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O Marketing da venda direta e a ameaça dos ?Apps Colaborativos?

As empresas de venda direta precisam estar atentas para mobilizar o mesmo apelo desses novos aplicativos junto à sua rede, potencializando sua atratividade

Por | 18/06/2015

alves@directbiz.com.br

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No mês passado (maio/2015), comentei sobre a importância das empresas do segmento focarem em novas e relevantes estratégias para o uso da tecnologia móvel e das redes sociais para fortalecer seu canal de venda direta e maximizar a dinâmica de relações entre esse canal e os consumidores, nesse novo cenário apresentado pela posse crescente de dispositivos e democratização do acesso, que caracterizam uma nova geração de revendedores e de consumidores interligados, e mais conscientes e informados.

Existe, porém, uma nova realidade que já está reconfigurando as decisões de milhares de pessoas em outros países, e pode impactar de forma irreversível o segmento de venda direta no Brasil - onde a precariedade da internet disponível e a rapidez com que as mudanças se apresentam a uma massa de usuários que ainda não amadureceu seus hábitos e aprofundou o entendimento dos recursos novos, dá muito pouco tempo para que as empresas assimilem certos processos e os reverta favoravelmente -, a crescente adesão aos chamados Apps (aplicativos) Colaborativos.

Aplicativos como o Uber, TaskRabbit, Instacart e AirBnB, nos obrigam a avaliá-los não mais simplesmente como um novo "programinha" para tablets e smartphones, mas a entendermos como sua lógica impacta nos hábitos de seus usuários e no entorno social destes, transformando esses aplicativos em um fenômeno social e mercadológico, pois alteram toda uma estrutura de oportunidades de renda para pessoas autônomas. Esses aplicativos reconfiguraram o contexto de oferta e demanda de serviços, passando por cima de processos e negócios convencionais e preestabelecidos, que forçosamente podem deixar de existir a médio prazo - afetados pela brutal mudança de mercado representada pela liberdade e poder que estão dando aos seus usuários, transformando-os em prestadores de serviços.

Desconsideremos a inútil discussão sobre legalidade, alvarás e que tais, que aos poucos e a cada dia mais soam como lamúrias de representantes de uma estrutura de negócios e rede de dependência ultrapassada que não se manteve atenta, não soube se renovar, não antecipou as possibilidades de mudança do mercado, da tecnologia e das pessoas e não percebeu as ameaças ao seu "status quo", estando agora prestes a ruir ante as mudanças. Lideradas não por esses aplicativos, mas sim pela adesão das pessoas a um novo processo que vem ao encontro de suas necessidades e potencial, a despeito de imposições ou regras às quais essas pessoas sabem que não precisam mais estar sujeitas.

Devemos focar na constatação de que, dentre todas as inovações e quebras de paradigmas trazidas por esses chamados "Gig Apps", é a possibilidade real de ganhos que trazem que confronta o negócio tradicional, ameaçando-o diretamente com o mesmo apelo clássico baseado na receita para trabalho autônomo advinda de tarefas "sem chefe", em tempo livre e conforme a conveniência da pessoa, inerente aos negócios de venda direta. Esse argumento, variável importante da abordagem para recrutamento de novos membros para as redes e equipes de revendedores do segmento, precisa ser revisto com urgência, diante das possibilidades trazidas agora por esses novos Apps.

Negócios de venda direta cujo principal pilar de atratividade esteja especificamente nos argumentos baseados nos ganhos em dinheiro, e que não consigam evidenciar ou cumprir outros aspectos que também são valorizados pelos potenciais revendedores (reconhecimento e motivação, sentimento de pertencer, crescimento profissional desempenhando uma atividade que faça diferença ou agregue valor aos clientes pelo diferencial do produto e do serviço, desenvolvimento de uma atividade na qual se recebe apoio sólido com treinamento e material de apoio de qualidade...), estão fadados a serem preteridos pelas possibilidades de se ganhar dinheiro atuando no transporte autônomo "premium" de pessoas (Uber ou Lyft), fazendo locação diferenciada de imóveis ou quartos para viajantes e turistas (AirBnB) ou executando as mais diversas tarefas domésticas para contratantes sem tempo para tal (TaskRabbit).

Ganhar dinheiro cadastrando-se como prestador desses serviços ou acessando como um interessado nessa contratação por meio dos "Apps Colaborativos" não exige o entendimento de regras complexas e draconianas, nem estabelece o cumprimento de metas ou atingimento de indicadores de frequência específicos para aderir ou permanecer no negócio ou na "rede", nem obriga a algum desembolso inicial para começar a trabalhar e ganhar dinheiro. Tudo se baseia na qualidade dos serviços prestados, avaliados on-line e diretamente pelo contratante, e na correta contrapartida financeira por parte do contratante, tudo sob a segurança da mediação desse processo, em tempo real, pelas empresas por trás desses aplicativos - cujo valor, diga-se de passagem, hoje na casa dos bilhões, cresce de forma exponencial na bolsa e aos olhos dos investidores em nível global.

Portanto, as empresas de venda direta precisam estar atentas para mobilizar o mesmo apelo desses novos aplicativos junto à sua rede, potencializando sua atratividade em conjunto com os outros fatores de decisão já comentados, e que não fazem parte do apelo dos aplicativos - já que, por enquanto, estes só atraem pela possibilidade da renda. Em tempos de crise, historicamente a venda direta compensou a queda no consumo e na retração econômica mantendo bons resultados devido ao incremento de canal em busca de renda adicional. Porém, esse mercado agora vive em um novo cenário competitivo que pode afetar justamente essa possibilidade de atrair canal, devido às novas possibilidades relacionadas aos ganhos para autônomos trazidas pelos Apps Colaborativos.
 

Por: Marcelo Alves

Diretor de marketing e tecnologias da DirectBiz Consultants


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