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O gigante voltou a sorrir

A Convenção Americana de Varejo está em um clima muito diferente das suas versões anteriores e embalada pelos sinais claros da recuperação do varejo que teve em 2011 um crescimento, ainda estimado, de 6,9%

Por Marcos Gouvêa de Souza - 17/01/2012
A evolução das vendas foi revista três vezes ao longo do mês. Logo após o Black Friday, e início da temporada, a primeira estimativa foi de 2,8% de crescimento, sendo depois corrigida para 3,9% e finalmente anunciada na última 5a feira, como tendo alcançado 4,1%. E é por conta disso que o maior varejo do mundo voltou a sorrir.
 
Esse comportamento está baseado numa recuperação do emprego, que fez cair o desemprego de um pouco mais de 10% em 2009 para os atuais 8,5%, contribuindo para a melhoria da confiança do consumidor e estimulando as visitas às lojas e aos sites de compras, embalado pelas inúmeras promoções, ofertas, descontos e vendas especiais, que reduziram o percentual de vendas de produtos com preço cheio e devem gerar impacto nas margens e nos resultados das empresas.
 
Outro elemento que tem contribuído para a recuperação, ainda cautelosa das vendas, é o fato que boa parte das dívidas contraídas no passado está equacionada, o que solta a trava que os consumidores se impuseram após a crise precipitada no setor imobiliário.
 
Mas em tempos de retração a opção adotada pela maioria dos varejistas foi trazer o cliente às lojas e sites, mesmo que com algum sacrifício das margens. O que aparentemente vem dando certo.
 
O mais importante período para o varejo é um balizador do comportamento futuro e cria uma expectativa positiva para o setor, que é o maior empregador privado e responsável por mais de 28 milhões de funcionários, ou seja, 24,1% do total.
 
Também no Brasil o comércio e o varejo se converteram no maior empregador privado e com crescente aumento de participação, por conta do aumento dos serviços na composição do PIB brasileiro.
 
Em 2011 o maior crescimento de vendas no varejo dos Estados Unidos ocorreu no segmento de “não-lojas”, que inclui Internet, catálogos e outros e que registrou uma expansão de 12,0% em relação ao ano anterior, marcada pelo aumento de participação do e-commerce no todo do varejo.
 
No período de Natal as vendas pela internet, segundo a Forrester, teriam alcançado US$ 59 bilhões, com expansão de 15,1% sobre o mesmo período no ano passado.
 
Outros segmentos apresentaram bom crescimento, porém abaixo da média de 7% estimada para o fechamento do ano. Assim os Clubes de Compra e Supercenters, os formatos mais beneficiados pela crise recente, expandiram 5,4%. Material de Construção chegou a um crescimento de 5,3%, seguido por Alimentos e Bebidas (5,1%), Artigos Esportivos (4,9%), Saúde e Cuidados Pessoais (3,9%) e Móveis e Eletrodomésticos (1,4%). O drama continua apenas para as Lojas de Departamentos, com redução de vendas estimada em -1%. 
 
A grande estrela do momento é o crescimento do uso da internet e do celular no varejo, que está criando um quadro de desafios e oportunidades para os varejistas em todo o mundo e particularmente nos Estados Unidos, através do uso cada vez mais intenso do celular para acessar a rede, comparando preços, conhecendo ofertas e concluindo a compra, seja no ambiente virtual ou físico.
 
Essa tendência faz com que novas alternativas sejam disponibilizadas, como é o caso da Amazon, que oferece um aplicativo para que o cliente na loja, com seu celular, leia o código do produto e possa comparar preços e, eventualmente, concluir a compra com outra oferta.
 
Outro elemento que confirma a tendência de crescimento no final de 2011 é o uso de Gift Cards, que segundo estimado pelo ICSC e pela Goldman Sachs, teve um crescimento entre 18% e 20% no período, comparado com 14,4% no ano passado.
 
A NRF estima que tenham sido vendidos US$ 27,8 bilhões de Gift Cards em 2011, quando em 2010 foi de US$ 24,8 bilhões.
 
Com esse conjunto de informações o que se percebe é um claro sentimento de distensão na percepção de executivos, dirigentes e empresários do setor, que ficam mais tranquilos com respeito ao mercado interno, mas continuam preocupados com as consequências que possam existir por conta do agravamento da situação na Europa.
Ainda que de forma tímida, o gigante voltou a sorrir.
 
* Marcos Gouvêa de Souza é diretor-geral da GS&MD – Gouvêa de Souza.

Por: Marcos Gouvêa de Souza

Marcos Gouvêa de Souza é diretor-geral da GS&MD ? Gouvêa de Souza