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Do museu para as massas

Exposições abertas, grátis. A população brasileira consome? Poderia consumir mais? Sabe o que falta? O hábito de consumir arte e a arte do gifiting

Por Marina Pechlivanis - 29/11/2011

 

 
A educação de base faz toda a diferença na formação de um cidadão. Dependendo da oferta que se faz na tenra infância, muda a forma de ver o mundo na fase adulta. Mais pontos de vista, mais insumos para análises comparativas, mais fontes de inspiração. Especialmente quando o assunto é arte.
 
A área infantil do Museu Van Gogh, em Amsterdam, por exemplo, tem workshops, visitas inusitadas com desafios, dicas para fazer um diorama virtual, estrutura para festinha de aniversário e, como não poderia deixar de ser, desenhos para imprimir e pintar. 
 
Também vale o passeio para área de Kids&Teens do Magritte Museum, em Bruxelas, com várias dicas de reprodução de obras de arte do ícone surrealista, aproximando-as da realidade das crianças de forma prática, tangível, não apenas “arte pela arte”. Tem até dicas de como fazer anúncios à Magritte, com slogan e tudo. 
 
No MoMA, em Nova York, além de ativas comunidades virtuais para tweens e teens, um calendário especial promove a interação de artistas com crianças e suas famílias, proporcionando aproximação com os criadores e espaço para que as crianças reflitam e façam seus questionamentos.
 
No Brasil, os grandes centros têm todo o potencial para um modelo mais aberto e democrático de acessibilidade cultural. Muitos são gratuitos ou gifts de empresas apoiadoras, outras tantas têm valores simbólicos de entrada. A exposição De dentro e de Fora, em cartaz no MASP, em São Paulo, é um modelo de interatividade apresentando grandes nomes da arte urbana mundial, para adultos e crianças. 
 
Em São Paulo, por exemplo, tem também o Catavento, os SESCs, o Museu do Ipiranga, Museu da Língua Portuguesa, Museu de Arte Sacra, Museu do Futebol, Casa das Rosas, Pinacoteca… Não mora em cidade grande? Oh! Não tem problema. Acesse os sites destes e de outros museus, nacionais e internacionais. Também há jogos, atividades, informações e redes de relacionamento. Tudo grátis. Sabe o que falta? O hábito de consumir arte.
 
Para abordar a questão com mais profundidade convido Tadeu Figueiró, gerente de Planejamento e Comunicação do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília, espaço que tem revolucionado a forma de se enxergar e democratizar a arte, Bacharel em Direito pela Universidade de Brasília - UniCeub – e integrante do Comitê de Patrocínios da Secretaria de Comunicação da Presidência da República - Secom/PR.
 
MP: Exposições abertas, grátis. A população brasileira consome? Poderia consumir mais? 
TF: O Centro Cultural Banco do Brasil, em 20 anos de atuação, trabalha a arte-educação como forma de diminuir o distanciamento do público com a cultura. Entendemos que fomentando a educação, visando à formação de plateias, pode-se habilitar mais pessoas para frequentarem eventos culturais diversos.
 
MP: A Exposição do Escher teve interatividade, aproximação, didática. Tirar fotos, tocar as obras, levar algo para casa: isso faz a diferença?
TF: Com certeza faz. A possibilidade de interagir e ter uma lembrança da exposição aproxima, quebra a frieza e a torna mais familiar e receptiva. Se a obra de arte despertou uma sensação em você, calor, frio, prazer ou mesmo raiva, então ela já cumpriu seu papel. Claro que a interatividade torna tudo isso muito mais fácil.
 
MP: Como transformar exposições em gifts para os visitantes? E como as empresas podem transformá-las em gifts para seus clientes?
TF: Marina, gift é planejamento, envolvimento. Tudo pode ser transformado em gift, desde que o ritual seja adequado e permita a troca (dar-receber-retribuir), não é mesmo? Uma exposição, um restaurante, um Banco, tudo pode ser gift, desde que o processo seja pensado como um todo. No gifting nada é por acaso, do convite ao momento da lágrima do cliente, tudo é pensado.
 
Então… Pensando em fazer uns brindes para a firma em 2012? E um evento com a tal celebridade popular? Esquente mais a cabeça e ofereça acesso à cultura e à educação. Sustentável, inteligente, retorno garantido.
Em tempo: uma marca é aquilo que ela oferece. E a sua, está oferecendo o que?
 
* Marina Pechlivanis é socia-diretora da Umbigo do Mundo, Mestre em Comunicação e Consumo pela ESPM, coautora do livro Gifting (Campus Elsevier, 2009) e integrante do GEA (Grupo de Estudos Acadêmicos AMPRO). marina@umbigodomundo.com.br

 

Por: Marina Pechlivanis

Autora dos livros Gestão de Encantamento: Dicas Mágicas e Gestão de Encantamento2: como a mágica acontece, entre outros 20 títulos. Mestra em Comunicação e Práticas de Consumo. Palestrante. Sócia da Umbigo do Mundo Comunicação. Criadora da Metodologia Matriz da Excelência Gestão de Encantamento. Professora do curso de extensão Gestão de Encantamento, na ESPM