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Planejamento Estratégico

Os 3 C´s das lojas do futuro

Comunidade, Consciência Social e Cuidados Ambientais são temas que fornecem uma experiência diferenciada e atendem a demanda de um consumidor mais questionador

Por Lucila Masini - 19/01/2018

Depois da intensa agenda de palestras durante a NRF 2018, o maior evento de varejo do mundo, nós seguimos para a missão de buscar enxergar na prática aquilo que é trazido como conceito ou teoria nos palcos e nas falas dos conferencistas. A primeira experiência foi pelas lojas localizadas em Manhattan, Nova Iorque, onde percebemos uma disputa das marcas para ser o ponto de venda que se destaca, que mais rapidamente integra tecnologias surpreendentes para conseguir um efeito "WOW" tão desejado. Aqui, a ênfase foi realmente as inovações tecnológicas e a geração de experiências para atrair e divertir os consumidores.

Entretanto, outra coisa nos chamou a atenção. Em um segundo dia de exploração das novidades, ao contrário do que foi encontrado na grande cidade, tivemos a chance de observar um fenômeno cultural forte que está acontecendo no Brooklyn, principalmente no bairro de Williamsburg, onde não há tal aceleração do investimento para atrair a atenção dos clientes.

Pelo contrário! As bases fundamentais das lojas e seus conceitos estão em aportar valor na comunidade, conexão com uma causa social ou cuidado com o meio ambiente. E isso pode ser observado a partir da construção da marca, no design do espaço, no treinamento dos vendedores ou consultores e na comunicação.

Um dos primeiros exemplos é o Whole Foods, um supermercado que cuida da comunidade local e global com diferentes programas de assistência social, que se preocupa com a sustentabilidade e com o cuidado das espécies. Também está preocupado com a saúde e a dieta de seus clientes, oferecendo alimentos orgânicos e que não são geneticamente modificados. Muito perto da unidade de Williamsburg encontramos uma Apple Store, mas com uma configuração um pouco diferente da que estamos acostumados. Percebemos uma grande porcentagem de metros quadrados destinada ao uso comunitário, às atividades educacionais ou eventos de entretenimento com artistas locais. E isso inclui horas destinadas para as crianças, para que possam aprender tarefas diferentes, como programação, produção de mini-vídeos, brincar com música ou ler uma história.

A terceira loja à qual viemos é chamada de "Package Free’", um ponto de aprendizagem sobre como levar uma vida com zero desperdício. Seu conceito é reutilizar, reduzir ou reciclar no modo extremo, ou seja, viver com a menor geração possível de lixo. Por lá eles vendem todos os tipos de produtos duráveis ​​ou reutilizáveis ​​que substituem o plástico diário que usamos, como a escova de dentes, a lâmina de barbear, os copos de café descartáveis e até mesmo cuidados pessoais ou produtos de cuidados femininos. Além de oferecer todas essas alternativas que cuidam do nosso planeta, a equipe da PF ensina a comunidade e a todos que chegam à loja como começar uma vida sem desperdício mudando certos hábitos. Eles também fornecem informações sobre os danos gerados pela nossa maneira de consumir.

Claramente, o objetivo dessas lojas não é atender às necessidades dos clientes, como aprendemos no marketing tradicional, mas aumentar a conscientização. Elas lutam por uma causa, para trazer valor à comunidade ou cuidar do meio ambiente. A razão pela qual este tipo de empresa foi fundada baseia-se na produção de um movimento, um fenômeno cultural para melhorar a vida das pessoas e parar de prejudicar nosso habitat.

Justamente por esta razão, eles obtêm seguidores rapidamente, e não nos veem como consumidores, mas como pessoas leais à causa, ao movimento que geram, e, por isso, o vínculo com essas marcas é muito mais forte e vai muito além de resolver uma necessidade com um produto específico.

Certamente, em um futuro próximo, continuaremos a ver casos como estes, uma vez que as novas gerações Millennials e Z têm uma maior consciência coletiva.

Por: Lucila Masini

Diretora comercial da Marco Marketing no Brasil