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Você conhece as franquias sem fins lucrativos?

Semelhante ao que ocorre com a franquia empresarial, cada uma das unidades que formam uma rede de franquias sociais é implantada, operada e gerida por um franqueado autônomo

Por | 23/04/2013

pauta@mundodomarketing.com.br

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Sim, há franquias que não têm finalidade de gerar lucros. Seu sucesso se mede não com base no Ebtida que geram ou nos dividendos que distribuem, mas sim no impacto social positivo que suas atividades produzem. Estou falando das franquias sociais, ou seja, na replicação e disseminação de programas sociais bem resolvidos através do uso dos mecanismos típicos de uma operação de Franchising Empresarial.

Traduzindo: as mesmas técnicas e ferramentas utilizadas para replicar uma loja, um restaurante, uma escola de idiomas, uma locadora de vídeo ou uma lavanderia, com alguns ajustes mínimos, permitem replicar e disseminar, com sucesso, uma creche para crianças de famílias de baixa renda, um centro de ensino de informática, uma escola profissionalizante para jovens em situação de risco, uma unidade de alfabetização de adultos, um programa de melhoria do ensino nas escolas públicas de 1º e 2º Graus ou qualquer outra atividade sem fins lucrativos razoavelmente bem estruturada.

Semelhante ao que ocorre com a franquia empresarial, cada uma das unidades que formam uma rede de franquias sociais é implantada, operada e gerida por um franqueado autônomo. No caso das franquias sociais, embora o franqueador (aquele que concede a franquia) seja quase sempre uma ONG, o franqueado (o que recebe a franquia) tanto pode ser uma ONG, como uma empresa, um órgão governamental ou uma autarquia. Qualquer que seja o caso, esse franqueado deve observar as normas e padrões ditados pela organização franqueadora. Na prática, um franqueado social só difere de um empresarial pelo fato de não pretender obter lucros de natureza financeira a partir da operação de sua unidade franqueada.

De acordo com o último levantamento que me recordo de haver lido, menos da metade das pequenas empresas independentes nascidas no Brasil chega a completar três anos de existência, enquanto que mais de 90% das franquias sobrevivem ao mesmo período. Isso mostra que o Franchising é uma estratégia de sucesso no mundo empresarial, por uma razão muito simples: o franqueado segue uma "receita de bolo", replicando os padrões, métodos, processos e estratégias desenvolvidos e testados na prática pelo franqueador, de quem ele, franqueado, adquire a experiência acumulada, via manuais e programas de capacitação, além de supervisão, orientação e suporte contínuos.

Por experiência própria, sei que é possível obter o mesmo nível de sucesso nas franquias do Terceiro Setor. Nos últimos anos, a equipe da Cherto Consultoria esteve envolvida na estruturação e implementação de pelo menos 15 ou 20 redes do tipo, trabalhando em conjunto com entidades como IAMAR - Instituto Alair Martins, CDI - Comitê para Democratização da Informática, Fundação Roberto Martinho, Fundação Iochpe e outras do mesmo calibre.

A quem quiser comprovar o que digo, sugiro conhecer de perto como funcionam e que resultados geram as mais de 800 CDIs Comunidade (anteriomente designadas Escolas de Informática e Cidadania) franqueadas pelo CDI - Comitê de Democratização da Informática (www.cdi.org.br), que operam dentro de favelas, reservas indígenas, associações de assistência a moradores de rua e outros ambientes, não só no Brasil, como em países como África do Sul, México, Japão e outros. Tudo a partir de uma primeira escola do gênero criada em 1995, por Rodrigo Baggio, no Morro Dona Marta, no Rio de Janeiro.

Posso ser considerado suspeito para falar do CDI, já que faça parte de seu Conselho Consultivo. Mas basta dar uma busca no Google para ficar óbvio que não se trata de mera "corujice" da minha parte. É realmente impressionante o impacto que essa entidade vem gerando na sociedade desde que adotou o modelo de franquia social para a expandir sua área de abrangência. Vale também a pena conhecer como operam as quase 80 franquias de centros de formação profissionalizante Formare, da Fundação Iochpe (www.formare.org.br), que funcionam dentro de empresas como Aché, Bosch, Coteminas, Pirelli, Delphi, Coteminas, Mahle, Suzano, Videolar e quase 50 outras.

Como ocorre com as franquias empresariais, também numa operação de franquia social "engessar" -  ou não engessar -  a atuação dos franqueados é uma escolha do franqueador, não um requisito do sistema. Exemplo de flexibilidade, nas franquias do CDI Comunidade, são os próprios alunos de cada turma que decidem, em conjunto com o respectivo instrutor, quais projetos querem desenvolver. O instrutor, que é pago pela própria comunidade, apenas os orienta a respeito de como utilizar a Informática para levar adiante seus projetos. Ou seja: pode ocorrer de, simultaneamente, estarem sendo ministrados na rede centenas de programas de aprendizagem diferentes, cada um deles adaptado aos anseios e necessidades dos alunos de uma determinada classe. Apesar disso, há processos, métodos e parâmetros básicos, essenciais à geração dos resultados esperados e à manutenção do DNA do CDI, que são comuns e devem ser observados por todos.

Algo semelhante ocorre com as franquias Formare. Como o objetivo primordial deste programa é elevar o nível de empregabilidade dos alunos (o que vem sendo obtido na prática, já que um percentual elevado dos jovens que se graduaram está formalmente empregado), não faz sentido adotar o mesmo currículo em unidades situadas em mercados com características distintas. Por isso, embora haja uma formação básica comum, em cada uma delas são ministrados cursos que capacitam os alunos especificamente para ocupar vagas disponíveis na região onde vivem e onde sua escola está situada. Portanto, também no Formare a maior parcela do currículo de uma determinada franquia pode (e, muitas vezes, deve) ser diferente do de todas as demais. Mais uma vez, o que é padronizado, ou parametrizado, são certos processos e métodos que garantem que o DNA Formare não se perca e que cada unidade da rede funcione como deve e gere os resultados esperados.

Como já diziam os romanos, contra fatos não há argumentos. E é fato que as franquias sociais citadas neste texto, assim como outras, vêm produzindo resultados positivos tangíveis e mudando para melhor a vida de muita gente por este Brasil afora.

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Por: Marcelo Cherto

Presidente da Cherto Consultoria, da Cherto Educação Corporativa e da Franchise Store, membro da Academia Brasileira de Marketing e integrante dos Conselhos Consultivos de diversas empresas e organizações sem fins lucrativos.


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