.

Rito, do latim ritu, é "qualquer cerimônia de caráter sacro ou simbólico que segue preceitos estabelecidos; são as normas do ritual". Ritual, do latim rituale, é o "conjunto de práticas consagradas pelo uso e/ou por normas, e que se deve observar de forma invariável em ocasiões determinadas; cerimonial".

Cerimonial, do latim caerimoniale, refere-se às cerimônias: "conjunto de formalidades que se deve seguir num ato solene ou festa pública; regra que estabelece tais formalidades". Cerimônia, do latim caerimonia, é a forma exterior e regular de um culto; são as "formalidades e cortesias entre pessoas que não se tratam com familiaridade; etiqueta".

Etiqueta, do francês étiquette, são as "formas cerimoniosas de trato entre particulares, cerimonial; regras, normas, estilo". Estilo, do latim stilu, é um "conjunto de elementos capazes de imprimir diferentes graus de valor às criações artísticas, pelo emprego dos meios apropriados de expressão, tendo em vista determinados padrões estéticos; uso, costume, prática, praxe; maneira ou traço pessoal no agir". Estético, do grego aisthetikós (sensível sensitivo): que tem características de beleza; belo, harmonioso".

E apesar de os brasileiros estarem entre os povos mais confiantes do mundo, segundo relatório Confiança do Consumidor (Nielsen, 2011), qual a imagem que o mundo tem de nós? Segundo a pesquisa do Serviço Mundial da BBC realizada início de 2012 pela GlobeScan/PIPA houve uma queda de 49% para 45% na imagem positiva do pais.

Será que não fazemos valer aquilo que oferecemos? Para a Rio+20, por exemplo, a cidade que te acolhe de braços abertos ofereceu altas tarifas hoteleiras e a possibilidade de hospedagem domiciliar paga. "Os visitantes poderão ter uma experiência única de conviver com os cariocas e conhecer melhor a cidade, e os cariocas terão a chance de ganhar uma rendinha a mais", informou o secretário municipal de turismo, Antonio Pedro Figueira de Mello.

Considerando que a primeira impressão é a que fica, será que estamos exportando a melhor imagem do país, visando bons negócios? E as empresas, o que tem feito para isso? Para explorar o tema convido Edmundo Sansone Neto, publicitário, artista plástico, editor da revista Itália em São Paulo e um dos organizadores da Brazil S/A, lounge brasileiro de design e decoração que acabou de realizar sua terceira edição, e acontece em Milão durante o Salão Internacional do Móvel e a Design Week.

MP: Intercâmbio cultural para fazer negócios. Como este processo, tão ancestral, se operacionaliza atualmente?
ES: O Brasil passa por um momento incrível em sua história. A atual situação econômica favorável tornou o país mais conhecido, projetou sua imagem no exterior como uma opção de investimento neste cenário mundial tão incerto. Isto azeitou o caminho para mostrarmos quem somos, o que tem de bom por aqui. O "brazilian way of life" virou moda, muitos lá fora querem saber mais sobre nós e interagir com nossa realidade. Neste âmbito, quem tem uma boa história para contar tem agora um público mais interessado em ouvir.

MP: Qual é a marca Brasil nos negócios? Como os italianos, por exemplo, enxergam as intenções mercadológicas brasileiras?
ES: Em Milão, percebemos que os italianos enxergam o Brasil cada vez mais como um grande parceiro de negócios. Temos muita afinidade com a Itália (existem mais de 30 milhões de ítalo-descendentes no Brasil), então o diálogo é mais fácil, a comunicação se dá melhor.  Existe muita curiosidade por parte deles em entender melhor o cenário para se investir aqui. No Brazil S/A, por exemplo, tornamos este processo mais fácil, aproximando os empreendedores dos dois países num ambiente que mostra as diversas faces de nosso país de maneira criativa, profissional e moderna. Os italianos, e estrangeiros de modo geral, se surpreendem com a vastidão do país, e com a quantidade de possibilidades que podem surgir no intercâmbio com o Brasil. Hoje somos uma alternativa real.

MP: O que as empresas têm feito para conquistar espaço internacional? Cite rituais, formas de atender, gifts que sejam brasileiros em sua essência.
ES: O Brazil S/A é uma grande vitrine do design brasileiro. Neste universo, muitas empresas e instituições passam suas mensagens utilizando-se deste canal. Alguns exemplos: uma das mostras, a "Casa Brasileira", apoiada pela APEX Brasil, trouxe uma exposição de peças brasileiras que remetiam a uma residência nacional, com ligação ao design e às diversas associações setoriais, num contexto moderno que valorizou o produto brasileiro; Outra mostra, a "Metro Cúbico", possibilitou que as empresas levassem a Milão peças do mobiliário brasileiro atual. O nome da mostra inspirou-se no contêiner usado no transporte internacional; Em outra iniciativa, o Governo do Acre marcou presença com uma exposição de peças e objetos, envolvida numa experiência sensitiva e com muita interação; e na exposição "Renda-se ao Brasil", designers brasileiros utilizaram a renda artesanal brasileira para customizar objetos do cotidiano como cadeiras e luminárias, criando peças artísticas.Temos que aproveitar este grande momento, onde o país é foco de atenção internacional, para passar nossa mensagem de maneira criativa e profissional.


É… Ninguém marca presença só com um logotipo bonito. Para marcar, aqui ou em qualquer lugar do mundo, é preciso tocar. Para tocar de forma proprietária e corporativa, ritualizar. Para ritualizar de forma intensa, exportar a essência da marca para todas as áreas da comunicação, deixando-a uníssona e potente. Moral da história: está na hora de investir em um manual de rituais de marca, antes que seus concorrentes o façam.

Por: Marina Pechlivanis

Marina Pechlivanis é sócia-diretora da Umbigo do Mundo, Mestre em Comunicação e Consumo pela ESPM, coautora do livro Gifting (Campus Elsevier, 2009) e integrante do GEA (Grupo de Estudos Acadêmicos AMPRO)


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