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Peapod e o e-commerce alimentar brasileiro

Esta desconfiança ainda faz parte da realidade do e-commerce alimentar no Brasil (e em muitas partes do mundo). E são poucas são as empresas que se arriscam a atuar neste setor

Por Luiz Antonio Sedeh - 23/01/2012

 

Dois mil e onze foi mais um ano de uma série histórica de expressivo crescimento do e-commerce brasileiro. Números apontam que o setor, que fechou o ano com faturamento de R$ 20 bilhões (cerca de 30% de crescimento Vs 2010), já possui 91% de penetração nos lares brasileiros com internet, alavancados especialmente pelas compras de categorias de eletrônicos, eletrodomésticos, moda e estética, segundo o e-bit.
 
No setor alimentar, entretanto, a realidade ainda é bem diferente. E um dos motivos é que não se pode comprar carnes, frutas ou pães com garantia estendida. A palavra que melhor descreve este contexto é desconfiança.
 
Em seus primeiros anos, o e-commerce (entenda-se categorias não alimentares) também passou por esta desconfiança. Igual, mas diferente. Na época, desconfiava-se se o cartão de crédito seria clonado, se o produto seria entregue, se funcionaria propriamente e se a entrega estaria correta. Esta barreira foi superada graças a dois acontecimentos: ferramentas de segurança para transferência de dados confidenciais na internet; e investimentos de grandes players do varejo off-line, como Magazine Luiza, Americanas, Casas Bahia e Ponto Frio, alavancadas pela atuação de suas lojas físicas.
 
Esta desconfiança ainda faz parte da realidade do e-commerce alimentar no Brasil (e em muitas partes do mundo). E são poucas são as empresas que se arriscam a atuar neste setor, especialmente pela complexidade logística e, consequentemente, altos custos do home-delivery.
 
Pensando nisso, a Peapod, site de varejo alimenticio norte-americano, montou um modelo diferenciado de atuação que vem fazendo muito sucesso nos EUA. Funciona assim:
 
1. O cliente entra no site (www.peapod.com), informa se compra em nome de pessoa física ou jurídica, e escolhe sua micro-região (entre as atendidas pela empresa);
 
2. Ao escolher a região, o cliente é direcionado a uma oferta específica de categorias e SKUs, também com preços específicos. Neste momento, o cliente já está navegando no catálogo de produtos dos parceiros da Peapod na micro-região escolhida; e
 
3. Após o pedido, a Peapod compra os produtos em seus parceiros e garante a entrega aos clientes em até 7 dias.
 
Segundo Tim Dorgan – diretor da Peapod, e responsável pela apresentação da empresa em um dos palcos da NRF 2012 – “decisões relacionadas a preço e sortimento devem ser pensadas geograficamente na oferta de produtos on-line”. Dessa forma, pode-se garantir disponibilidade, qualidade e pontualidade na entrega, sem prejudicar as margens dos varejistas e intermediários. Tim Dorgan afirma ainda que o modelo de custo e a seleção dos parceiros regionais são outros pontos fundamentais que tem garantido o sucesso do Peapod. Uma boa dica para os empreendedores interessados a explorar este segmento.
 
* Luiz Sedeh é diretor de Desenvolvimento da ToolBoxTM - Consultoria e Métricas de Trade Marketing.

Por: Luiz Antonio Sedeh

Luiz Sedeh é diretor de Desenvolvimento da ToolBoxTM - Consultoria e Métricas de Trade Marketing.